Infecção subcutânea causada pelo contato com vermes de cães e gatos
Bicho geográfico ou larva migrans cutânea (nomenclatura oficial) é o nome que se dá para a infecção subcutânea causada pelo contato direto da pele com as bactérias Ancylostoma braziliense e Ancylostoma caninum, que se desenvolvem no intestino de cães e gatos, principais hospedeiros da doença.
Os ovos desses vermes são liberados através das fezes dos animais contaminados. Mesmo depois de eliminados, conseguem se desenvolver no local e formar larvas, sobretudo em solo quente.
É por isso que alguns especialistas classificam o bicho geográfico como uma doença de verão, visto que o calor gera um ambiente propício para a proliferação das larvas. Os locais que mais oferecem risco de contaminação são praias ou tanques de areia presentes em parques e jardins.
Desenvolvimento do bicho geográfico
O primeiro ciclo de vida da larva migrans cutânea acontece dentro do intestino de cães e gatos. Eles são contaminados através do contato da bactéria com a pele, ou por via oral quando ingerem água ou alimentos contaminados.
Após o contato, os parasitas vão para o organismo desses animais, onde permanecem até serem eliminados novamente pelas fezes. Já o segundo ciclo de vida desses parasitas acontece quando eles entram em contato com a pele desprotegida do ser humano. Apesar de acometer com frequência a pele, caso a bactéria seja ingerida, ela pode alcançar outros órgãos do corpo humano.

Pele contaminada com o bicho geográfico. (Foto: Wikipédia)
Transmissão
O bicho geográfico é transmitido de um animal para o outro, do animal para uma pessoa, mas nunca de pessoa para pessoa. Nos animais ocorre por via oral, cutânea ou pela placenta.
Nos humanos a transmissão é feita por meio do contato direto com alguma superfície contaminada pelas fezes de cães e gatos. A doença é mais comum em crianças devido ao hábito que elas têm de brincar descalças em areias de praia, parques e jardins, mas os adultos também podem ser infectados.
Sintomas
Os primeiros sintomas do bicho geográfico começam aparecer cerca de uma semana após a contaminação. Quando os vermes estão dentro do corpo da pessoa, eles andam sob a pele formando caminhos tortuosos e avermelhados, provocando bastante coceira, principalmente à noite quando estão mais ativos.
Os traços formados na pele pelas larvas podem aumentar entre dois e cinco centímetros ao longo do dia. Eles lembram um mapa geográfico, por isso a doença foi denominada com esse termo.
Os locais onde o bicho geográfico mais se desenvolvem são pés e nádegas, mas pode ocorrer de atingir outras partes do corpo, como braços, antebraços, pernas e mãos. Há casos de pacientes que desenvolvem mais de um ponto de vermelhidão sobre a pele.
Além dos traços, a doença pode apresentar sintomas como:
• Inchaço;
• Coceira intensa;
• Sensação de movimento debaixo da pele;
• Formação de pápulas eritematosas.
Em algumas situações, a larva pode sumir do corpo e somente apresentar os sintomas com semanas ou meses depois. Já em casos mais raros, a doença pode causar complicações graves, uma vez que as larvas liberam toxinas no corpo. Em situações assim, o paciente pode desenvolver quadros de alergia, tosse intensa ou falta de ar.
Diagnóstico e tratamento
A doença pode ser diagnosticada por um clínico geral, dermatologista ou infectologista. O diagnóstico será feito com base na descrição dos sintomas relatados pelo paciente e na aparência dos traços sobre a pele. Além disso, os especialistas podem levantar informações levando em consideração os surtos da doença no local frequentado pelo paciente.
Por outro lado, o bicho geográfico pode ser confundido com uma outra doença causada por um tipo de larva semelhante, a chamada larva migrans visceral, que também tem como hospedeiros os cães e gatos.
Nesse caso, a doença denominada granulomatose larval atinge a corrente sanguínea do ser humano, por isso, alguns médicos podem pedir exames mais específicos para o diagnóstico correto.
O tratamento do bicho geográfico é simples e poderá ser feito com o uso de medicamentos anti-helmínticos e antiparasitários sob a forma de pomadas ou comprimidos, como o tiabendazol ou albendazol, que ajudam a eliminar as coceiras.
Nos casos mais graves, onde a doença avança para um quadro mais infeccioso, os médicos podem prescrever antibióticos ou anti-inflamatórios. Seguindo as orientações corretamente, os sintomas da doença já melhoram após dois ou três dias.
Como se prevenir?
Para evitar o contato com o parasita causador da doença, existem algumas formas de prevenção que podem ser seguidas. São elas:
• Ao tomar sol, proteja o local em que irá sentar ou se deitar com uma toalha ou esteira;
• Evite andar descalço sobre locais onde a bactéria consegue se proliferar com mais facilidade, como praias, jardins, etc.;
• Lave sempre os pés depois que andar descalço;
• Aplique vermífugos nos cães e gatos;
• Recolha as fezes do seu animal de estimação sempre que ele defecar em locais públicos.