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Botulismo

Postado por Thiago Conceição em 02/09/2019 e atualizado pela última vez em 20/07/2020

Pode ser adquirido de diversas formas


O botulismo é uma doença neuroparalítica grave. Não contagiosa, é causada por uma toxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum. Essa é uma das mais raras doenças causadas por bactérias.

A Clostridium botulinum entra no organismo humano por meio de machucados ou pela ingestão de alimentos contaminados. Ela pode causar a morte por paralisia muscular respiratória ou infecções pulmonares. Caracterizada por instalação súbita e progressiva, os sinais e sintomas iniciais da doença são gastrointestinais e neurológicos.

As formas do botulismo são:

• Alimentar;
• Por ferimentos;
• Intestinal.

Formas do botulismo


O botulismo transmitido por alimento começa de forma abrupta, em geral 18 a 36 horas após a ingestão das toxinas das bactérias. Náuseas, vômitos, cólicas abdominais e diarreia são os principais sintomas neurológicos. O período de incubação varia de 2 horas a 10 dias.

Já no caso da transmissão da doença por ferimento, os sintomas neurológicos são parecidos com os que são encontrados na transmissão por alimento, mas não existe sintoma gastrointestinal ou evidência que coloque o alimento como causa. O período de incubação é de 4 a 21 dias.

No caso do botulismo intestinal, presente principalmente nas crianças, os sintomas começam por constipação e irritabilidade, seguidos pela dificuldade de controle dos movimentos da cabeça, sucção fraca, paralisias no corpo. Nos adultos existe a suspeita da doença intestinal quando não há indicativos por contaminação alimentar ou ferimentos. 

Não se sabe o período de incubação desse tipo de doença.

Causas da doença


Os alimentos enlatados em casa, principalmente os de baixa acidez, são as fontes mais comuns de toxina ingerida. Entretanto, quando processados ou armazenados de forma inadequada, alimentos vegetais, peixes, frutas e condimentos também podem conter a bactéria.

Outra causa é a absorção bacteriana pelos olhos ou lesão na pele. Nesse caso, os esporos de C. botulinum, comuns no meio ambiente, podem entrar no corpo por agulhas não esterilizadas ou alguma ferida.
 
E por mencionar esporo, é uma camada que protege a bactéria e é responsável pela resistência ao ataque dos agentes físicos e químicos da esterilização e desinfecção. Em outras palavras, é a estrutura que deixa uma bactéria mais resistente. A maioria do botulismo infantil é causada pela ingestão de esporos.

Para resumir, se a toxina botulínica entrar na corrente sanguínea, o resultado é a doença, independentemente da maneira como foi adquirida.


Para evitar contrair o botulismo, os alimentos enlatados precisam ser bem conservados. (Foto: Pixabay) 


Prevenção


A prevenção da doença está nos cuidados com o consumo, distribuição e comercialização de alimentos. Atrelado com isso, é importante manter hábitos de higiene como a limpeza das mãos.
 
Outras formas de prevenção são:

• É necessário evitar a ingestão de alimentos em conserva que estiverem em latas estufadas, vidros embaçados, embalagens danificadas;
• Antes de serem consumidos, os produtos industrializados e conservas caseiras que não oferecem segurança devem ser fervidos ou cozidos por pelo menos 15 minutos;
• Alimentos não devem ser conservados com uma temperatura acima de 15 graus;
• O preparo de conservas caseiras deve obedecer todos os cuidados de higiene;
• É preciso certificar que as corretas medidas de armazenamento e conserva foram adotadas por um estabelecimento ou vendedor de alimentos;
• Lembrar de lavar sempre as mãos, principalmente quando for manusear alimentos.

Diagnóstico e tratamento


Por causa dos sintomas, o botulismo pode ser confundido com condições como a poliomielite, acidente vascular encefálico, paralisia por doença do carrapato. Por isso, para diagnosticar uma pessoa com tal doença, o médico observa algumas questões estratégicas.
 
Na transmissão por alimentos, o padrão de distúrbios neuromusculares e a ingestão de uma mesma fonte de comida são elementos que ajudam no diagnóstico. Nesse sentido, é importante ter pelo menos dois pacientes que ingeriram o mesmo alimento.
 
Além disso, no sangue ou nas fezes, a presença da toxina do C. botulinum é confirmada por meio de exames. A identificação da fonte é feita por análises que mostram a mencionada bactéria no alimento suspeito. No caso do botulismo por ferimento, existem exames que identificam a bactéria da doença nas lesões.

Com relação ao tratamento, os pacientes devem ser hospitalizados e os sinais vitais rigorosamente monitorados. Isso acontece pelo fato da paralisia progressiva impedir que  mostrem sinais de incômodo respiratório.

O comprometimento do sistema respiratório torna necessário o acompanhamento em uma unidade de terapia intensiva (UTI), onde existem estruturas para a possibilidade de intubação e ventilação mecânica.

Os casos por ferimento ainda necessitam de ações de saúde como o desbridamento da ferida e o uso de antibióticos como a penicilina ou metronidazolO desbridamento de feridas consiste na remoção de detritos celulares e resíduos estranhos da lesão. Isso contribui para minimizar a infecção da ferida e promover a sua cicatrização.

Em suma, o tratamento da doença tem dois conjuntos de ações principais:

Tratamento de suporte: as medidas gerais de suporte e monitorização dos sinais vitais do paciente;
Tratamento específico: atua na tentativa de eliminar a toxina circulante e a sua fonte de produção, o C. botulinum. Isso é feito com o uso do soro antibotulínico (SAB) e de antibióticos.

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