Infeção das vias respiratórias que provoca tosse intensa
A coqueluche é uma infecção do aparelho respiratório (traqueia e brônquios) causada pela bactéria Bordetella pertussis. A doença pode acometer pessoas de qualquer idade, porém é mais comum em crianças, visto que elas possuem as vias respiratórias mais sensíveis, o que facilita a obstrução provocada pelas secreções.
O contágio acontece por meio do contato direto com as secreções (tosse e espirro) eliminadas por um indivíduo infectado. A coqueluche também é chamada de pertússis, em razão do nome da bactéria, ou tosse comprida, visto que as tosses são secas e longas.
Estágios da coqueluche
Quando o paciente é infectado pela bactéria passa pela fase de incubação, que é o momento onde os sintomas podem levar alguns dias para aparecer. Nesse caso, eles aparecem entre o 6° e o 17° dia.
O primeiro estágio da doença é chamado de fase catarral. Nesse primeiro momento os sintomas iniciais são confundidos com os da gripe, logo, o paciente apresenta coriza, tosse seca, febre, mal-estar e fadiga. Ademais, essa etapa é a que apresenta a maior probabilidade de transmissão.
O segundo estágio da doença, também chamado de paroxístico por ser mais intenso, acontece entre a segunda e terceira semana após contágio. Nesse período o paciente começa a apresentar uma tosse mais aguda, com chiado. O esforço para tossir mais a falta de ar deixam o rosto com aspecto azulado (cianose).
Em alguns casos a criança pode vomitar e apresentar dificuldade para comer, beber e respirar. Já terceiro estágio, chamado de fase da convalescença, é o momento em que as tosses intensas dão lugar as tosses mais comuns, isto é, elas vão diminuindo a intensidade até desaparecerem.
Os sintomas duram em média de 6 a 10 semanas até sumirem por completo. Os casos mais graves atingem com mais frequência crianças com menos de dois anos.

A coqueluche é mais comum em crianças menores de dois anos de idade. (Foto: Adobestock)
Maneiras de prevenção
A melhor maneira de prevenir uma doença infectocontagiosa é tomando a vacina, pois ela age diretamente na bactéria causadora. No caso da coqueluche, a vacina previne a pessoa por até dez anos.
O recomendado é que o indivíduo tome a vacina ainda na infância, até os seis anos. Apesar de raro, a doença pode acometer adolescentes e jovens adultos, principalmente se essas pessoas nunca se vacinaram.
Contudo, a infecção por coqueluche pode acontecer em casos de contato íntimo com o paciente infectado ou se houver surtos da doença, mesmo que a pessoa já tenha se vacinado quando criança.
Em 2010, por exemplo, houve um aumento significativo dos casos de coqueluche em adultos e adolescentes no Brasil, de acordo com os dados fornecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Enquanto isso, em toda a América Latina os casos triplicaram em cinco anos.
As vacinas usadas no combate a coqueluche são:
A Vacina tríplice (DTP) é usada não apenas na prevenção contra a coqueluche (pertussis), como também de outras doenças, como o tétano e a difteria. A vacina DPT deve ser ministrada aos seis meses, dois e quatro anos de idade, com doses de reforço após 15 meses e após 5 anos.
Outra vacina que está incluída no calendário oficial de vacinação do Ministério Saúde é a tetravalente (DTP +Hib.). Esse mecanismo garante a proteção contra a coqueluche, o tétano, a difteria, e ainda protege contra a meningite.
Além disso, o Ministério da Saúde orienta que todas as pessoas íntimas do paciente (familiares, amigos, colegas de escola ou de trabalho) devem receber uma dose da vacina DTPa.
Diagnóstico e Tratamento
O diagnóstico da doença é feito através de exames clínicos laboratoriais. A maioria dos exames fazem a colheita das amostras retiradas da nasofaringe, onde a doença costuma atacar.
Ao descobrir a doença, o tratamento, quase sempre, é feito de forma ambulatorial e em casa, mas, com o acompanhamento de um médico especializado. Nessa fase é recomendado ao paciente o isolamento respiratório, a fim de evitar a transmissão para outras pessoas.
Além disso, algumas precações são bem-vindas, como a separação de talheres, toalhas e lençóis para uso exclusivo do paciente. O cuidador também deve manter um higienização adequada, lavando as mãos sempre que houver contato com a pessoa ou secreção.
Na fase catarral, que é o primeiro estágio, os médicos podem indicar o uso da eritromicina para ajudar a acalmar as crises de tosse e encurtar a duração de outros sintomas.
A hospitalização apenas será indicada em casos mais graves, quando o paciente sentir muita dificuldade para respirar e precisa imediatamente receber suporte de oxigênio ou alimentação parenteral, caso não esteja conseguindo ingerir os alimentos.
Também é recomendado repouso, ingestão de muito líquido e uma alimentação saudável, rica em vitaminas e minerais. Quando a coqueluche não é tratada da forma correta pode apresentar complicações graves, como o desenvolvimento de pneumonia, convulsões, lesões cerebrais, e, em casos raros, levar o paciente à morte.