Doença que provoca o desequilíbrio do corpo
A labirintite é causada por um processo infeccioso ou inflamatório que afeta o labirinto, uma estrutura localizada na região interna do ouvido e é responsável por manter o equilíbrio do corpo, entre outras funções.
Sua estrutura é composta pelo utrículo e pelo sáculo. Neles, estão as células sensoriais, que são pequenos cristais, mergulhados em um líquido viscoso chamado de endolinfa. As células, portanto, são responsáveis pela noção de posicionamento do corpo nos planos vertical e horizontal.

Labirinto do ouvido. (Foto: wikipedia)
No entanto, quando os cristais se soltam e invadem uma região no labirinto diferente da que eles ocupam provocam as vertigens, que são as tonturas sentidas pelos pacientes que sofrem da doença. Contudo, vale ressaltar que nem todos os distúrbios do labirinto são necessariamente uma labirintite, pois a doença é apenas um exemplo de outras patologias que podem afetar essa região.
Causas da labirintite
As causas da labirintite ainda não são muito definidas, pois ela pode surgir também em decorrência de outros problemas de saúde, além das infecções causadas por vírus e bactérias. Pode, inclusive, ter a influência de alguma doença grave, que provoque alterações nos genes, no metabolismo ou no sistema nervoso do corpo.
Normalmente, a labirintite acomete pessoas com mais de 40 ou 50 anos. Entre os fatores que aumentam o seu risco estão os altos níveis de colesterol, diabetes, triglicérides e ácido úrico. Isso porque esses aumentos provocam alterações dentro das artérias e reduzem a quantidade de sangue que circula nas áreas do cérebro e do labirinto, o que se torna um fator de risco.
Um outro elemento que pode provocar os deslocamento dos cristais são as pancadas e traumas na cabeça. Mulheres com deficiência de cálcio também apresentam maior probabilidade de desenvolver a doença, explicam os especialistas.
Além desses fatores, existem algumas doenças que facilitam o aparecimento da doença, como o câncer, as doenças neurológicas, alergias, e, inclusive, o uso de medicamentos muito fortes.
Sintomas
Entre os sintomas mais comuns apresentados pela doença estão a tontura ou vertigem, como são denominadas pela medicina. Elas podem ser classificadas da seguinte maneira:
Vertigem paroxística benigna: esse tipo de tontura é a mais comum nas pessoas que tem a labirintite. Ela é provocada por uma alteração que ocorre nos cristais internos do labirinto, uma vez que eles são os responsáveis por localizar a posição da nossa cabeça. Sendo assim, quando se encontram na posição incorreta, geram um conflito nas informações, provocando o desequilíbrio. Essa vertigem é mais comum em pessoas que apresentam diabetes e colesterol alto;
Migrânea vestibular: esse exemplo de vertigem aparece com mais frequência em pessoas que tem histórico de enxaquecas;
Síndrome de Ménière: desencadeada pela alteração dos labirintos, provocadas por problemas metabólicos ou maus hábitos alimentares, como a ingestão excessiva de açúcares.
Nos casos em que a labirintite é proveniente de uma gripe ou resfriado, os sintomas podem demorar de uma a duas semanas para desaparecer, entretanto, existem casos em que as tonturas podem vir acompanhadas de outros sintomas, como:
•Zumbidos no ouvido;
•Náuseas e vômito;
•Sudorese;
•Alterações gastrointestinais;
•Queda de cabelo;
•Perda ou redução da audição.
A fase mais aguda da labirintite acontece de repente, podendo levar minutos, horas e até dias para desaparecer completamente. Ela não costuma causar desmaios, mas o recomendado é que a pessoa evite ficar deitada enquanto estiver tonta para não agravar a situação.
Diagnóstico
A labirintite é descoberta com base em uma análise minuciosa dos sintomas. Além disso, a realização de exames específicos é fundamental, a fim de evitar a suspeita de outras doenças. Entre os exames, os mais pedidos pelos médicos são:
•Tomografia computadorizada da cabeça;
•Eletronistagmografia;
•Eletroencefalograma (EEG);
•Ressonância magnética da cabeça;
•Audiometria;
•Aquecimento e resfriamento do ouvido interno com ar ou água para testar os reflexos dos olhos.
Tratamento
Quando a labirintite é causada por infecções virais, os especialistas poderão receitar corticoides, a exemplo do prednisona, em casos mais graves; anti-histamínicos; sedativos, dentre outros.
Nos casos em que o paciente apresentar uma crise, o ideal é que a pessoa tente se acalmar e busque fixar os olhos em alguma região, pois a visão ajuda a alcançar o equilíbrio.
Se não houver crises, a labirintite será tratada de acordo com a doença que provocou os sintomas. Nos casos de migrânea vestibular, por exemplo, serão usadas medicações anti-enxaqueca. A vertigem paroxística benigna, por sua vez, não é controlada com o uso de medicamentos, e sim com exercícios, que buscam reposicionar os cristais.
Um exercício bastante utilizado pelos médicos é a reabilitação labiríntica. A terapia é dividida em várias sessões e tem como principal objetivo melhorar o equilíbrio do corpo. Eles são indicados para pessoas com mais idades, e deve ter sempre o acompanhamento de especialistas, como fisioterapeutas e fonoaudiólogos.
Além disso, os médicos recomendam que no período de crises, as pessoas que sofrem de labirintite evitem exercer atividades que apresentam riscos, tais como dirigir ou andar na rua sozinho.
Ao seguir todas as orientações o sintomas desaparecem gradualmente. Há casos em que eles somem com uma semana, entretanto, outros mais graves podem levar de dois a três para sumir completamente.