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Ancilostomose

Postado por Camila Mendonça em 19/07/2019 e atualizado pela última vez em 17/07/2020

O que é, causas e tratamento


A ancilostomose é uma parasitose intestinal causada pela contaminação com as duas espécies de nematódeos da família Ancylostomidae: Ancylostoma duodenale ou Necator americanos. A primeira espécie de vermes habita países do Mediterrâneo, norte da África, Índia, Irã, Paquistão, China e Japão


Já o Necator americanus encontra-se em todo o continente Americano, sobretudo, nas áreas tropicais, África Central, sudeste asiático, ilhas do Pacífico e partes da Austrália. 


Essas duas espécies são as que conseguem transmitir a doença para os humanos, porém existem outras duas que só provocam infecção intestinal em gatos e cães, que são o Ancylostoma braziliense e Ancylostoma caninum. Apesar de não causar infecção intestinal nos homens, elas podem provocar o larva migrans.


Ciclo de vida em humanos


Nos seres humanos, as vermes causadoras da ancilostomose eliminam diariamente milhares de ovos do parasito através das fezes. Já do lado de fora, se esses ovos encontrarem condições favoráveis, como um local quente e úmido, essas fezes contaminam o solo e dão origem à novas larvas.

Estas larvas, chamadas de rabtoide, amadurecem e após sete dias já conseguem infectar um novo indivíduo, transformando-se em uma filarioide infestante. Depois que penetram na pele, as vermes atingem a circulação sanguínea, onde migram para o coração e, em seguida, pulmões.

Após caírem nas secreções pulmonares e atingirem os brônquios, seguem pela traqueia, passam pela faringe e descem pelo esôfago até chegarem no destino final, que é o intestino delgado.

No intestino, a larva inicia o processo de maturação, momento em que os vermes adultos são diferenciados em machos e fêmeas. Assim, ocorrerá a reprodução e a formação dos ovos, que são eliminados nas fezes. As fêmeas da espécie Ancylostoma duodenale conseguem pôr até 30 mil ovos por dia, enquanto a Necator americanos põe 9 mil ovos por dia.

Morfologia

As espécies causadoras da ancilostomose possuem praticamente a mesma estrutura. São pequenos vermes com medição entre 0,5 e 1,5 cm de diâmetro e o formato da cabeça é semelhante a um gancho. Ambas possuem boca bem definida, com dois pares de dentes pontiagudos (A. duodenale) ou duas placas afiadas (N. americanus), que servem para agarrar as paredes intestinais da pessoa infectada e sugar o sangue.


Imagem microscópica da Ancylostoma duodenale, uma das vermes causadoras da ancilostomose. (Foto: Wikimedia)

Transmissão

A ancilostomose é adquirida principalmente pelo contato direto da verme com a pele do humano, penetrando através dos pés, pernas ou nádegas. O indivíduo também pode ser contaminado pelo parasita por meio da ingestão de alimentos mal higienizados.

Os trabalhadores rurais, pelo manuseio constante do solo, e as crianças, por estarem sempre brincando com a terra, têm mais propensão em adquirir a doença, já que as larvas, encontrando boas condições, permanecem vivas no solo.

Como é uma doença causada por protozoários, a ancilostomose não é transmitida de um indivíduo para o outro apenas pelo contato direto, mas somente se a pessoa entrar em contato com as vermes presentes nas fezes do hospedeiro.

Sintomas da ancilostomose


O sintoma mais comum da ancilostomose é a infecção intestinal, mas como as vermes se agarram nas paredes intestinais para sugar o sangue, um sintoma paralelo a esse é a palidez, por isso o nome de doença do amarelão.

Por conta disso, a pessoa pode desenvolver uma hemorragia, que, se não tratada, avança para uma anemia intensa ou outras complicações, como desnutrição profunda (caquexia), ausência de menstruação (amenorreia), partos com feto morto e, em crianças, atraso no crescimento ou transtorno mental.

Além disso, a doença pode causar:

• Cansaço;
• Perda de peso;
• Lesões pulmonares;
• Irritação e coceira na pele;
• Cólicas e náuseas.

Prevenção e tratamento da ancilostomose 


A melhor maneira de se prevenir contra a ancilostomose é sempre andar calçado sobre possíveis locais de contaminação, bem como evitar o consumo de alimentos mal higienizados.

A doença é diagnosticada através de uma análise feita nos ovos presentes nas fezes da pessoa infectada. Para isso, alguns exames laboratoriais utilizam os seguintes métodos: sedimentação espontânea (HPJ), o MIFC, método de Willis, entre outros.

O tratamento, por sua vez, é o mesmo para a contaminação de ambas as espécies. Se o paciente estiver com anemia é feita uma reposição de ferro com uso de suplementos.
Caso a pessoa já esteja curada da anemia, o tratamento pode ser feito com o uso de dois anti-helmínticos: o albendazol ou o mebendazol, usados por três dias ou até o parasita ser eliminado pelo organismo.

O grande problema é que essas espécies costumam ter um tempo de vida extenso. O Ancylostoma duodenale, por exemplo, pode viver até 1 ano, já o Necator americanus até 5 anos. 

Então, se o paciente vive em área com precariedade de saneamento corre o risco de se contaminar novamente com as vermes, antes mesmo da primeira geração ter morrido.

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