O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que em 2023 será aplicado nos dias 5 e 12 de novembro, é um dos principais vestibulares do país, por isso os estudantes vivem uma intensa rotina de estudos para obter uma boa pontuação que os ajudem a conseguir vagas em cursos de graduação. E para viabilizar e democratizar o acesso de estudantes indígenas e quilombolas no Enem, alguns cursinhos oferecem orientação e aulas para esse público.
Exemplo é o cursinho Colmeia, da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A partir de uma iniciativa da professora Josely Rimoli, o cursinho já conta com 17 professores, entre graduandos e pós-graduandos da Unicamp, que dão aulas de Linguagem, Exatas, Biologia e Ciências Humanas.
Cursinhos preparatórios para indígenas e quilombolas
O número de estudantes indígenas no ensino superior ultrapassou 46 mil matrículas, o equivalente a 0,5% do total de alunos na faculdade, conforme o Instituto Semesp. O gênero feminino predomina entre os alunos indígenas, correspondendo a 55,6%.
Para viabilizar que os povos originários e as comunidades tradicionais tenham uma melhor preparação para as provas de vestibular, diversos cursinhos pré-Enem, assim como o Colmeia, por exemplo, oferecem suporte a esses estudantes desde as aulas até o acompanhamento para permanência dos aprovados na faculdade.
Essa iniciativa possibilita que grupos minorizados, como os indígenas e quilombolas, se preparem da melhor forma possível para o vestibular e recebam orientações, acolhimento, tirem dúvidas, aprendam e encontrem outras pessoas com perfil.
Comunidades tradicionais no Enem
Com o tema “Os desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil”, a redação do Enem 2022 exigiu dos participantes conhecimentos sobre as comunidades tradicionais, entre as quais estão os indígenas e quilombolas.
No Brasil há mais de 20 povos e comunidades tradicionais reconhecidos e os quilombolas representam 0,65% da população brasileira. Com objetivo de minimizar as desigualdades sociais e étnico-raciais, o Programa Bolsa Permanência, instituído pela Portaria MEC nº 389, de 9 de maio de 2013, prevê auxílio financeiro para estudantes autodeclarados oriundos de comunidades tradicionais matriculados no ensino superior.
Por povos e comunidades tradicionais entende-se que são “grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição".
No Brasil, eles estão presentes em quase todos os estados, de acordo com a Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT).
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