Principal fonte energética dos seres vivos
A glicose, também denominada glucose ou dextrose, é uma molécula orgânica com fórmula C6H12O6. É um carboidrato simples, especificamente, um monossacarídeo que é utilizado como principal fonte de energia dos seres vivos, desde as bactérias até os seres humanos.
Em relação a sua fórmula molecular geral, a sua cadeia é composta por seis carbonos e um grupo aldeído (–CHO), que podem ser encontrados na forma de cadeia aberta (acíclica) ou anel (cíclica).

Fórmula de glicose com cadeia cíclica. (Foto: Wikipédia)
É através da alimentação que os humanos adquirem carboidratos, proteínas, lipídios e minerais. Inicialmente, eles são ingeridas na forma de moléculas complexas e durante o processo de digestão são degradados e aproveitados pelo organismo.
A glucose é o tipo de açúcar mais comum que circula no sangue, por esse motivo ela também é chamado de açúcar do sangue. Contudo, níveis inadequados dessa substância no organismo podem ser prejudiciais e podem causar hipoglicemia, hiperglicemia e diabetes.
Tipos de açúcares
A glicose pode ser encontrada na sua forma livre ou combinada com outros carboidratos. Quando combinada com outros monossacarídeos, a exemplo da frutose e da galactose são formados, respectivamente, a sacarose e a lactose, dois dissacarídeos.
A junção de duas moléculas de glicose forma a maltose. Outras combinações da glicose podem formar os polissacarídeos, que são açúcares de cadeia longa. Fazem parte desse grupo, o amido, o glicogênio e a celulose.
Veja abaixo as principais características desses açúcares:
- Frutose: esse composto orgânico se diferencia da glucose pela presença do grupo cetona no lugar do aldeído. Na natureza, ela pode ser encontrada nas frutas, cereais e no mel;
- Galactose: obtido por dissociação eletrolítica da lactose, também é um constituinte importante dos glicolípidos, dos proteoglicanos e das glicoproteínas;
- Sacarose: esse composto corresponde ao açúcar comum (demerara, mascavo, refinado, cristal, etc) e pode ser encontrado na cana de açúcar, na beterraba e em algumas frutas;
- Lactose: popularmente é identificado como açúcar do leite, pois é no leite de mamíferos. Para os bebês e crianças é a principal fonte de energia, já para os adultos não possui a mesma importância nutricional;

A lactose é um tipo de carboidrato encontrado no leite. (Foto: Pixabay)
- Maltose: essa açúcar não é obtido em livre na natureza, mas sim através do processo de digestão na quebra das moléculas de amido. Ele também é utilizado como principal ingrediente da cerveja;
- Glicogênio: é o principal carboidrato de armazenamento energético nas células animais, sendo sintetizado no fígado;
- Amido: esse composto é o principal carboidrato de reserva energética nos tecidos dos vegetais. Ele está presente, ricamente, em alimentos como trigo, arroz, batata e milho;
- Celulose: é o principal componente da parede celular, estrutura presente apenas nas células vegetais. Industrialmente, ela é utilizada na produção de tecidos e do papel.
Respiração celular
O processo de respiração celular pode acontecer de forma aeróbica (com oxigênio) ou anaeróbica (sem oxigênio). Nos humanos, a respiração celular é do tipo aeróbica e acontece no interior das mitocôndrias.
Durante esse processo, as moléculas de glicose são degradadas e dão origem a duas substâncias mais simples: o gás carbônico (CO2) e a água (H2O). Nessa reação também acontece a liberação de energia, a qual é guardada pelas moléculas de ATP (adenosina trifosfato).
Nos humanos a respiração celular é aeróbica e são fornecidas 3,75 kcal de energia alimentar para cada 1 g de glucose. Esse processo pode ser resumido na equação abaixo:
C6H12O6 + 6O2 --> 6CO2 + 6H2O + Energia (ATP + calor)
A energia gerada ao longo das etapas é armazenada nas moléculas de ATP e quando a célula precisa de energia, ela quebra essa molécula a transforma de ADN (adenosina difosfato) liberando energia.
Transporte da glicose
A glicose não consegue entrar na célula através da difusão devido ao seu peso molecular. Geralmente, ela atravessa a membrana plasmática através do processo difusão facilitada, com ajuda das proteínas transportadoras chamadas de GLUTs.
Outro modo da glicose entrar na célula é acoplada ao íon de sódio. Esse tipo de transporte acontece nas células do intestino delgado e do túbulo renal, sucedendo-se contra o gradiente de concentração da glicose e a favor do sódio.
Atuação da glicose no corpo humano
O pâncreas é o órgão do corpo humano encarregado por regular a glicose no organismo. Ele faz isso juntamente com os hormônios insulina e glucagon que atuam, respectivamente, atuam na redução e no aumento dos níveis de glicose.
A insulina também facilita a absorção da glicose pelas células, dos músculos esqueléticos, do fígado e do tecido adiposo. Nesses locais, ela promove a união de moléculas de glicose para formação de glicogênio, criando uma reserva energética.
Também produzido pelos pâncreas, o glucagon atua de forma inversa à insulina, isto é, aumenta os níveis de glicose no sangue. Isso acontece pelo estímulo do fracionamento de glicogênio em glicose.
Abaixo os valores de referência da glicose no sangue:
• Hipoglicemia: abaixo de 70 mg/dl
• Normal: até 99 mg/dl
• Pré-diabetes: 110 a 126 mg/dl
• Diabetes: acima de 126 mg/dl
Quando o corpo não utiliza de forma adequada a glucose, o seu excedente no sangue causa a hiperglicemia, uma condição indicativa de diabetes, e que pode ser acompanhada por sintomas como: fome e sede excessivas, fadiga; infecções frequentes; visão embaçada e emagrecimento.
Já a hipoglicemia é reconhecida pelos baixos níveis de glicose no sangue, o que pode causar sintomas como: ansiedade, irritabilidade, tontura, calafrios, sudorese, visão embaçada, tremedeira, sonolência e dores de cabeça.