Animal peçonhento
A aranha marrom é um animal invertebrado que pertence à ordem araneae e ao gênero loxosceles. Ela mede entre 3 e 4 centímetros, tem seis olhos e pernas longas. Apesar do pequeno tamanho, o seu veneno pode causar diversos efeitos nas vítimas, que variam de vermelhidão até necrose na região da picada.
A aranha marrom é encontrada em vários continentes, sendo mais frequente nas regiões sul e sudeste do Brasil. No Paraná, por exemplo, há uma média de 4,2 mil acidentes com aranha-marrom anualmente.
Na natureza esse animal vive em cascas de árvores, folhas secas, buracos e sob rochas. Em locais domésticos prefere habitar móveis (preferencialmente quadros e armários), sapatos, garagens e no meio de materiais de construção.
Esse aracnídeo é pouco agressivo e alimenta-se basicamente de insetos. Contudo, acidentes com humanos são bem comuns e acontecem, principalmente, quando são comprimidas ou esmagadas contra o corpo no momento de vestir ou roupa ou colocar um sapato.

Aranha marrom macho. (Foto: Wikipédia)
A ordem araneae
As aranhas compõem o grupo dos animais invertebrados e fazem parte da segunda maior ordem de espécies aracnídeas, atrás somente da ordem Acari que é composta pelos ácaros. Existem aproximadamente 100 famílias de aranhas, das quais 30 são consideradas nocivas para o homem.
O corpo das aranhas é dividido em cefalotórax e abdome, que são ligados por uma pequena secção cilíndrica chamada de pedicelo e favorece a mobilidade desses animais. Além disso, elas possuem oito patas, dois pedipalpos, quelíceras e fiandeiras.
Esses invertebrados possuem diversos tamanhos e cores. A aranha caranguejeira é uma das maiores, a espécie tarântula golias pode medir até 30 centímetros. Já a Patu digua é a menor aranha do mundo e alcança o tamanho máximo de 0,37 milímetros.
Já a aranha marrom, como o nome sugere, possui uma coloração marrom com pouca variação entre as espécies. Seus corpos medem cerca de 1 centímetro de comprimento por meio centímetro de largura, enquanto as patas medem cerca de 3 centímetros.
A picada da aranha marrom
Denomina-se de araneísmo os acidentes com aranhas, os quais são causados principalmente pelas espécies Phoneutria, Latrodectus e Loxosceles. O loxoscelismo é nome da ocorrência provocado pela aranha marrom.
Uma vez picado pela aranha marrom, o indivíduo pode não sentir dor. Somente após 12 a 14h do acidente aparecem as primeiras manifestações clínicas, que podem surgir de forma cutânea ou cutâneo-visceral.
A lesão cutânea corresponde a 87% a 98% dos casos de acidentes com esse animal peçonhento. Os principais sintomas são dor, inchaço e vermelhidão na área que foi picada. Depois de 24 a 72 horas, os sintomas acentuam-se e podem surgir:
• Lesão incaracterística: bolha de conteúdo seroso, calor e rubor, dor e queimação;
• Lesão sugestiva: enduração, bolha de conteúdo seroso, equimose (dor e queimação);
• Lesão característica: dor e queimação, necrose e lesões hemorrágicas focais com áreas pálidas de isquemia.
A vítima também pode desenvolver alterações como: astenia (redução da força muscular), febre nas primeiras 24 horas, cefaleia, mialgia (dor muscular), vômito, mal estar, visão turva, diarreia, irritabilidade, entre outras.
A forma mais grave do loxoscelismo, caracterizado pela forma cutâneo-visceral, corresponde de 1% a 13% dos casos e a maioria das vítimas apresentam: hemoglobinúria (sangue na urina), anemia e icterícia (coloração amarela na pele).
Também é possível a evolução de insuficiência renal aguda, sendo esta a principal causa de mortes por acidentes com aranhas marrons.
Tratamento
Após a picada não convém furar, cortar, queimar, espremer ou fazer a sucção na região. O indicado é lavar a região com água e sabão e depois dirigir-se a um centro de saúde mais próximo.
No local, a vítima receberá o tratamento especifico, que pode ser com soro antiloxoscélico (SALOx) ou soro antiaracnídico (SAAr). Como suporte para as manifestações locais, o indicado é o uso de analgésicos (dipirona), compressas frias, antisséptico local e limpeza da ferida.
Prevenção
A prevenção de acidentes com aranhas marrons pode ser evitado por meio da adoção de algumas atitudes simples:
• Limpar com frequência móveis como baús, cômodas e quadros;
• Sacudir e verificar bem as roupas antes de vesti-las;
• Utilizar adequadamente os equipamentos de proteção individual (EPI) quando entrar em locais como cavernas e depósitos;
• Evitar o acúmulo de lixo e entulhos perto das residências;
• Evitar deixar camas encostadas na parede e roupas no chão;
• Caso encontre uma aranha marrom, não matá-la ou pisá-la;
• Em regiões com infestação de aranhas, o indicado é utilizar um mosquiteiro preso por baixo do colchão.
Espécies de aranhas marrons
Existem várias espécies de aranha marrom, as que mais destacam-se são:
Loxosceles similis – primeira aranha marrom encontrada no Brasil;
Loxosceles amazônica – encontrada principalmente na Região Norte e no Nordeste do país;
Loxosceles rufescens – também conhecida como aranha violino ou aranha reclusa mediterrânica, ela chama atenção pela carapaça de cor amarelada e levemente vermelha;
Loxosceles laeta – considerada a mais perigosa do gênero Loxosceles, pois a sua mordida frequentemente gera reações sistêmicas bastante graves.