Junho Vermelho reforça a importância da doação de sangue, um gesto que pode salvar até quatro vidas. A campanha ganha destaque em 14 de junho, Dia Mundial do Doador de Sangue, período em que os hemocentros alertam para a necessidade de manter os estoques abastecidos, especialmente durante o inverno.
Mas o que acontece com o sangue após a doação? Antes de chegar aos pacientes, ele passa por uma série de etapas, incluindo exames, processamento e separação de componentes, garantindo segurança e ampliando seu potencial de salvar vidas.
O primeiro passo começa no hemocentro
Antes da coleta, o candidato à doação passa por uma série de etapas para garantir a segurança tanto do doador quanto de quem receberá o sangue.
O processo começa com a identificação, mediante apresentação de um documento oficial com foto. Em seguida, ocorre a pré-triagem, momento em que são avaliados sinais vitais, peso, altura e possíveis indícios de anemia.
Depois, o voluntário participa da triagem clínica, realizada por um profissional de saúde. Nessa etapa, são feitas perguntas sobre histórico médico, hábitos de vida, uso de medicamentos e condições de saúde. As informações ajudam a determinar se a pessoa está apta para doar.
A coleta em si é rápida e dura, em média, entre 10 e 15 minutos. Após a doação de sangue, o participante recebe um lanche e permanece por um breve período em observação.
Separação dos componentes multiplica vidas salvas
Após a coleta, o sangue segue para o setor de processamento. É nesse momento que ocorre uma das etapas mais importantes da jornada.
Por meio de centrifugação, cada bolsa é separada em diferentes hemocomponentes, permitindo que uma única doação beneficie até quatro pessoas. Entre os componentes obtidos estão:
• Concentrado de hemácias: utilizado no tratamento de anemias e hemorragias agudas;
• Concentrado de plaquetas: indicado para pacientes com risco de sangramento, como aqueles em tratamento contra leucemia;
• Plasma fresco congelado: utilizado em casos de distúrbios de coagulação;
• Crioprecipitado: empregado em tratamentos específicos relacionados à coagulação sanguínea.
Essa divisão possibilita que cada paciente receba exatamente o componente de que necessita.
Exames garantem a segurança das transfusões
Enquanto os hemocomponentes são processados, amostras do sangue passam por uma série de análises laboratoriais.
Os testes verificam a presença de doenças transmissíveis, como HIV, sífilis, hepatites B e C, doença de Chagas e HTLV. Também são realizados exames imuno-hematológicos para identificar o tipo sanguíneo, o fator Rh e outras características importantes.
Durante esse período, as bolsas permanecem em quarentena, armazenadas sob condições controladas até a conclusão dos resultados. Somente os materiais que apresentam resultados negativos para todas as doenças investigadas e são aprovados nos testes de detecção viral podem ser liberados para uso.
Cada componente possui uma validade diferente
Após a aprovação nos exames, os hemocomponentes recebem identificação e são armazenados conforme protocolos específicos.
As hemácias ficam refrigeradas entre 2°C e 6°C e podem ser utilizadas por até 42 dias após a coleta. As plaquetas são mantidas em temperatura ambiente controlada, entre 20°C e 24°C, mas possuem validade bastante curta: apenas cinco dias. Já o plasma permanece congelado a temperaturas negativas e pode ser armazenado por até 12 meses.
Essas características tornam as doações regulares ainda mais importantes, principalmente no caso das plaquetas, que precisam ser constantemente repostas nos estoques dos hemocentros.
Da bolsa de sangue ao paciente
A etapa final dessa jornada acontece quando um médico solicita uma transfusão para um paciente que necessita do procedimento. A indicação pode ocorrer em situações de emergência, cirurgias, tratamentos oncológicos, transplantes ou doenças hematológicas.
A partir da avaliação clínica e dos exames laboratoriais, é selecionado o hemocomponente adequado para cada caso. Somente depois de todas as etapas de processamento, análise e armazenamento é que o sangue chega ao seu destino final: ajudar a preservar vidas.
Veja também: Doação de sangue: quem se beneficia do seu gesto solidário?
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