Transmissão de informação genética
Hereditariedade é o sistema biológico de transmissão de certas características dos seres vivos entre gerações. Para o pleno funcionamento dessa estrutura precisa-se dos genes – pedaço do DNA (ácido desoxirribonucleico) que abriga as informações genéticas.
Algumas propriedades podem se manter inativas durante gerações, o que não representa a sua extinção, somente o esquecimento de um ou vários genes. Porém, isso não impossibilita que o portador do gene adormecido o passe para seus descendentes.
Além disso, as informações gênicas são capazes de desaparecer em consequência das mudanças ambientais e climáticas. Nestes casos, os processos de seleção natural afetam diretamente na hereditariedade.
Classificação da Hereditariedade
A hereditariedade ocorre de duas maneiras: específica e individual.
Hereditariedade específica: transmissão de fatores genéticos que originam características em comum em determinados grupos. A espécie humana, por exemplo, apresenta atributos físicos e estruturais comuns a todos.
Hereditariedade individual: união de componentes genéticos que tornam certas propriedades únicas, transformando um indivíduo diferente do outro. Isso favorece a grande diversidade entre seres do mesmo grupo.
Genes e Hereditariedade
Os genes, meios fundamentais para as etapas da hereditariedade, são formados por uma rede de nucleotídeos dentro do cromossomo, que é uma longa sequência de DNA. Como também são compostos por RNA (ácido ribonucleico), possibilitam a codificação das cadeias polipeptídicas – união de aminoácidos para produção de proteínas.
Eles também atuam em classes genéticas e são seus segmentos que agrupam as diferenças e semelhanças de uma mesma característica. Ou seja, podem ser dominantes ou recessivos.
Geralmente os genes dominantes predominam nos seres homozigotos (AA) e heterozigotos (Aa). Os heterozigotos são aqueles formados por dois gametas diferentes. Já nos homozigotos são produzidos somente um tipo de gameta. Os seres que apresentam apenas genes recessivos são homozigotos.
Genes dominantes
Delimitam uma características hereditária mesmo quando aparecem em pequenas quantidades no genótipo (sequência de genes).
Diversas propriedades da espécie humana são resultados das disposições dos genes dominantes: lábios grossos, cabelos escuros, calvície, queixo com covas, capacidade de enrolar a língua, entre outros.
Genes recessivos
São os genes que somente aparecem quando estão em forma duplicada, pois tornam-se inativas com a presença de um dominante. Isso acontece porque a proteína produzida pelo recessivo é defeituosa e à vezes não funciona.
Olhos azuis, bico de viúva (entrada nos cabelos em formato de v), cabelos loiros e ruivos, canhoto, lábios finos, queixo sem cova, tipo sanguíneo negativo, entre outros, são exemplos de características provenientes dos genes recessivos.
Leis da Hereditariedade
O pioneiro nos estudos sobre os princípios da hereditariedade foi o monge austríaco Gregor Mendel. Por isso ele é considerado o pai da Genética.
Antes mesmo dos conceitos relacionados aos cromossomos, ele já fazia experimentos com cruzamentos de ervilhas, descobrindo assim a função dos genes dominantes e recessivos nas etapas de estruturação das características humanas.
As suas experiências deram fundamento para duas leis: a da segregação (Primeira Lei de Mendel) e a da segregação independente (Segunda Lei de Mendel).
Primeira Lei de Mendel
A Lei da Segregação diz que cada característica dos indivíduos é determinada por fatores que se dividem ainda na formação dos gametas – células encarregadas da reprodução sexuada. Esses tais fatores observados por Mendel são os genes.
Ele chegou até essa conclusão quando percebeu que plantas do mesmo grupo, mas com propriedades diferentes (cor amarela ou verde), sempre geravam outras com as mesmas propriedades.
Por isso, resolveu cruzar plantas com sementes amarelas com as de sementes verdes, obtendo todas as sementes de coloração amarela. Esses descendentes – chamados de F¹ – eram híbridos, pois tinham bases (pais) distintos.
Como todos da geração F¹ foram amarelos, realizou uma autofecundação, dando origem a uma nova linhagem (F²) com 3 sementes amarelas e 1 verde. Assim, entendeu que a cor das sementes amarelas era dominante, e a cor da única semente verde era recessiva.
Além disso, afirmou:
• Os pais transmitem apenas um gene para cada características dos seus descendentes.
• As propriedades hereditárias são herança do pai e da mãe (metade de cada).
• Os seres são singulares e detém um par de genes para cada característica.
Segunda Lei de Mendel
A Lei da Segregação Independente apoia-se na descoberta de mais características hereditárias nas plantas de ervilha.
Ao cruzar plantas de sementes amarelas e lisas com as de sementes verdes e rugosas, observou apenas sementes amarelas e lisas, pois a cor amarela é dominante diante da verde, e a estrutura lisa é dominante diante da rugosa.
Cruzamentos entre sementes amarelas e lisas com verdes e rugosas. (Foto: Wikipédia)
Com isso resolveu cruzar os descendentes desse experimento inicial, percebendo variações. Deram origem a sementes heterozigotos (nove sementes amarelas e lisas; três amarelas e rugosas; três verdes e lisas; e 1 verde e rugosa).
Esses experimentos da Segunda Lei foram fundamentais para a compreensão de que os alelos, configurações alternadas para o mesmo gene, organizam-se de forma independente durante o desenvolvimento dos gametas.