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Amensalismo

Postado por Alana Caiusca em 18/07/2019 e atualizado pela última vez em 17/07/2020

Tipo de relação desarmônica


Amensalismo, também denominado de antibiose, é uma relação ecológica interespecífica desarmônica na qual um organismo libera substâncias tóxicas que inibem o desenvolvimento ou a reprodução de organismos de outras espécies. 

Duas espécies estão envolvidas nessa relação: a inibidora (espécie que libera a substância tóxica) e a amensal (espécie prejudicada). Esta primeira não obtém nenhuma vantagem ou prejuízo. Tal condição diferencia o amensalismo das demais relações ecológicas

Um clássico exemplo de amensalismo são os antibióticos, medicamentos produzidos a partir fungos e que impedem a proliferação das bactérias. Esses remédios são constantemente utilizados para combater infecções bacterianas, como amigdalite, pneumonia e cistite


Os antibióticos, produzidos a partir de fungos, são utilizados
 medicinalmente para combater infecções bacterianas. (Foto: Wikipédia)

Exemplos de amensalismo 


Os principais praticantes do amensalismo são as plantas, contudo animais de grande porte e insetos também convivem em meio a essa relação desarmônica. Confira abaixo alguns exemplos:

Fungos - o antibiótico mais antigo é a penicilina. Essa substância é produzida pelo fungo Penicillium notatum, o qual foi descoberto “acidentalmente” pelo cientista Alexander Fleming em 1928, época que estudava a bactéria Staphylococcus aureus

Ao entrar de férias, ele esqueceu o seu material com culturas de bactérias sobre a mesa e ao retornar do descanso, elas estavam contaminadas por mofo. Nos locais onde o fungo se desenvolveu, formaram-se halos transparentes deles, o que poderia ser o indicativo da presença de uma substância bactericida. 

Quando estudou esse bolor, o cientista descobriu que ele pertencia ao gênero Penicillium e produzia uma substância capaz de destruir a Staphylococcus, assim como outras bactérias. 

Animais de grande porte - no Reino Animal, um exemplo comum do amensalismo é quando a simples passagem de animais de um grande porte, como o elefante, pode esmagar um gafanhoto. Isso não foi um ato proposital, porém a população de gafanhotos pode ser afetada e a de elefantes não.

Árvores - as raízes de algumas plantas liberam no solo substâncias que são capazes de inibir e/ou prejudicar o crescimento de outras espécies. As folhas do eucalipto e do pinheiro, por exemplo, secretam uma toxina que reduz a ocorrência de germinações de outras plantas.

O amensalismo entre as plantas também acontece quando árvores grades transformam a região que vivem em um ambiente afótico, isto é, ausente de luz. Essa condição faz com que as espécies que estão nos níveis inferiores não recebam luminosidade adequada para o seu desenvolvimento. 

Maré vermelha - esse fenômeno acontece em função da multiplicação demasiada das algas do filo Dinophyta que liberam uma toxina e, consequentemente, geram manchas na água com tons que variam entre o vermelho e marrom.

Nesse caso de amensalismo, a toxina (floração tóxica) liberada pelas algas causa a morte de várias espécies marinhas daquele local, como peixes, aves e mamíferos marinhos (principalmente o peixe-boi).

Outros tipos de relações ecológicas 


Os seres vivos interagem com o ambiente em que vivem de diferentes formas, caracterizando as relações ecológicas. Essas interações são classificadas de acordo com benefícios e/ou prejuízos que geram aos organismos envolvidos.

As relações harmônicas ou positivas são aquelas em que há o benefício mútuo ou para um dos organismos, sem prejuízo para o outro. Por outro lado, nas relações desarmônicas ou negativas há um prejuízo para algum dos lados, em detrimento do benefício do outro.

As relações harmônicas e desarmônicas ainda são subdividas em intraespecíficas (entre organismos da mesma espécie) e interespecíficas (entre organismos de espécies distintas). Confira na tabela abaixo como está categorizado o amensalismo e os outros tipos de relações: 

Classificação da relação ecológica

Tipo

Relações harmônicas

Intraespecíficas

Colônia

Sociedade

Interespecíficas

Comensalismo

Inquilinismo

Mutualismo

Protocooperação

Relações desarmônicas

Intraespecíficas

Canibalismo

Competição

Interespecíficas

Amensalismo

Competição

Parasitismo

Predatismo


Algumas relações ecológicas assemelham-se com o amensalismo. Saiba como diferenciá-las: 

Alelopatia - esse fenômeno não é considerado um tipo de relação ecológica, mas caracteriza-se pela competição entre espécies, na qual somente uma delas é beneficiada. São contempladas apenas as plantas, as algas, as bactérias e os fungos.

No caso das plantas, as substâncias alelopáticas podem afetar outras espécies através do comprometimento na absorção de nutrientes, na permeabilidade da membrana plasmática, no crescimento, na fotossíntese, na atividade enzimática, entre outras atividades importantes. 

Comensalismo - um clássico exemplo são as rêmoras, que se transportam na região dorsal dos tubarões e alimentam-se dos restos alimentares deixados por esse predador. Nessa situação, a primeira espécie é beneficiada mas não causa nenhum prejuízo a outra. 

Essa interação não acontece no amensalismo, onde uma das espécies é prejudicada, enquanto a outra não obtém nenhuma vantagem ou prejuízo.

Parasitismo - nesse tipo de relação, uma espécie vive à custa da outra, causando prejuízos. Entre os vários exemplos, podemos mencionar os carrapatos que se alimentam do sangue de cachorros e vermes que transitam no intestino de animais. 

O parasitismo e o amensalismo assemelham-se apenas pelo fato de seres relações desarmônicas. Contudo, no segundo caso a espécie que causa o prejuízo não é beneficiada.

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