Condição de equilíbrio interno do corpo
A homeostase, de modo geral, é caracterizada como uma condição de equilíbrio do ambiente interno corporal, independentemente das alterações do ambiente externo. Isso garante, por exemplo, a regulação da temperatura corporal mesmo em ambientes frios.
A palavra homeostase deriva do grego homeo (similar ou igual) e stasis (estático). Esse fenômeno foi descrito pelo médico francês Claude Bernard:
Todos os mecanismos vitais, apesar de sua diversidade, têm apenas uma finalidade, a de manter constantes as condições de vida no ambiente interno.
Posteriormente, os estudos foram aperfeiçoados pelo fisiologista norte-americano Walter Cannon. Ao analisar os sistemas digestório e nervoso, notou que os organismos possuem uma tendência em manter o meio interno em condições ideais, apesar das mudanças que ocorram no meio externo.
Cannor então nomeou essa condição de homeostase, que seria então o equilíbrio interno. Como os seres vivos estão em constante evolução, sabe-se que eventualmente podem surgir desequilíbrios, os quais podem ser regulados através dos mecanismos de homeostase.

Homeostase da glicose. (Foto: Wikipédia)
Tipos de homeostase
De forma ampla, a homeostase qualifica os conjunto de ações reflexas que os seres vivos, em especial animais, adotam com o objetivo de manter o equilíbrio necessário para a vida, reconhecendo as variabilidades.
Estudos recentes subdividem a homeostase em três:
1) Ecológica: refere-se ao equilíbrio em nível planetário.
2) Biológica: corresponde a manutenção do ambiente interno, ou seja, seus fluidos corporais
3) Humana: além dos fluidos inclui fatores como temperatura, salinidade, pH e concentrações de nutrientes.
Em condições normais, os seres humanos possuem temperatura ideal, pH do sangue ótimo, pressão arterial estável e níveis ideais de glicose no sangue. Tudo isso sustentado graças aos processos fisiológicos que acontecem de forma organizada. Veja abaixo alguns processos homeostáticos:
Regulação térmica - a chamada endotermia é uma característica que alguns animais possuem para manter a temperatura corporal constante apenas com o auxílio do seu metabolismo, mesmo com as variações de temperatura do meio externo.
Um bom exemplo de regulação térmica é quando uma pessoa está em uma sala muito fria e com roupas sem mangas. Nessa situação, a área do cérebro responsável pela temperatura necessita desenvolver respostas para que o corpo se aqueça.
Em resposta, o fluxo de sangue na pele diminui e o indivíduo pode começar a tremer para que seus músculos gerem mais calor. Também é possível que ele sinta arrepios, isso faz com que aumente a liberação de hormônios que ajudam a produzir calor.
Regulação química - o pâncreas é o órgão responsável pela produção de insulina e glucagon, que são os hormônios responsáveis pela regulação da glicose (açúcar) no sangue. Quando há um aumento dos níveis de de glicose no sangue, a insulina realiza uma ação hipoglicemiante.
Por outro lado, quando ocorre queda nos níveis da glicose, o glucagon atua com sua ação hiperglicemiante. A atuação desses hormônios ajudam a manter a concentração da glicose dentro dos limites, ou seja, a homeostase da glicose.
Regulação hídrica - os rins são responsáveis por excretar a ureia e regular as concentrações de água e vários tipos iônicos, além disso respondem ao ADH (hormônio antidiurético), o qual é produzido pelo hipotálamo.
O ADH evita a perda de água e desidratação do organismo. Em situações de aumento da osmolaridade plasmática (maior concentração de sais), o organismo produz o hormônio para impedir a perda de água.
Nessa situação, após o indivíduo ingerir água, os osmorreceptores sensíveis à osmolaridade plasmática percebem a modificação e informam ao hipotálamo para que este reduza o ADH e a diurese retorne ao normal.
Mecanismos de regulação
Os processos da homeostáticos são controlados pelos mecanismos de feedback negativo e feedback positivo, também chamados de retroalimentação. Eles são considerados como uma mudança na condição dos componentes, gerando uma reação que reduz ou aumenta a resposta do sistema onde ele está inserido.
O principal mecanismo, o negativo, gera alterações no meio interno que desencadeiam alterações no sentido contrário. Por exemplo, se a pressão arterial está alta diversas reações acontecem para que baixe, e quando ela fica abaixo do normal se iniciam processos a fim de estabilizá-la.
Já o feedback positivo amplifica o estímulo e faz com que os valores fiquem diferentes do padrão, o que as vezes pode ser perigoso. Nesse tipo de feedback o corpo tenta gerar respostas que reduzam o desequilíbrio.
Um dos exemplos nocivos de feedback positivo é quando um indivíduo perde muito sangue, o que faz o coração parar de bombeá-lo adequadamente e provocar a queda de pressão arterial e redução do fluxo sanguíneo para o seu músculo.