Doença do sistema nervoso
A epilepsia é um distúrbio no cérebro caracterizado pela atividade anormal de um conjunto de células do sistema nervoso, os neurônios. Isso pode causar sintomas como convulsões, perda de consciência, espasmos musculares e sensações e emoções desconhecidas.
Esse distúrbio, na verdade, é entendido como uma síndrome, pois um conjunto de sinais e sintomas indicam que, por uma determinada causa, os neurônios estão se comportando de forma hiperexcitável e anormal.
Ainda, segundo a Associação Brasileira de Epilepsia (ABE), a epilepsia é reconhecida pela ocorrência de uma das situações abaixo:
• Pelo menos duas crises não provocadas (ou duas crises reflexas) ocorrendo em um intervalo superior a 24 horas;
• Uma crise não provocada (ou uma crise reflexa) e chance de uma nova crise estimada em pelo menos 60%;
• Diagnóstico de uma síndrome epiléptica.

A epilepsia é causada por desregulação no sistema elétrico do cérebro. (Foto: Pixabay)
Descrição
As crises epiléticas ocorrem quando os neurônios descarregam sinais elétricos de forma desorganizada induzindo o corpo a ter comportamentos anormais. Essas crises podem ser provocadas ou não provocadas.
As crises epilépticas provocadas, também denominadas de crises sintomáticas agudas, acontecem por fatores como acidente vascular cerebral (AVC), infecção, trauma craniano, hemorragia intracerebral, intoxicação ou abstinência de drogas.
No caso das crises epilépticas não provocadas, elas se manifestam na ausência dos fatores clínicos descritos anteriormente e em um pessoa sem histórico compatível de epilepsia.
Causas
A epilepsia pode acontecer por fatores hereditários ou externos. Em alguns casos, os médicos acreditam na probabilidade de existência da doença, porém não conseguem identificar o motivo e, por isso, essa é considerada uma causa criptogênica.
A ocorrência de trauma na cabeça, AVC, danos ao cérebro no nascimento, tumor no cérebro e abuso de drogas são consideradas causas sintomáticas, ou seja, fatores externos que provocam o desenvolvimento das crises epilépticas.
No entanto, a maioria dos casos de epilepsia, cerca de 60%, são idiopáticos. Isto é, as causas são desconhecidas, mas acredita-se que surgem por razões genéticas.
Tipos e sintomas
Há diversos tipos de epilepsia, que são diferenciados de acordo com os sinais, os sintomas específicos e o local afetado do cérebro. Mas de modo geral, as crises epiléticas podem ser classificadas em parciais ou focais e generalizadas ou totais.
Crises parciais – as crises têm início e afetam um hemisfério cerebral. Quando não há perda de consciência, a crise é considerada simples, mas se acontece a perda de consciência, a crise é complexa.
Os principais sintomas desse tipo são:
• Mudanças de humor;
• Alucinações visual, auditiva, tátil ou palato-olfativa;
• Mal estar, palpitação, salivação, suor e rubor na face;
• Movimentos desuniformes;
• Sensação de formigamento na boca e nas mãos.
• Tremores na face e em outras partes corpo;
Crises generalizadas – esse é o tipo mais grave e ocorre uma desorganização nos dois hemisférios cerebrais. Geralmente, essa crise vem acompanhada por situações de alteração consciência e/ou sintomas como:
• Enrijecimento do corpo;
• Grunhidos (emissão de sons animais);
• Movimentação desuniformes;
• Salivação espumosa;
• Olhos e cabeça virados.
Impactos
A epilepsia pode gerar consequências físicas, psicológicas e sociais, além de causar grande impacto na qualidade de vida do epilético. Entre as consequências, as mais preocupantes são a baixa autoestima e a depressão.
Apesar de enfrentarem algumas dificuldades, as pessoas com epilepsia podem ter uma vida normal, trabalhar, frequentar a escola/faculdade, dirigir, praticar alguns tipos de esportes e ter filhos.
Diagnóstico e tratamento
Por determinação da ABE, o diagnóstico da doença é realizado após ocorrência de dois ou mais episódios de convulsão em um intervalo maior que 24 horas. Além disso, alguns exames auxiliam o diagnóstico, a exemplo do eletrocefalograma, tomografia computadorizada e ressonância funcional.
Na maioria dos casos o tratamento da epilepsia é realizado com medicamentos antiepiléticos, que têm efeitos colaterais mínimos e são capazes de controlar as crises. Os mais conhecidos são: carbamazepina, etossuximida, fenitoína, fenobarbital, lamotrigina, lonazepam e valproato.
Como ajudar durante uma crise convulsiva
O que fazer:
• Acomode a pessoa deitada de costas, em lugar confortável e retire de perto objetos com que ela possa se debater ou se machucar;
• Afrouxe as roupas e levante o queixo para facilitar a passagem do ar;
• Caso a pessoa esteja babando, posicione-a de lado para que o excesso de saliva ou vômito escorram para fora da boca;
• Observe a duração da crise convulsiva, se ela durar mais que 5 minutos e não houver sinais de melhora, peça ajuda médica;
• Permaneça ao lado da vítima até que ela recupere a consciência;
O que NUNCA fazer:
• Segurar a pessoa;
• Dar tapas ou jogar água no rosto;
• Colocar a mão dentro da boca;
Mitos e verdades sobre a epilepsia
1- A epilepsia é uma doença contagiosa.
Mito. Essa é uma doença neurológica não transmissível. Deste modo, qualquer contato com o paciente epiléptico não transmite a doença.
2 – É possível manter a consciência durante uma crise epiléptica.
Verdade. As crises epilépticas se manifestam de diferentes maneiras, uma vez que os sintomas relacionam-se com a área do cérebro afetada. Logo, as crises podem ser rápidas ou prolongadas; com ou sem perda de consciência; com ou sem fenômeno motor, entre outras variações.
3- Durante uma crise convulsiva os braços e a língua da pessoa devem ser segurados.
Mito. Esse é um erro muito comum, pois de forma alguma os movimentos devem ser restringidos. O ideal é que a cabeça do paciente seja apoiada em uma superfície macia e de lado - para evitar que secreções como vômito e saliva sejam aspiradas - além da retirada de objetos próximos.
4 – Pacientes com epilepsia não podem ter uma vida normal.
Mito. Existem diversos medicamentos que ajudam a controlar as crises epilépticas. Com isso, o paciente pode e dever ser inserido completamente na sociedade, ou seja, pode estudar, trabalhar, dirigir e ter filhos.