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DICAS

Dúvidas sobre a profissão? Saiba como escolher o curso ideal

Psicóloga da Conexa e CEO da Uliving explicam como lidar com a pressão para o Enem e vestibular
Dúvidas sobre a profissão? Saiba como escolher o curso ideal

Com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) se aproximando e diversos vestibulares já em andamento pelo país, milhares de estudantes se veem em meio a uma mistura de ansiedade, expectativa e indecisão. Faltando pouco tempo para as provas, ainda há quem não saiba ao certo qual curso escolher e, consequentemente, qual profissão seguir. A dúvida é comum e compreensível. Afinal, definir o caminho acadêmico e profissional que poderá moldar o futuro.


Enquanto alguns jovens crescem com o sonho de cursar uma graduação específica, em uma universidade dos sonhos, outros precisam lidar com a realidade de escolher uma instituição mais próxima de casa ou financeiramente viável. Há ainda quem viva uma verdadeira maratona de provas no fim do ano, prestando diferentes vestibulares na esperança de encontrar o curso certo.


Escolher cedo demais é um desafio para muitos


A pressão em torno dessa escolha começa cedo. Muitos estudantes sentem que precisam definir seus planos ainda na adolescência, quando a maioria sequer teve tempo ou experiências suficientes para compreender suas reais aptidões e interesses. Esse é um dos motivos pelos quais a indecisão se torna tão frequente.


A boa notícia é que sentir incerteza é completamente normal. Há quem tenha clareza sobre o que deseja desde cedo, quem saiba apenas a área de interesse, mas não o curso específico, e quem ainda não tenha ideia do que quer fazer. O importante, segundo especialistas, é compreender que esse processo faz parte da construção da identidade e que nenhuma decisão precisa ser definitiva.


Equilíbrio emocional: um aliado essencial na escolha


Mais do que pensar apenas no conteúdo das provas, é fundamental olhar para a saúde emocional. A reta final do ensino médio costuma ser marcada por estresse, cansaço e pressão interna e externa, vindas da família, dos amigos e até de comparações nas redes sociais.


Para Amanda Ferreira, psicóloga supervisora da Conexa, maior ecossistema digital de saúde física e mental do Brasil, esse cenário de cobrança intensa pode aumentar o medo de errar. “Cuidar da mente pode ser um caminho importante para apoiar decisões como a escolha do curso: ajuda a ter mais clareza, ouvir diferentes perspectivas e pode trazer uma dose de autoconfiança nesse processo”, afirma.


Os dados reforçam a importância desse cuidado: um estudo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), divulgado pela Revista Pesquisa Fapesp, revelou que 42,5% dos universitários apresentam sintomas de ansiedade e 51% de depressão. Esses números mostram que o bem-estar mental deve ser uma prioridade não apenas durante o vestibular, mas também ao longo da vida acadêmica.


“Quanto mais cedo aprendermos a reconhecer nossos limites e a buscar apoio especializado e de pessoas próximas, mais preparados estaremos para lidar com grandes desafios”, destaca Amanda.


A especialista também aponta que o equilíbrio da rotina é fundamental para preservar a saúde mental nessa fase. “Construir um dia a dia saudável, com tempo de descanso, sono adequado, prática de atividades físicas e até um uso mais consciente das redes sociais é essencial. Não se trata apenas de estudar sem parar, mas de criar condições emocionais e clareza para dar um novo passo”, reforça.


Escolher um curso não define a vida inteira


Se por um lado há quem sinta o peso da decisão, por outro há quem precise lembrar que não existe apenas um caminho certo. Para Ewerton Camarano, CEO da Uliving, pioneira no conceito de student housing no Brasil, a escolha da profissão deve ser entendida como um processo em constante evolução.


“Não é preciso ter todas as respostas aos 17 anos. O que importa é buscar informações, conversar com pessoas de confiança e entender que escolher um curso não significa definir a vida inteira de uma vez”, destaca.


O papel do ambiente e da rede de apoio


Além do autoconhecimento e do cuidado emocional, o ambiente em que o estudante está inserido pode influenciar diretamente a clareza nas decisões. Ter uma rede de apoio, espaços de convivência saudáveis e rotinas equilibradas são fatores que contribuem para um processo de escolha mais leve.


“Seja em uma moradia estudantil, na casa dos pais ou até na própria escola, espaços que trazem conforto, bem-estar, convivência saudável e suporte para os estudantes geram mais lucidez para realizar escolhas que façam sentido para a sua vida”, acrescenta Camarano.


Esse apoio se torna ainda mais importante para os jovens que precisam deixar suas cidades de origem para ingressar na universidade. O Censo da Educação Superior de 2024 revela que mais de 5 milhões de estudantes estão matriculados em cursos presenciais no país, e grande parte deles vive longe da família.


“Agravantes como um novo lar, a distância da família e a criação de novos vínculos são questões que precisam ser priorizadas tanto quanto a escolha do curso em si, porque, no fim das contas, todas estão interconectadas”, alerta o CEO da Uliving. “Estar em um ambiente cercado de pessoas que enfrentam desafios parecidos ajuda a reduzir a sensação de solidão e cria uma sensação de pertencimento. Isso torna a transição para a jornada universitária mais leve e aumenta as chances do sucesso acadêmico — e pessoal”, conclui.


Como fazer uma escolha mais consciente


Para quem ainda está em dúvida, o primeiro passo é olhar para dentro. O autoconhecimento é o ponto de partida para compreender o que motiva, interessa e faz sentido para cada um. Além disso, buscar informações sobre o mercado de trabalho, conversar com profissionais da área e conhecer a grade curricular dos cursos pode ajudar a reduzir as incertezas. A seguir, confira algumas orientações práticas:


Reflita sobre seus interesses e valores pessoais: o que desperta sua curiosidade e satisfação?

Pesquise sobre diferentes áreas e profissões: entenda a rotina e as possibilidades de atuação.

Converse com quem já está na área: isso pode revelar aspectos que não aparecem nos sites das universidades.

Cuide da saúde mental e física: o equilíbrio emocional ajuda na tomada de decisões mais seguras.

Aceite que nem tudo precisa ser decidido agora: a trajetória profissional é construída passo a passo.


No fim das contas, escolher um curso universitário é menos sobre “acertar de primeira” e mais sobre iniciar uma jornada de descobertas. Com informação, apoio e equilíbrio emocional, é possível transformar as dúvidas em oportunidades e dar o primeiro passo com confiança rumo ao futuro.


Veja também4 dicas para quem não sabe qual profissão seguir


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Fonte: Mariana Lanfranchi

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