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Erisipela

Postado por Camila Mendonça em 08/04/2019 e atualizado pela última vez em 21/07/2020

Doença que provoca a inflamação dos vasos linfáticos


A erisipela é uma doença adquirida através da bactéria Estreptococo beta-hemolítico, do tipo A, que causa uma inflamação no tecido celular subcutâneo (gordura localizada abaixo da pele), provocando ferimentos vermelhos, inchados e doloridos ao redor da pele.


A doença possui um grande envolvimento dos vasos linfáticos e por esse motivo também é chamada de linfangite. Geralmente, os membros inferiores são os mais atingidos, principalmente o de pessoas na terceira idade. Porém, a inflamação pode acometer pessoas de qualquer idade e outras regiões da pele, como braços e face.


Como a erisipela se desenvolve?


Primeiro, é importante ressaltar que a erisipela não é uma doença contagiosa. Logo, o processo infeccioso acontece por meio da entrada de bactérias na pele, que migram para o sangue, atingindo os vasos linfáticos e, consequentemente, o tecido celular subcutâneo.


Para que essas bactérias entrem no corpo, é necessário que haja uma “porta de entrada”, como ferimentos ou cortes na pele, micoses, picada de um inseto, ou até mesmo a manipulação inadequada das unhas. 


Ainda pouco conhecida, os especialistas explicam que a erisipela costuma aparecer no outono, estação onde a temperatura é mais baixa e a umidade do ar diminui, contribuindo para a proliferação de doenças causadas por bactérias. Mas, antes de tudo, é preciso haver uma ferida na pele. 

Causas da erisipela

Como foi explicado, a doença se desenvolve principalmente por meio do contágio com a bactéria Estreptococo, do grupo A. Entretanto, algumas situações podem aumentar as chances de desenvolvimento da doença. Dessa forma, são fatores de risco:

•Insuficiência venosa ou linfedema;
•Tendência a varizes;
•Frieiras ou outras micoses nos dedos e unhas;
•Pacientes com diabetes descompensada;
•Pessoas obesas;
•Pessoas com problema circulatório;
•Pessoas com a imunidade afetada por tratamento com o usos de drogas imunossupressoras ou quimioterapia.

Diante desses fatores, a erisipela costuma aparecer com mais frequência em adultos, mas em alguns casos pode acontecer de se manifestar em crianças.

Sintomas


A erisipela apresenta vários sintomas, mas os mais comuns são dores, inchaço e vermelhidão na pele. Eles ainda podem vir acompanhados de náuseas, vômitos, tremores, febre alta, aumento progressivo da lesão e, em alguns casos, aumento dos gânglios linfáticos na região da virilha.

Muitas vezes, o quadro da doença evolui de forma tão rápida que, após a sensação de mal estar, a doença começa a apresentar bordas elevadas e bem demarcadas. Em casos mais severos, pode ocorrer a formação de bolhas que, se não cuidadas, podem evoluir para um quadro de infecção generalizada, trombose ou elefantíase.


Perna com erisipela. (Foto: Wikipedia)

Tratamento


Por se tratar de uma infecção bacteriana, quanto mais rápido for o diagnóstico, melhor será a eficácia do tratamento que pode ser feito à base de antibióticos orais. Os mais usados são a penicilina procaína ou cristalina, mas dependendo da resistência da bactéria outros antibióticos podem ser utilizados. 

É importante que o uso do medicamento seja acompanhado de outros cuidados, tais como o repouso e a elevação dos membros inferiores. Quando descoberta no início, a doença é tratada pelo período aproximado de 15 dias e o tratamento deve ser concluído até o final para evitar que a doença retorne. 

Além disso, o paciente pode resfriar o inchaço, aplicando envoltórios antissépticos úmidos no local, uma vez que a região afetada pode ficar mais quente que o normal. A cirurgia, por sua vez, só é indicada em casos mais graves da doença, resultados de complicações como a necrose, abscessos ou gangrena, na qual há um tecido desvitalizado que precisa ser retirado.

Pacientes com casos recorrentes da erisipela precisam aprender a conviver com a doença. Nesses casos, existem algumas orientações que podem ser seguidas, como:

•Praticar atividade física com frequência;
•Usar meias de compressão regularmente para garantir a hidratação da pele;
•Fazer uso de antibióticos profiláticos a cada 21 dias com penicilina benzatina;
•Manter uma alimentação equilibrada, com alimentos nutritivos e evitar o uso de bebidas alcoólicas.

É importante destacar que pacientes portadores de doenças cardíacas, diabetes, ou que tenham insuficiência renal necessitam de cuidados mais específicos. Já idosos ou crianças precisam de cuidados redobrados, visto que a imunidade dessas pessoas costuma ser mais baixa.

Formas de prevenção


A melhor forma de evitar a contaminação pela bactéria causadora da erisipela é cuidar dos ferimentos da maneira adequada, a fim de evitar “portas de entrada”, como micoses, ferimentos, traumas, picadas, dentre outros. Sendo assim, a pessoa pode adotar algumas medidas, como:

•Higienizar as feridas da forma correta;
•Controlar a diabetes;
•Adotar atitudes que reduzam a insuficiência linfática e venosa;
•Manter seco o espaço entre os dedos dos pés para evitar a proliferação de fungos e bactérias, pois eles causam lesões que servem como porta de entrada para a doença.

Os pacientes que já estiverem contaminados pela bactéria precisam fazer a descolonização da pele regularmente. E nos casos recorrentes, existe a aplicação da penicilina benzatina intramuscular que deve ser feita regularmente.

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