Microrganismos que vivem na Terra há milhares de anos
As arqueobactérias são um grupo de seres vivos muito parecidos com as bactérias, porém, se diferenciam destas últimas pela sua genética. O nome vem do termo grego "archea", que quer dizer antigo", fazendo referência ao tempo que esses seres habitam a Terra.
Acredita-se que as arqueobactérias existam no planeta há cerca de 3,5 milhões de anos, com base em cálculos de possíveis fósseis encontrados. Alguns tipos desses seres vivos podem ser encontrados em ambientes com condições extremas, ou seja, são extremófilos, prejudiciais para a maioria dos seres vivos.
Alguns desses ambientes extremos são as fontes hidrotermais, pântanos e locais com excesso de gás sulfídrico. Outros, porém, são considerados mesófilos, ou seja, habitam locais com temperaturas moderadas, nem muito quente e nem tão frio.
Arqueobactérias e eubactérias
Os microrganismos foram observados inicialmente por Antonie van Leeuwenhoek, em 1673. Isso foi possível através de um microscópio criado pelo próprio cientista. Suas descobertas foram publicadas três anos depois. Ele chamou esses seres vivos de animalículos.
Os seres só passaram a ser chamados pelo termo "bacterium" a partir de 1828, e o responsável foi o microbiologista Christian Gottfried Ehrenberg. Mesmo com as descobertas, as bactérias só despertaram o interesse no final do século XIX.
No ano de 1776, na Itália, tiveram inícios os estudos de um processo conhecido como metanogênese, quando se percebeu o fenômeno de borbulhar o "ar combustível" no Lago Maior, na Itália. Em 1882, descobriu-se microrganismos que viviam nas áreas onde esse tipo de processo acontecia.
Em 1936, os as pesquisas sobre esse tema foram se aperfeiçoando e, com a ajuda de H. A. Barker, que ajudou nesse processo de melhoria dos meios de pesquisa, foram descobertas duas espécies de microrganismos: Methanococcus e Methanosarcina.
Já os primeiros exemplares dos microrganismos extremófilos foram encontrados em 1970, por Thomas D. Brock, na Universidade de Wiscosin, nos Estados Unidos. No ano de 1970, ele descobriu o ser que foi chamado de thermoplasma, e em 1972 ele descobriu a sulfolobus.
Os organismos descobertos por Brock viviam em condições extremas. O thermoplasma é termoacidófila, ou seja, sobrevive em locais com muita acidez, além de temperaturas altas. Já o sulfolobus é considerado hipertermófila, ou seja, habita locais com temperaturas extremamente altas.
Mas o grande marco que dividiu as arqueobactérias das bactérias foram os estudos de Carl Woese, desenvolvidos em 1977. Ele foi o responsável por notar que esses organismos descobertos tinham as genéticas muito diferentes dos outros tipos de bactérias, mesmo que semelhantes em suas formas estruturais.
Foi então proposto que se criasse uma nova categoria para esses microrganismos, recebendo o nome de Archaebacteria. O nome vem do grego "archea", que quer dizer antigo. Os outros micro-organismo ficaram conhecidos como eubacterias, derivado do "eu", termo grego para "verdadeiro".
No ano seguinte, o Manual de Bergey, principal fonte para identificar as bactérias, colocou as espécies em um novo filo, o qual chamou de mendosicutes. Em uma nova divisão, foi criado o reino Monera, onde foram agrupados três domínios, sendo eles o Archaea, novo nome para as arqueobactérias, a Bactéria e a Eukaryota.
