Espécie está extinta na natureza, sendo encontrada em cativeiros
A ararinha azul é uma ave que, como o nome indica, possui plumagem completamente da cor azul. Ela é da família dos psitacídeos, como a arara azul, periquito, papagaio e outros.
Seu nome científico é Cyanopsitta spixii, que vem da mistura do grego: kuanos "azul-piscina; ciano", com o latim: psitta, "papagaio"; e spixii, em homenagem a Johann Baptist von Spix.
A ararinha azul habitava regiões de matas de galeria no extremo norte do estado da Bahia, como nas cidades de Juazeiro e Curaçá. Atualmente é considerada uma espécie de animais em extinção na natureza, sendo encontrada somente em cativeiros pelo mundo.
A última espécime de ararinha azul na natureza desapareceu entre os anos de 2000 e 2001. Porém, em junho de 2016 foi registrado um indivíduo em matas ciliares de Curaçá. Acredita-se que ela tenha sido libertado do cativeiro por algum morador local.
Primeiro registro
A primeira descrição da ararinha azul foi feita pelo naturalista alemão Johann Baptist von Spix, em 1824, na cidade de Juazeiro, na Bahia. Na ocasião von Spix deu o nome a espécie de Arara hyacinthinus.
No entanto, este epiteto, designação dada para a palavra latinizada que se refere ao nome do gênero na nomenclatura binominal de uma espécie, já estava sendo utilizado para o Psittacus hyacinthinus, descrito em 1790 pelo naturalista britânico John Latham.
O assistente de Johann Baptist von Spix, Johann Georg Wagler, substituiu, em 1832, o nome científico da espécie para Sittace spixii. Já em 1854, o zoólogo francês Charles Lucien Bonaparte descreveu um novo gênero para a espécie, denominado Cyanopsitta.
Assim, a espécie ficou conhecida como Cyanopsitta spixii.

Espécie é extinta na natureza, existindo apenas em cativeiros (Wikipedia)
Características da ararinha azul
A ararinha azul pode medir entre 55 e 60 centímetros, pesando até 410 gramas e com uma envergadura de 1,20 metros.
Sua plumagem possui diversos tons de azul, com um tom pálido a esverdeado na região do ventre e tons mais vivos no dorso, asas e cauda. Além disso, possui extremidades pretas nas asas e caudas, com bochechas, ouvido e fronte azul-acinzentados. Seu loro, região entre os olhos e as narinas, e o anel perioftálmico não possuem penas e sua pele é de coloração cinza-escura.
Quando adultos, a cauda fica proporcionalmente mais longa e as asas mais longas e estreitas, comparado com as outras espécies de arara. Já a arara azul jovem, apresenta a cauda menor e faixa mais clara e nua na face, e uma faixa branca na frente do bico.
O que diferencia uma ararinha azul fêmea de um macho é apenas o tamanho, não tendo diferença na coloração das penas.
Hábitos
As informações disponíveis sobre os hábitos naturais de uma ararinha azul são limitados, pois seus estudos iniciaram na década de 1980, quando existiam apenas três indivíduos da espécie na natureza.
Contudo, mesmo com as limitações, os dados obtidos foram suficientes para realizar uma dedução das informações sobre as necessidades biológicas e sobre seu habitat natural.
A alimentação da ararinha azul que morava na natureza consistia em flores, frutos, polpa, seiva e sementes. Ao todo, foram identificados 13 espécies de plantas que faziam parte da sua dieta, entre elas as sementes de pinhão-bravo e faveleira, com 81% da sua dieta, além das vagens da caraibeira, e da baraúna, e os frutos do pau-de-colher, do joazeiro e de facheiros.
Sua reprodução acontecia entre os meses de outubro e março, considerados épocas de chuva. Seus ninhos eram colocados em espaços ocos naturais ou construídos por pica-paus, em árvores da espécie Tabebuia aurea.
De acordo com relatos da observação do último indivíduo da espécie, eles pernoitavam em facheiros para proteção do ninho. Já segundo observações de espécimes criados em cativeiro, seu tempo de vida pode chegar a 27 anos.
Conservação
A ararinha azul é considerada uma espécie "em perigo crítico" (possivelmente extinta na natureza) pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais. Já o Ministério do Meio Ambiente a considera como extinta na natureza desde 2002.
A extinção da espécie na natureza está diretamente relacionada a perda do seu habitat natural, com o desmatamento, a competição com abelhas africanizadas por ninhos e a caça e tráfico ilegal de filhotes. Com isso, existem somente 167 indivíduos no mundo, todos criados em cativeiro, de acordo com informações coletadas em junho de 2019.
Seu número oficial de espécimes em cativeiro chegou a 73, distribuídos em cinco instituições pelo mundo, em 2010. Em 2017 a situação da população de ararinha azul foi considerada estável, graças a ovos que foram fertilizados artificialmente.
Com isso, 20 filhotes foram produzidos em 2015, 23 em 2016 e 26 em 2017. Das 167 espécimes registradas no mundo, de acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), 147 estão na Alemanha, 2 na Bélgica, 4 em Singapura e 14 no Brasil.
Segundo reportagem do portal G1, cerca de 50 ararinhas azuis podem vir para o Brasil até 2021, quando um projeto de recolocá-las na natureza será iniciado. Espera-se que em 2021 já se tenha arara azul voando pela caatinga baiana.