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Coleta Seletiva

Postado por Thamires Santos em 01/04/2021 e atualizado pela última vez em 08/04/2021

Descarte consciente do lixo


A coleta seletiva consiste na separação e recolhimento de resíduos que apresentam a mesma composição. Nesse sistema, os materiais que podem ser reciclados, como papéis, plásticos, metais e vidros, são retirados do lixo orgânico (restos de frutas, verduras, carnes e outros alimentos) e reaproveitados na fabricação de matérias-primas ou produtos.


Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos 2018/2019, a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o Brasil é o país que mais gera lixo em toda a América Latina (mais de 540 mil toneladas/dia). Apesar dessa grande produção, apenas um em cada cinco municípios conta com coleta seletiva. Isso significa que somente 17% da população tem acesso ao serviço.


Como funciona a coleta seletiva?


A coleta seletiva no país é feita de duas formas: por meio de prestadoras do serviço público de limpeza ou pontos de entrega voluntária (PEVs). No primeiro caso, os resíduos sólidos são colhidos em residências e centros comerciais. Já no segundo, galpões são construídos em lugares estratégicos para o recebimento dos materiais.


As prestadoras, associações ou cooperativas de catadores costumam realizar uma triagem nos resíduos, pois nem todos os inorgânicos são recicláveis e servem para composição de matérias-primas. É o que acontece com os chamados rejeitos, a exemplo de fraldas, absorventes, guardanapos engordurados e papéis higiênicos, que são totalmente descartados.


Essa separação é de extrema importância porque cada material descartado requer um tipo específico de reciclagem. Quanto mais os sólidos estão misturados, mais caro e demorado é o processo, sendo que algumas vezes a reutilização torna-se inviável.


Estima-se que mais de 50% do lixo produzido no Brasil é orgânico. Em virtude da alta capacidade de decomposição e da produção do chorume – líquido escuro, com odor intenso e poluente – a coleta seletiva além de evitar a contaminação dos solos e da água, quando feita corretamente, auxilia na transformação dos restos alimentares em adubos ou fertilizantes.


Para facilitar a coleta e reciclagem, o Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) estabeleceu um código de cores para as diferentes categorias de resíduos. Assim, os recipientes são identificados de acordo com o descarte que pode receber.


  • Azul: papéis e papelões
  • Vermelho: plásticos
  • Verde: vidros
  • Amarelo: metais
  • Marrom: resíduos orgânicos
  • Preto: madeiras
  • Cinza: materiais não recicláveis
  • Branco: lixos hospitalares
  • Laranja: materiais perigosos e inflamáveis
  • Roxo: resíduos radioativos


Descartes especiais

Como não podem ser recarregadas ou reutilizadas, as pilhas, baterias comuns e de celular precisam passar pela coleta seletiva para ganhar um destino apropriado. No momento que são depositadas em aterros sanitários ou lixões a céu aberto, metais como mercúrio, chumbo, cádmio, manganês e níquel infiltram-se no solo e atingem os lençóis freáticos, contaminando a água usada para consumo.


Por esses motivos, o recomendado é que as próprias empresas de telefonia recolham os objetos após utilização e encaminhem para locais que trabalham com reciclagem. As lâmpadas fluorescentes também precisam de descarte especial, pois em seu interior há vapor de mercúrio – gás tóxico que interfere na qualidade do ar.


Outros resíduos que necessitam de atenção redobrada são os hospitalares, um vez que geralmente estão infectados por vírus e bactérias. As retiradas nas unidades de saúde são feitas por caminhões específicos e os materiais são levados para incineração ou aterramento.


Recipientes usados na coleta seletiva ao redor do planeta Terra

Por mais que o propósito da coleta seletiva seja a redução no volume de lixo, os seus efeitos levam 
a uma diminuição na poluição do planeta e desperdício dos recursos naturais. (Imagem: Pixabay)


Qual a importância desse serviço?


A coleta seletiva é a primeira e mais importante iniciativa voltada para redução dos impactos ambientais diante do consumo humano. Como demanda a separação do lixo úmido (restos de comida, butucas de cigarro, caixas de papelão com gordura), seco (jornais, revistas, sacolas plásticas) e orgânico, o encaminhamento para reciclagem ocorre de maneira rápida e eficiente, e o descarte final dos rejeitos é ambientalmente correto.


E esse tipo de serviço, que deveria ser um compromisso de toda população e poder público, ainda traz diversos benefícios. O principal, do ponto de vista ambiental, é o gasto de menos energia elétrica – pois a reciclagem possibilita que os recursos naturais sejam usadas em menor proporção – diminuição na produção e descarte de resíduos e preservação dos ciclos naturais de plantas e animais que vivem nas proximidades de áreas urbanas.


Fora tais questões, a coleta seletiva também gera renda e uma economia sustentável. Muitas indústrias e cooperativas utilizam os materiais vindos do lixo nas suas linhas de produção, abastecendo depois a cadeia de consumo. E em menor escala há o trabalho dos catadores de recicláveis, que além de garantir o sustento familiar, ajudam na diminuição da quantidade de resíduos espalhados em lugares indevidos.


Coleta seletiva x logística reversa


A logística reversa, conforme a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), afirma que é responsabilidade de fabricantes, importadoras, distribuidoras e comerciantes o recebimento dos seus produtos já utilizados, a exemplo de pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes, agrotóxicos e aparelhos eletroeletrônicos, reinserção no ciclo produtivo após reciclagem ou destinação final sem prejuízos ao meio ambiente.


Em 2015, o governo federal assinou um acordo com empresas do setor para aplicação da logística reversa em embalagens. Ou seja, a produção, distribuição e comercialização de embalagens de papel e papelão, plástico, alumínio, aço e vidro podem ser efetuadas por estes segmentos, mas é preciso cumprir metas anuais de reciclagem.


O acordo também prioriza o apoio de cooperativas de catadores de materiais recicláveis, a construção de pontos de entrega voluntária para as embalagens e integração com os serviços públicos de limpeza urbana.

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