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Esquistossomose

Postado por Alana Caiusca em 30/04/2019 e atualizado pela última vez em 21/07/2020

Doença causada por vermes do gênero Schistosoma


A esquistossomose, também chamada de barriga d’água e febre do caramujo, é uma doença causada por vermes do gênero Schistosoma. Ao entrar no corpo humano, o parasita pode se instalar no intestino, no sistema urinário e, principalmente, no fígado.

Inicialmente, a esquistossomose se manifesta de forma assintomática, mas pode evoluir e causar febre, calafrios, dor de cabeça, etc. As complicações mais graves da doença envolvem hemorragia digestiva, aumento do fígado e até morte. 

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca 240 milhões de pessoas no mundo foram afetadas pela esquistossomose. Há registros da doença em 54 países, com maior incidência na África, Leste do Mediterrâneo e América do Sul. 


Schistosoma mansoni, parasita causador da esquistossomose. (Foto: Wikipédia)

No Brasil, aproximadamente 1,5 milhões de pessoas vivem em áreas que oferecem grande risco de infecção. As regiões endêmicas abrangem os estados de Alagoas, Sergipe, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Espírito Santo e Minas Gerais.

Já nos estados do Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e no Distrito Federal, a transmissão não afeta grandes áreas. 

Ciclo do parasita


Cinco espécies de platelmintos do gênero Schistosoma podem causar a esquistossomose em humanos: S. hematobium, que afeta o trato urinário; S. mansoni, S. japonicum, S. mekongi e S. intercalatum que afetam o intestino e o fígado.

O parasita precisa se abrigar no interior de dois hospedeiros para completar o seu ciclo biológico. São eles: 

Hospedeiro definitivo: no homem, o parasita se desenvolve até alcançar a forma adulta e reproduzir-se de forma sexuada. Os ovos gerados são eliminados para o meio externo na forma de excrementos de fezes, que podem contaminar açudes, riachos, córregos, etc.
Hospedeiro intermediário: o ciclo do parasita depende igualmente de um hospedeiro intermediário. Neste caso, os caramujos gastrópodes aquáticos, que habitam locais de água parada, são propícios para a reprodução assexuada do parasita. 

Como acontece a transmissão


A transmissão da esquistossomose não acontece por meio do contato direto, ou seja, do indivíduo contaminado para o indivíduo sadio, bem como não ocorre por autoinfecção. O ciclo de transmissão da doença acontece conforme a imagem abaixo:


Ciclo de transmissão da esquistossomose. (Foto: Wikipédia)

O indivíduo contaminado possui em sua fezes pequenos ovos dos parasitas, que quando eliminados no meio externo podem comprometer açudes, riachos, córregos, etc. Quando esses ovos eclodem na água, pequenas larvas ciliadas (miracídios) são liberadas. 

Essas larvas penetram nos caramujos (hospedeiro intermediário) do gênero Biomphalaria, que vivem nas áreas de água doce. Dentro desses animais, as lavas amadurecem e passam por um ciclo de reprodução assexuada, dando origem as cercárias.

As cercárias, por sua vez, têm um curto ciclo de vida. Por esse motivo, elas precisam rapidamente se instalar em um humano (hospedeiro definitivo) para completar o seu ciclo. Através da pele ou da mucosa do hospedeiro, as cercárias conseguem atingir a corrente sanguínea.

Especificamente na circulação venosa, elas alcançam os pulmões e o coração. Neste último órgão, são lançadas através das artérias para várias partes do corpo, sendo o fígado o local preferido.

No fígado, o parasita se alimenta de sangue até alcançar a fase adulta, quando então migra para o intestino, se reproduz novamente e coloca ovos. O ciclo recomeça quando os parasitas são eliminados nas fezes.

O período de incubação é de duas a seis semanas após a contaminação. Os humanos começam a eliminar as cercárias após quatro a sete semanas da infecção pelos miracídios. Já os caramujos infectados podem eliminar as cercárias por toda vida. 

Fases da esquistossomose 


Os sintomas da esquistossomose variam de acordo com as fases da doença, que podem ser aguda ou crônica. Confira abaixo a descrição de cada uma delas:

Fase aguda ou inicial: em alguns casos a esquistossomose é assintomática, mas quando manifesta-se há vermelhidão, edema e coceira na região de entrada das cercárias. No período de 3 a 7 semanas após contaminação, os primeiros sintomas podem surgem na forma febre de Katayama, que caracteriza-se pela presença de:

• Cefaleia
• Febre
• Linfadenopatia (linfonodos aumentados)

Outros sintomas também podem acompanhar a febre de Katayama: 

• Diarreia
• Dor abdominal 
• Náuseas
• Tosse seca
• Vômito

Fase tardia ou crônica - após seis mês da infecção, o quadro clínico do paciente pode evoluir para fase crônica da doença, podendo afetar o fígado e outros órgão do corpo humano. As principais manifestações clínicas são: 

Hepatointestinal: causa sintomas como desânimo, cefaleia, tonturas, hiporexia (diminuição do apetite), diarreia, etc;
Hepática: semelhante à forma hepatointestinal, contudo, nos exames físicos é possível verificar o endurecimento do fígado e fibrose hepática;
Hepatoesplênica compensada: os sintomas mais comuns são dores abdominais, alterações das funções intestinais e sensação de peso, além do crescimento do baço e surgimento de varizes no esôfago; 
Hepatoesplênica descompensada: classificada como a forma mais grave da esquistossomose, essa condição provoca a redução acentuada do funcionamento do fígado.

Tratamento e prevenção


O tratamento da doença é realizado com medicamentos específicos, geralmente antiparasitários como Praziquantel e Oxaminiquine, que são receitados pelo médico. Em casos mais graves é necessário internação e cirurgia. 

A melhor forma de prevenir-se da esquistossomose é evitar o contato com caramujos de água doce. Mas além disso, a adoção de outras ações são fundamentais:

• Acesso à educação em saúde; 
• Beber apenas água potável, fervida ou filtrada;
• Evitar o contato com águas de enchentes;
• Não defecar próximo de águas banháveis ou potáveis; 
• Utilizar calças, botas e luvas quando visitar locais com água contaminada.

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