Quem procura emprego já deve ter pensado: "quanto mais currículos eu enviar, maiores serão as chances de ser chamado". Com a inteligência artificial (IA) e as candidaturas simplificadas nas plataformas de recrutamento, essa tarefa nunca foi tão rápida. Em poucos minutos, é possível adaptar um currículo e se candidatar a dezenas de vagas.
Mas essa lógica nem sempre funciona. Pelo contrário. O excesso de candidaturas, sem critério ou personalização, deu origem a um novo comportamento que vem chamando a atenção de especialistas em carreira: o doomjobbing.
O termo define a busca compulsiva por emprego, marcada pelo envio de currículos em massa, muitas vezes para vagas que pouco têm relação com a experiência ou os objetivos profissionais do candidato. O resultado costuma ser uma combinação de ansiedade, frustração e poucas respostas das empresas.
Quando buscar emprego vira uma maratona sem fim
O doomjobbing ganhou força com as mudanças no mercado de trabalho e a busca por novas prioridades de carreira. Enquanto cresce o movimento job dropping, de profissionais que optam por mais equilíbrio e menos pressão, aumenta também a sensação de que é preciso se candidatar a todas as vagas disponíveis.
Com a facilidade das candidaturas online, muitos passam a associar quantidade à estratégia. Porém, o excesso de inscrições sem critério nem sempre aumenta as chances de contratação.
Mais currículos, menos retorno
O crescimento das candidaturas é uma realidade. Dados do LinkedIn mostram que o número de inscrições em vagas aumentou mais de 45% entre 2024 e 2025, impulsionado pela candidatura simplificada e pelo uso cada vez mais frequente da inteligência artificial.
Mesmo assim, os resultados não acompanharam esse ritmo. Segundo a plataforma, 37% dos profissionais afirmam que estão se candidatando a mais vagas do que nunca, mas recebem menos respostas dos recrutadores.
Outro levantamento, realizado pela empresa de tecnologia para RH Employ, revela que 66% dos candidatos relatam esgotamento durante a busca por emprego, enquanto mais da metade acredita que o mercado de contratações continua estagnado.
Os dados mostram que enviar mais currículos nem sempre significa participar de mais processos seletivos.
O papel da inteligência artificial
A inteligência artificial revolucionou a forma de buscar emprego. Ela ajuda a organizar currículos, revisar textos e criar cartas de apresentação em poucos minutos. O problema começa quando a tecnologia substitui completamente a análise do candidato.
Segundo a consultoria Robert Half, 66% dos gestores de contratação afirmam que a IA generativa aumentou o número de currículos com informações exageradas ou pouco confiáveis. Além disso, documentos produzidos automaticamente costumam ser muito parecidos, dificultando a identificação de candidatos que realmente se destacam.
Isso não significa que a IA deva ser evitada. Pelo contrário. A tecnologia pode ser uma excelente aliada, desde que o conteúdo seja revisado, personalizado e reflita a experiência real do profissional.
Como fugir do doomjobbing
A estratégia mais eficiente não é enviar mais currículos, mas fazer candidaturas mais direcionadas. Antes de se inscrever, é importante avaliar se a vaga combina com o perfil profissional e se o currículo destaca as competências exigidas.
Adaptar o documento, usar palavras-chave da oportunidade e acompanhar as candidaturas realizadas também ajudam a identificar o que funciona melhor. Além disso, ativar alertas em plataformas de emprego facilita encontrar vagas alinhadas ao perfil e evita inscrições por impulso.
Qualidade vale mais do que quantidade
O doomjobbing é um retrato do mercado de trabalho atual: mais digital, mais competitivo e mais acelerado. Diante de tantas ferramentas e oportunidades, é fácil acreditar que enviar currículos sem parar aumentará as chances de contratação.
Na prática, acontece o contrário. Recrutadores analisam centenas de candidaturas para uma única vaga e procuram profissionais que demonstrem alinhamento com a posição, não apenas rapidez para clicar no botão de inscrição.
No fim das contas, encontrar um novo emprego continua dependendo menos da quantidade de currículos enviados e mais da qualidade de cada candidatura. Em um mercado cada vez mais disputado, estratégia ainda é o melhor diferencial.
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