Importantes para os ecossistemas
Os fungos são organismos microscópicos do grupo eucariontes, ou seja, que possui núcleo celular fechado por uma membrana. Esses seres vivos possuem, na definição taxionômica da biologia, um grupo próprio: o reino fungi. Ou seja, eles não pertencem aos reinos dos animais, bactérias ou plantas.
São abundantes em todo o mundo, existindo possivelmente cerca de 1,5 milhões de espécies, embora apenas 100 mil sejam catalogadas devidamente. Para essa catalogação vários fatores podem ser levados em consideração, mas o principal deles é a sua forma de reprodução.
A característica que separa os fungos dos demais seres vivos é a formação das suas paredes celulares. Eles são a única espécie que possuem nessa estrutura quitina e glucanos ao mesmo tempo. Alguns outros seres vivos podem possuir um ou outros polissacarídeos desses, mas não os dois ao mesmo tempo.
Apesar de serem invisíveis a olho nu, podem ser vistos quando frutificam, ou seja, em formas de cogumelos, trufas, bolores, mofos e em outras formas. Esses organismos são de extrema importância para a cadeia alimentar e para cada ecossistema, sendo, ao lado das bactérias, os principais decompositores de matérias mortas.
Eles podem ser usados com diversas finalidades. Algumas espécies são utilizadas como medicamento ou antibióticos, como o caso da penicilina, feita do fungo penicillium, outras podem ainda servir de alimentos, como alguns tipos de cogumelos. Existem várias doenças causadas por fungos, e em alguns casos, como na ingestão de cogumelos, podem levar à morte.

Cogumelos são frutificação de fungos. (Foto: Pixabay)
Taxionomia dos fungos
Existem cerca de 1,5 milhões de espécies de fungos, embora apenas cerca de 100 mil esteja devidamente catalogada. Para definir as espécies desses micro-organismos são utilizavas várias análises de características. Esse estudo é chamado em biologia de taxonomia.
Segundo essa linha de estudo, existem sete grupos taxonômicos, são eles: Ascomycota, Basidiomycota, Blastocladiomycota, Chytridiomycota, Glomeromycota, Microsporidia e a Neocallimastigomycota. No caso dos fungos, é levando em conta na categorização, principalmente, as estruturas reprodutivas.
Microsporidia
Os microsporidia já foi incluído entre os protozoários, mas atualmente são considerados fungos parasitas e unicelulares. Esses parasitas se hospedam em animais, tendo como preferenciais os peixes, os crustáceos e os insetos.
Apesar de estudos recentes ligarem os microsporidia aos fungos, alguns estudiosos acreditam que eles são apenas parentes, porém de uma espécie diferente desses. Apesar de ser considerado um grupo taxonômico, ainda existem estudos para descobrir mais sobre esse micro-organismo.
Chytridiomycota
Esse grupo contém componentes heterotróficos, ou seja, que não produzem o seu próprio alimento. Mas uma das principais características que definem o grupo chytridiomycota, é que ele é o único a se reproduzir por esporos. Os esporos são unidades de reprodução de alguns seres vivos, como os fungos.
Por conta dessa capacidade, os fungos dessa categoria já foram categorizados como protistas, ou seja, um organismo eucarionte que não faz parte de nenhum dos quatro reinos eucarióticos. Esse grupo contém uma única classe, os chytridiomycetes, únicos componentes do reino fungi capaz de produzir células móveis.
Blastocladiomycota
O grupo dos blastocladiomycota inclui fungos que são detrívoros, ou seja, que se alimenta de restos orgânicos, como animais ou plantas mortas, para em seguida devolvê-los para a natureza. Ao fazer isso, permite que esses materiais sejam reaproveitados por outros organismos. Podem viver no solo ou na água doce.
Neocallimastigomycota
O grupo dos neocallimastigomycota são compostos por fungos anaeróbicos, ou seja, que não precisam de oxigênio para sobreviver. Eles vivem principalmente no sistema digestivo de grandes mamíferos que são carnívoros e herbívoros, como os bovinos, caprinos, ovinos, bubalinos e outros. Se hospedam principalmente no rúmen, primeira parte do sistema digestivo desses animais, mas acredita-se que ele possa existir em outros ambientes sem oxigênio.
Glomeromycota
Nesse grupo, todos os integrantes se reproduzem de forma assexuada. O grupo dos glomeromycota vivem, principalmente, nas raízes de plantas. Chamada de simbiose, essa ligação entre fungos e plantas faz com que ambos os lados tenham consequências, sejam positivas ou negativas. No caso dos glomeromycota, essa ligação é positiva e ambos os organismos tiram proveito da união.
Ascomycota
O grupo dos ascomycota é o maior grupo taxionómico. Uma das suas principais características é a formação de esporos, uma forma de reprodução feita por fungos e outros organismos, em estruturas específicas chamadas de ascos. Essas estruturas possuem formatos de saco.
Basidiomycota
Esse grupo é composto por fungos que possuem estruturas semelhantes a bastões. O próprio nome "basidiomycota" deriva do grego "pequena base". Grande parte dos cogumelos pertencem a esse grupo.
Outros usos dos fungos
Os fungos são de grande importância para os ecossistemas, e seu uso tem se estendido ao longo dos séculos e nas diferentes civilizações. Existe hoje um campo que estuda os impactos sociais deles, assim como seu uso em alimentos, remédios e até em funções psicoativas: a etnomicologia.
Uso médico
Muitas espécies de fungos podem ser utilizadas como antibióticos no tratamento de doenças. As espécies do gênero penicillium, além de produzir a penicilina, podem produzir a griseofulvina, usada no tratamento de infecções nas unhas, cabelos e pele.
Há ainda a produção de medicamentos como a ciclosporina, um imunossupressor utilizado em transplantes, remédios para tuberculose, lepra e sífilis, e ácido fusídico, usado no tratamento contra a staphylococcus aureus resistente à meticilina.
Algumas espécies são utilizadas ainda para fins terapêuticos, como na medicina tradicional chinesa, que utiliza diferentes tipos de cogumelos. Alguns estudos já comprovam que determinados tipos de fungos são inibidores de alguns vírus e até de células cancerosas.

Fungos são importantes decompositores. (Foto: Pixabay)
Uso alimentar
Várias espécies de fungos são utilizadas na produção de alimentos. Alguns exemplos são os utilizados na produção de alimentos à base de trigo, como o pão, outros ainda são usados na produção de bebidas alcoólicas.
Além disso, existem tipos de cogumelos utilizados na alimentação, assim como as trufas, que são corpos frutíferos de fungos que se reproduzem no subsolo. Elas se formam a partir da simbiose com raízes de algumas espécies de árvores e são consumidas por humanos há milhares de anos.
Existem diversos tipos de cogumelos, mas estima-se que apenas 10% deles sejam comestíveis. Porém, existem espécies que são altamente tóxicas, como a amanita muscaria, da família "Amanita". Com alto teor alucinógeno, esse cogumelo pode levar a intoxicação e até a morte.
Existem ainda espécies que são utilizados na produção de queijos. Em forma de bolores que não são prejudiciais à saúde, os fungos auxiliam na textura e no sabor de queijos, como o roquefort e o stilton.