Organela que armazena, altera e exporta substâncias das células
Complexo de Golgi é uma estrutura das células eucarióticas que possui um papel muito importante no organismo dos seres vivos. O termo é uma homenagem ao citologista italiano Camillo Golgi que descobriu essa estrutura.
Também conhecida como aparelho de Golgi ou complexo golgiense, é responsável por armazenar, transformar e exportar as substâncias produzidas no Retículo Endoplasmático Liso e Rugoso (REL e RER), estabelecendo dessa forma, uma relação de interdependência.
É importante lembrar que o Retículo Endoplasmático Liso tem a função de produzir hormônios e lipídios por meio de um sistema de túbulos cilíndricos, já o Retículo Endoplasmático Rugoso possui ribossomos em suas membranas e atua na produção de proteínas.
História
O aparelho de Golgi foi descoberto em 1898, por meio de pesquisas do sistema nervoso realizadas pelo citologista Camillo Golgi, que percebeu a existência de organelas celulares que foram chamadas de aparelho reticular interno. Pouco tempo depois, foram rebatizadas como complexo de Golgi.
Após anunciar os resultados de suas pesquisas, muitos especialistas da época questionaram a primeira descrição de Golgi, alegando que a aparência das organelas poderiam ser apenas uma ilusão de ótica criada pela técnica de observação utilizada por ele.
Com o surgimento de microscópios mais modernos, pôde-se comprovar os experimentos de Golgi em 1954. Ele e o especialista Santiago Ramón y Cajal conquistaram o Prêmio Nobel por suas pesquisas relacionadas ao sistema nervoso.
Estrutura do Complexo de Golgi
Localizado entre a membrana plasmática e o retículo endoplasmático, o complexo golgiense é composto por estruturas chamadas de dictiossomos. São dobras que consistem em pequenos sacos achatados e enfileirados uns sobre os outros denominados cisternas. Elas aparecem com uma curvatura que forma uma face côncava, chamada trans, e côncava, conhecida como cis.
A trans tem relação direta com o Retículo Endoplasmático Liso (REL). Este último envia as membranas para a formação das vesículas de secreção, que contém as substâncias armazenadas. A cis relaciona-se com o Retículo Endoplasmático Rugoso (RER), que envia as vesículas de transição ou transferência, que possuem as proteínas.

Na imagem acima, o aparelho de Golgi é o número nº 6, retículo endoplasmático rugoso nº 5 e retículo endoplasmático liso nº 8. (Foto: Wikipedia)
Funções
As principais funções do complexo de Golgi são o armazenamento, transformação e exportação das substâncias das células. Quando eliminadas por essa estrutura, as substâncias vão para outras partes do corpo.
Esse processo ocorre da seguinte forma: na fase chamada cis, as vesículas recebidas pelo RER possuem as proteínas produzidas pelos ribossosmos associados que serão modificadas e dobradas. Outras vão passar pelo processo de glicolização, que consiste na adição de açúcar. Já na fase trans, as proteínas são “enroladas” ou “encapadas” em vesículas membranosas, que formam enzimas, lisossomos primários e peroxissomos.
As três principais funções do aparelho golgiense podem ser resumidas da seguinte forma:
- Contribuir para a síntese de proteoglicanas a partir do acréscimo de grupamentos de sulfato a proteínas;
- Adição de açúcares às proteínas e lipídios que são sintetizados no retículo endoplasmático, ou seja, a glicolização;
- Envio de substâncias do retículo endoplasmático para outras regiões do corpo que podem ser a membrana plasmática, os lisossomos ou as vesículas de secreção.
O complexo de Golgi também possui um papel importante na formação do acrossomo, que é a estrutura localizada na cabeça do espermatozoide a partir da união de diversos lisossomos que formam uma vesícula composta de enzimas digestivas. Estas são responsáveis pela perfuração da membrana do óvulo.
Outro processo ocorre com as enzimas digestivas do pâncreas, produzidas no Retículo Endoplasmático Rugoso (RER). Elas são levadas ao complexo golgiense onde são empacotadas em pequenas bolsas. Em seguida se desprendem dos dictiossomos e se acumulam nos pólos da célula do pâncreas. No momento da digestão, essas bolsas com enzimas passam para a membrana plasmática onde se fundem e são liberadas para auxiliar na degradação das partículas alimentares.
Também nas células vegetais o aparelho de Golgi exerce um papel importante, sendo um dos responsáveis pela formação da primeira membrana que separa as células recém-formadas logo depois do processo de divisão celular.
E se o complexo de Golgi não funcionar?
Caso o aparelho de Golgi não exerça as suas funções adequadamente por alguma deficiência do organismo, poderá resultar consequências significativas aos seres vivos, afinal de contas, comprometerá etapas importantes da relação existente entre ele, retículo endoplasmático, sistema endossomo-lisossomo e membrana plasmática.
Algumas dessas implicações podem ser doenças como a de Wilson, por conta da retenção de proteínas, a distrofia muscular de Duchenne e a síndrome de Aarskog, devido a redução do transporte do Golgi.
Deficiências no processo de glicolisação podem causar o enovelamento inadequado das proteínas, deixando o organismo suscetível a infecções, podendo causar ainda doenças musculares ou multissistêmicas. Defeitos no síntese do acrossomo, que é uma das funções do complexo de Golgi, podem estar relacionados a problemas na reprodução ou insuficiência de lisossomos.
Portanto, qualquer deficiência no funcionamento do complexo de Golgi pode ser extremamente danosa ao organismo, podendo causar, inclusive, doenças hereditárias, até mesmo colapso ou morte celular.