Doença caracterizada pelas fortes dores nas articulações
A Chikungunya é uma doença transmitida pelos mosquitos Aedes aegipty e Aedes albopictus, os mesmos vetores da dengue e febre amarela. Descoberta na Tanzânia, em 1952, a patologia significa “aqueles que se dobram”, devido a curvatura dos enfermos por conta da fortes dores.
No Brasil, o vírus chegou em 2014, com alta ocorrência no Amapá e na Bahia. O mosquito fêmea é quem transmite a doença, pois necessita dos nutrientes do sangue humano para amadurecer os ovos. Assim, o inseto adquire o vírus ao picar a pessoa infectada, durante o período em que o vírus está presente no corpo contaminado.
Características da Chikungunya
As células mais martirizadas após a pessoa ser infectada com o vírus são as epiteliais e endoteliais (responsáveis pelo revestimento), além das fibroblastos (envolvidas na formação de alguns tecidos do corpo humano. A pessoa se torna imune após ter sido infeccionada uma vez pelo vírus Chikungunya.
Pertencente ao gênero Alphavirus e família Togaviridae, a patologia pode evoluir em três fases: aguda, subaguda e crônica.
• Fase aguda: dura até o décimo dia, o paciente apresenta febre maior que 39º e dores nas articulações;
• Fase subaguda: caracterizada pela poliartrite e fadiga;
• Fase crônica: persistência das dores articulares com mais de três meses.
• Fase subaguda: caracterizada pela poliartrite e fadiga;
• Fase crônica: persistência das dores articulares com mais de três meses.

O mosquito fêmea é quem transmite a doença, pois necessita dos nutrientes do sangue humano
para amadurecer os ovos. (Foto: FreeStockPhotos.biz)
para amadurecer os ovos. (Foto: FreeStockPhotos.biz)
Sintomas da Chikungunya
A pessoa infectada demorada de três a sete dias para exibir os sintomas, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Febre acima de 39º, manchas vermelhas, dores musculares, fadiga e náuseas são alguns dos sintomas.
Os sintomas são parecidos com os da dengue, mas as fortes dores nas articulações são as principais características da Chikungunya. Essas dores articulares demoram de desaparecer, podendo durar muito tempo. A doença em geral é autolimitada, mas alguns casos podem evoluir para uma condição crônica com artrite debilitante.
Doenças que acometem o coração, inflamação do cérebro (geralmente causada por uma infecção), inflamação da medula espinhal e síndrome Guillain Barré (doença em que o sistema imunológico atinge os nervos) podem agravar os casos, principalmente entre os pacientes idosos e bebês.
Diagnóstico da Chikungunya
O diagnóstico laboratorial da infecção pelo vírus Chikungunya pode ser realizado de forma direta, através do isolamento viral e da pesquisa do RNA viral em diferentes amostras clínicas, ou de forma indireta através da pesquisa de anticorpos específicos.
A doença também pode ser diagnosticada com testes sorológicos que permitem a detecção de anticorpos específicos do tipo lgM, que podem ser detectados a partir do segundo dia após o aparecimento dos sintomas (sendo que o período mais indicado para essa investigação é a partir do 5º dia) e do tipo IgG, a partir do sexto dia.
Quando a pessoa está infectada, na análise de sangue comum é habitual se deparar com os valores baixos de plaquetas e linfócitos, além de apresentar alterações nas enzimas hepáticas. Uma forma mais rápida de diagnosticar a patologia é através do exame RT-PCR, também conhecido como teste molecular, que pesquisa a presença do material genético do vírus no sangue.
Tratamento da Chikungunya
O tratamento da doença é realizado de acordo com os sintomas apresentados, com o uso de analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios para aliviar as dores e a febre. Em casos de sequelas mais graves, sob avaliação médica conforme cada caso, pode ser recomendada a fisioterapia.
É necessário repouso absoluto e que o paciente consuma de 1,5 a 2 litros de água por dia, para evitar a desidratação. Segundo a OMS, as seguintes medidas são necessárias:
• Não utilizar anti-inflamatório não hormonal, na fase aguda, pelo risco de complicações associadas às formas graves de Chikungunya (hemorragia e insuficiência renal);
• Não é recomendado usar o ácido acetil salicílico (AAS) devido ao risco de hemorragia;
• Não utilizar corticoide na fase aguda, devido ao risco de complicações.
Atenção! A automedicação pode mascarar sintomas, dificultar o diagnóstico e agravar o quadro do paciente.
Assim como a dengue, zika e febre amarela, é fundamental que as pessoas reforcem as medidas de eliminação dos criadouros de mosquitos. Manter as garrafas viradas para baixo, limpar as calhas com frequência, não deixar acumular água na laje das residências, manter as caixas, barris e tonéis tampados. Além de retirar a águas e lavar com frequência (com água e sabão) os recipientes utilizados para guardar água são algumas das prevenções para que não haja a proliferação da Chikungunya.