Animal da América do Sul que vivem em água e terra
A ariranha é um animal mamífero e carnívoro encontrado nas bacias dos rios amazônicos e em pantanais. Também chamado de onça-d'água, lontra gigante e lobo do rio, ela integra a família dos mustelídeos. O animal é semiaquático, ou seja, vive na água e na terra.
Atualmente, a ariranha não está entre os animais em extinção no Brasil, mas vários fatores ameaçam a existência desses animais. Além do desmatamento, a poluição de rios por agrotóxicos e resíduos, principalmente o mercúrio, ameaçam as ariranhas.
A ariranha está no topo da cadeira alimentar da sua espécie e se alimenta principalmente de peixes, principalmente os caracídeos. Mas além desses, pode se alimentar de pássaros, ovos, pequenos jacarés e até cobras.
A espécie pode chegar a quase dois metros de comprimento, passar dos 45 quilos e viver até os 20 anos. As fêmeas podem reproduzir de um a cinco filhotes por gestação. Os animais não são violentos, mas atacam caso se sintam ameaçados. Pode ser encontrada em países como Brasil, Bolívia, Guiana Francesa, Guiana, Suriname, Venezuela, Colômbia, Equador, Argentina, Peru, Uruguai e outros.
O nome é derivado do tupi-guarani ari'raña, que significa "onça d'água". O nome Ptenura vem da junção das palavras gregas pteron e ura, que significam "pena" ou "asa e cauda", fazendo referência a cauda da ariranha, que lembra uma asa.

A ariranha é um animal semiaquático. (Foto: Wikimedia)
Características da ariranha
A ariranha faz parte da subfamília Lutrinae, a família das lontras. Elas podem alcançar os dois metros de cumprimento, sendo que só a cauda pode chegar aos 64 centímetros.
Apesar disso, o tamanho médio dos animais é entre 1,5 e 1,8 nos machos e 1,5 e 1,7 nas fêmeas. Os machos têm, geralmente, entre 32 e 45,3 kg, enquanto as fêmeas pesam, em média, de 22 a 26 kg.
Os animais têm facilidade de se locomover na água, e isso acontece devido as membranas interdigitais que unem os dedos das patas. Além disso, a cauda achatada auxilia nessa locomoção. Outra característica física da ariranha é a orelha arredondada.
O animal tem ainda olhos grandes e patas curtas e grossas. A pelagem é espessa e aveludada, o que levou o animal a quase entrar em extinção por conta da caça para retirada de pele. Elas podem viver por cerca de 20 anos.
A gestação da ariranha dura de 65 a 72 dias, e gera de um a cinco filhotes por vez. Eles ficam no ninho até os três meses, quando saem para aprender a caçar com os outros integrantes do grupo. Os grupos de ariranhas podem ser formados por até 16 integrantes.
Somente a fêmea principal do grupo é quem dá à luz, mas todo o grupo ajuda os filhotes a aprenderem a caçar. Aos dois ou três anos de vida, os filhos partem em busca de um par e formam novos grupos.
As ariranhas são animais diurnos, ou seja, a noite elas se recolhem para as suas tocas. Essas tocas são construídas em barrancos de rios. Além de servir como casa, é ali onde nascem os filhotes.
Os animais fazem uma espécie de latrina para depositar suas fezes e urinas. Essa característica está ligada a marcação de território. Elas são ainda animais monogâmicos, ou seja, formam apenas um casal por vez.
Temperamento
A ariranha não é um animal violento. É vista frequentemente próxima a embarcações nos rios onde vivem. Porém nenhum incidente foi relatado nesse tipos de contatos.
Entretanto, em 1977 houve uma morte registrada após o ataque de ariranhas no Brasil. O fato aconteceu quando uma criança caiu em um recinto onde ficavam os animais no Jardim Zoológico de Brasília. Um sargento entrou no local para resgatar a criança, quando os animais se sentiram ameaçados e acabaram atacando o homem. Ele conseguiu sair, mas recebeu diversas mordidas.
A vítima acabou adquirindo diversas infecções por conta das mordidas e foi a óbito. Mas esse foi, até hoje, o único relato dessa natureza envolvendo as ariranhas.

A pata da ariranha ajuda na locomoção na água. (Foto: Wikipédia)
Lista de espécies ameaçadas da IUCN
Atualmente, a ariranha está classificada como "em perigo" na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional Para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN). Essa classificação diz que a espécie apresenta um alto risco de extinção no seu habitat natural. Acima dessa categoria, existem apenas mais três outras.
Na América do Sul, a espécie já habitou quase todos os rios tropicais e subtropicais, mas hoje é vista em cerca de 80% desse espaço.
O animal já foi muito caçado por conta da sua pele. Estima-se que cerca de 28 milhões de ariranhas tenham sido mortas antes do Brasil assinar, em 1975, uma convenção internacional para o fim do comércio dessa pele.
Os animais já voltam a habitar, inclusive, algumas regiões onde já não aparecia desde 1940. Países como Guiana, Guiana Francesa, Suriname e Bolívia, onde a ariranha já havia sido extinta, voltaram a relatar a aparição dessas espécies.