Células sanguíneas
As hemácias, também conhecidas como eritrócitos e glóbulos vermelhos, são células sanguíneas que possuem um papel muito importante na oxigenação dos tecidos. Elas têm formato de disco bicôncavo e são formadas, basicamente, por duas proteínas: globulina e hemoglobina.
A hemoglobina possui um pigmento avermelhado que confere a cor vermelha do sangue de todos os vertebrados. Já alguns animais invertebrados são dotados de hemocianina, que possui uma pigmentação diferente e deixa o sangue (hemolinfa) com uma coloração azulada.
Nos humanos, as hemácias são os elementos presentes em maior quantidade no sangue. Existem aproximadamente 5 milhões de hemácias por milímetro cúbico no sangue de um homem adulto saudável, enquanto na mulher o número é menor, cerca 4,5 milhões.

Glóbulos vermelhos em circulação nos vasos sanguíneos. (Foto: Pixabay)
Principais características
As hemácias medem cerca de 7,5 am de diâmetro, 2,6 am de espessura e não possuem núcleo nem DNA, portanto ausentes de material genético. Como já dito, elas possuem um formato de disco bicôncavo, isso faz com que aumente a superfície de contato e troca gasosa seja mais eficiente.
Essas células possuem um ciclo de vida de cerca de 120 dias. Elas são formadas na medula óssea através de um processo chamado de eritropoiese, que tem duração de sete dias e é estimulado pela eritropoietina, um hormônio glicoproteico.
Após o ciclo de vida, a destruição das hemácias acontece no fígado e no baço. Nesses locais, decorre a quebra das moléculas de hemoglobina e a liberação de aminoácidos e de ferro, os quais podem ser utilizados na fabricação de novas células sanguíneas.
Produção de hemácias
A chamada hematopoese designa o processo de renovação de componentes sanguíneos através da mitose. Tal processo engloba aos fenômenos de produção, multiplicação e amadurecimento.
A depender componente sanguíneo, a hematopoese pode ser renomeada como: eritropoese (glóbulos vermelhos), granulocitopoese (glóbulos brancos), linfocitopoese (linfócitos), monocitopoese (monócitos) e megacariocitopoese (plaquetas).
O processo de produção das hemácias, eritropoese, é estimulado pela redução da circulação de oxigênio no sangue, que é detectado pelo rim. Este, por sua vez, secreta o hormônio eritropoietina.
Esse hormônio incentiva a propagação e diferenciação dos precursores das hemácias nos tecidos hematopoiéticos (responsável pela produção de células sanguíneas e da linfa), dando origem às células em questão.
Transporte de gases
As hemácias carregam o oxigênio do ar inalado nos vasos do pulmão para o restante do corpo através da circulação. Essas células também carregam o dióxido de carbono produzido pelas células do corpo e o transporta para os vasos no pulmão para, posteriormente, serem expirados.
A hemoglobina, elemento das hemácias, é constituída por cadeias de globina (parte proteica) se ligam a um grupo heme (grupo prostético). No transporte do oxigênio, esse gás interage com o ferro da hemoglobina, formando então o complexo oxi-hemoglobina ou hemoglobina oxigenada.
Já nas células, o oxigênio é liberado e o sangue arterial é transformado em sangue venoso (hematose). Logo depois, a distribuição do oxigênio é realizado com o auxílio dos vasos sanguíneos, que se distribuem pelos diversos órgãos do corpo humano.
Já o transporte do gás carbônico, ligado à hemoglobina, pode ser resumido nas etapas seguintes:
• A hemoglobina localizada no coração se dirige aos músculos por meio da corrente sanguínea;
• Por causa do metabolismo, a concentração CO2 no músculo é alta e de oxigênio O2 baixa;
• A hemoglobina une-se ao então ao CO2 e libera O2;
• Nessa reação forma-se a carbamino-hemoglobina.
Doenças
Anisocitose é uma nomenclatura médica utilizada para designar glóbulos vermelhos com tamanho desigual. A largura da distribuição dessas células é calculada como um coeficiente de variação da organização dos volumes das hemácias dividido pelo volume corpuscular médio.
Denomina-se anisocitose a condição caracterizada pelo tamanho pequeno dos glóbulos vermelhos. Esse tipo de anisocitose está relacionada com deficiência de ferro, anemias sideroblásticas e talassemias.
Já macrocitose refere-se ao grande tamanho dos glóbulos vermelhos. Essa condição possui relação com doenças hepáticas além de hipotireoidismo, deficiência de vitamina B12 e anemia aplástica.
Anemia
A anemia é uma doença causada pela diminuição na produção hemácias. Logo, essa condição afeta diretamente o transporte do oxigênio dos pulmões, que é utilizado para nutrir todas as células do organismo.
Os tipos mais conhecidos dessa doença são:
• Anemia falciforme: provoca a deformação dos glóbulos vermelhos, o que os deixa com forma de foice;
• Anemia ferropriva: tipo mais comum da doença, sendo provocado pela deficiência de ferro no organismo;
• Anemia hemolítica: caracterizada pela destruição rápida das hemácias, em tempo inferior aos 120 dias;
• Anemia megaloblástica: causada pela deficiência de vitamina B12 e/ou ácido fólico (vitamina B9), gerando hemácias de tamanho grande;
• Anemia aplástica: tipo raro da doença que causa a gradual destruição da medula óssea, consequentemente, interfere na produção de hemácias.
Apesar dos vários tipos de anemia, os sintomas geralmente surgem de forma lenta, e quando manifestam-se são na forma de cansaço, tontura e falta de apetite. Na medida que a doença avança há ocorrências como sensação de desfalecimento, perda de consciência e palidez.