Um dos principais problemas ambientais da atualidade
O desmatamento, também chamado de desflorestação ou desflorestamento, é caracterizado pela remoção total ou parcial de coberturas vegetais (florestas, savanas, matagais, etc.). Atualmente, é considerado um dos maiores problemas ambientais em nível global.
O termo desmatamento é rico em conceitos, confira outras definições:
“Processo de degradação da vegetação nativa de uma região e pode provocar um processo de desertificação” (Governo Federal, 2012).
“O desmatamento é sinônimo de desflorestamento, ou seja, derrubar árvores de um terreno ou uma região, desfazendo a formação florestal da área” (Ferreira, 1995).
“Destruição, corte, abate indiscriminado de matas e florestas, para comercialização de madeira, utilização dos terrenos para agricultura, pecuária, urbanização, qualquer outra atividade econômica ou obra de engenharia” (Milaré, 2009).
As definições são variadas, mas podemos perceber que ficam claras as consequências causadas pelo desmatamento. Uma vez que, quando a biodiversidade é comprometida, consequentemente, a economia e a sociedade da região explorada também é afetada.

A biodiversidade é a principal afetada com o desflorestamento. (Foto: Wikipédia)
Histórico do desmatamento
Apesar de ser um problema atual, as ações de desmatamento antropogênico (realizado pelo homem) acontecem desde a Pré-História. Durante o processo de formação das sociedades, os homens trocaram o estilo de vida nômade pelo sedentário.
Como consequência, passaram a retirar madeiras da natureza para construir moradias e produzir combustível. Além disso, os homens pré-históricos abriram áreas para criação de pastagens e cultivos fazendo uso, principalmente, de queimadas.
Em períodos da Antiguidade, a madeira tornou-se tão escassa que seu valor era equivalente aos dos metais preciosos. Já no período do Brasil Colônia, a política econômica do país era voltada para a exploração do pau-Brasil, o que quase levou a extinção dessa espécie.
A Revolução Industrial intensificou os processos de desflorestamento, isso porque, houve a substituição do modo de produção artesanal/manual pelo maquinário. Consequentemente, a produção cresceu e o mercado consumidor também.
Para dar conta dessa nova forma de produção, o consumo de recursos naturais aumentou desenfreadamente e cresceu a necessidade de extração de dois tipos de produtos:
• Produtos madeireiros: todo material lenhoso utilizado para serraria, estacas, lenha, poste, moirão, etc.
• Produtos não madeireiros: são os matérias não lenhosos como sementes, frutas, resinas, plantas ornamentais, plantas medicinais, reservas extrativistas, etc.
Desmatamento no Brasil
As ações de desmatamento no Brasil foram desencadeadas com a exploração do pau-brasil pelos portugueses, que vendiam a madeira e sua resina (utilizada como tintura de tecidos) na Europa.
Como já dito, a Revolução Industrial intensificou os processos de desflorestamento e no Brasil não foi diferente. Entre as décadas de 1930 e 1940 foram criadas várias empresas, entre elas: Companhia Vale do Rio Doce (mineração), Fábrica Nacional de Motores (mecânica pesada) e Fábrica Nacional de Álcalis (indústria química).
Com a implantação dessas empresas o país teve um grande avanço econômico. Contudo, também surgiram efeitos negativos como crescimento desordenado das cidades, êxodo rural; utilização da mão de obra infantil e problemas ambientais urbanos.
A Mata Atlântica é o bioma brasileiro mais afetado com o desmatamento. A área, que se estende por 17 estados, já perdeu cerca de 93% da sua cobertura vegetal original. Já o bioma da caatinga sofre com a agricultura de “corte e queima”. A zona desmatada equivale aos estados do Maranhão e do Rio de Janeiro juntos.
Os outros Biomas Brasileiros estão gravemente desflorestados. Os Pampas perderam mais de 54% da sua cobertura vegetal. Enquanto o Pantanal está em desequilíbrio ecológico em função do desmatamento, da pecuária, da pesca e caça predatória e do garimpo.
O bioma da Amazônia concentra um terço das florestas tropicais no mundo. A região passou por sucessivas ações de desmatamento: 29,1 mil km² (1995); 1.047 km² (agosto/2012 – julho/2013);27,4 mil km (2004). Contudo, ações governamentais e de ambientalistas fizeram com que o índice de desmatamento reduzisse.
Consequências
A maior consequência do desmatamento é o comprometimento da biodiversidade, mas além desse efeito negativo podemos mencionar:
• Erosão e empobrecimento dos solos
• Assoreamento dos rios
• Escassez de recursos naturais
• Desertificação
• Proliferação de pragas e doenças
• Redução dos índices pluviométricos
• Efeitos climáticos (Efeito Estufa)

O assoreamento dos rios é uma das consequências do desmatamento. (Foto: Wikipédia)
Combate ao desmatamento
Diante dos problemas ambientais, várias nações têm desenvolvido projetos afim de minimizar esses efeitos. Em relação ao desmatamento, no ano de 1992 aconteceu a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a ECO-92, que reuniu líderes mundiais para debater os principais problemas.
A Declaração de Princípios sobre Florestas foi uma das consequências da ECO-92. O documento continha uma série de recomendações para a conservação e o desenvolvimento sustentável de florestas.
Poucos anos depois, em 1995, foi realizado o Painel Intergovernamental sobre as Florestas. Logo após, o Fórum Intergovernamental sobre as Florestas. A Organização das Nações Unidas (ONU), que também tem como função proteger o meio ambiente, declarou o 2011 como o Ano Internacional das Florestas.