Como nascem os seres vivos
Biogênese é uma palavra de origem grega que significa origem da vida. Essa teoria surgiu no final do século XVII em oposição ao conceito da abiogênese, que pregava o oposto.
Se nos dias de hoje, algum cientista apresentasse uma hipótese sobre a origem da vida na qual ele expressasse que “os seres vivos são criados de forma espontânea”, as pessoas acreditariam? Provavelmente não. Mas os teóricos da abiogênese acreditavam que a vida surgia a partir da matéria bruta, ou seja, uma pedra associada a um princípio ativo tinha potencial criador.
Vamos supor que ao chegar cansado do trabalho, você escolha jantar na cama ao invés de usar a mesa. Pode ser que alguns farelos da comida caiam no lençol sem que você perceba. De repente, na madrugada, você sente algo subindo pelo seu corpo, e ao ligar a luz, se surpreende com uma barata! Como ela surgiu?
Hoje, as pessoas já sabem que as sujeiras atraem os insetos. Mas, antigamente, as pessoas acreditavam que a sujeira "fabricava" a barata. Isso porque pela teoria da abiogênese, seres inanimados, como um farelo, uma roupa, um lago, o limo, produzia seres vivos. Anos se passaram até que através de experimentos científicos, a biogênese surgiu com uma proposição: a de que somente seres vivos dão origem a outros seres vivos.
A origem da vida
Desde os primórdios, vários pesquisadores têm se debruçado sobre o tema que é sempre tão polêmico. As teorias são inúmeras. Existem as que consideram a evolução, na qual as populações vão progredindo, adquirindo novas características e se adaptando ao meio.
Existe a Teoria do Big Bang, na qual o átomo primordial explodiu e causou um cataclismo cósmico dando origem ao Universo. Essa é a mais aceita atualmente pela ciência.
Há também a teoria criacionista. No criacionismo existe um Deus, um ser superior que criou todos os seres vivos a partir da sua soberania e querer. Na teoria divina não é evolução. Homens, mulheres, animais e todos os seres vivos, são desse jeito desde a criação.
Com exceção do criacionismo, todas as outras hipóteses surgiram em um contexto mais favorável para a ciência. A análise não era feita como hoje, com o auxílio de microscópios.
Naquele período os microrganismos não tinham sido descobertos. Os seres vivos ainda não eram definidos pelas suas características como a organização celular, composição química ou número de células.
Por isso que a abiogênese era tão aceitável. Mas à medida que a tecnologia e a ciência evoluindo, ficava cada vez mais difícil sustentá-la.
A biogênese
Já foi comentado que na Antiguidade, a teoria da abiogênese aceita principalmente porque até então, não havia nada cientificamente comprovado que pudesse refutá-la.
Até que em 1668, Francesco Redi, um biólogo italiano se propôs a entendê-la. Já se sabia que as larvas surgiam de carnes em estado de putrefação. Mas como isso era possível? Era um processo espontâneo?
O que o cientista fez foi:
Encher alguns vasos com carne em putrefação e tapou com gaze somente alguns. Redi observou que as larvas só estavam presentes nos vasos abertos. E algumas moscas estavam sobrevoando a carne. O italiano concluiu que a vida só surgia na presença de outro ser vivo porque, para ele, as moscas tinham originado a larva. Ele não sabia que havia bactérias no ar e na carne.
Aqueles que defendiam a abiogênese refutaram a hipótese dizendo que ao tapar alguns vasos, ele impediu o princípio ativo de agir.

Nos dias de hoje, sabe-se que as larvas que surgiram no experimento de Redi são de moscas que fecundaram nos ovos colocados na carne. (Foto: Wikimedia)
Uma nova experiência
Com o surgimento do microscópio, tornando visível os microrganismos, outro cientista se manifestou a favor da biogênese. As experiências de Louis Pasteur comprovavam a teoria da biogênese. O que o cientista francês fez foi: colocar dentro de balões de vidro um caldo nutritivo. Em seguida, Pasteur aqueceu a parte do gargalo para esticá-lo, deixando-o no formato de um pescoço de cisne.
Ele aqueceu o caldo até o ponto de fervura e depois deixou a mistura descansando. Dessa vez, Louis não tinha fechado nenhum dos receptáculos porque ele não queria que os defensores da abiogênese citassem o princípio ativo.
Diferente dos outros potes, o usado por Pasteur tinha um formato alongado e as bactérias do ar até caiam sobre ele, mas dificilmente conseguiam chegar até o caldo. Por isso nenhum ser vivo surgiu no interior do balão. Somente por isso a ideia da abiogênese poderia ser refutada.
Mas o francês foi além e quebrou o balão de vidro, foi quando começaram a surgir as larvas. Então ele percebeu que as bactérias que estavam no caldo entraram em contato com as bactérias presentes no ar e se proliferaram. O ser vivo se origina de outro ser vivo pré-existente. Foi assim que surgiu a biogênese.