Organismo constantemente realiza divisões celulares
A mitose, também chamada de cariocinese, consiste no processo de divisão celular, em que a célula-mãe gera duas células-filhas. Os seres vivos eucariontes, entre eles o ser humano, realizam a mitose de forma contínua, desde o nascimento até a morte.
Esse processo acontece dentro das células somáticas, ou seja, aquelas responsáveis pela formação de tecidos e órgãos nos organismos multicelulares, entre eles os tecidos do corpo humano e os orgãos do corpo humano. Deste modo, a mitose é importante para:
• O crescimento e regeneração de tecidos;
• A cicatrização;
• A formação de gametas em vegetais;
• As divisões do zigoto durante o desenvolvimento embrionário.
A divisão celular dura cerca de 24 horas. Das quais, aproximadamente 90% desse tempo acontece a interfase, período em que acontece a duplicação cromossômica. Nos outros 10% do tempo acontece a fase mitótica, ou seja, a divisão celular propriamente dita.
A interfase é um processo comum as divisões da mitose e meiose, realizada em três etapas: intervalo G1, período S e intervalo G2. Já a fase mitótica divide-se em cinco: prófase, prametáfase, metáfase, anáfase e telófase.

Interfase e fases da mitose. (Foto: Wikipédia)
Interfase
A interfase é a maior fase do ciclo de divisão celular e tem início com uma célula diploide (2n) – que possui dois conjuntos cromossômicos. Durante esse período, acontece uma intensa atividade de preparação para divisão celular que possibilita a duplicação do material genético.
• Intervalo G1: nessa fase acontece na células os habituais processos de transcrição do RNA e síntese de proteínas. Além disso, a célula começa a aumentar de tamanho e duplicar alguns componentes do citoplasma;
• Período S: a letra S, corresponde a Synthesis, isto é, a fase com grande síntese de DNA. Ao final desse processo, a célula terá o dobro de DNA e centríolos;
• Intervalo G2: finalizada a duplicação do DNA, a produção de RNA e a síntese de proteínas são retomadas. A célula continua a crescer e chega um momento que ela está tão grande, que é necessário dividir-se.
Nos intervalos G1 e G2, a célula realiza uma espécie de “avaliação interna”, com objetivo de verificar se está apta ou não para avançar nas próximas fases. Essas verificações são chamadas de check point (ponto de controle).
Se for identificado algum problema, ainda da G1 e G2, que possa ser corrigido, o ciclo de divisão celular é pausado. Caso esse problema não possa ser resolvido, a célula tem sua morte programada, por meio de um processo denominado apoptose.
Algumas células não se dividem ou fazem isso lentamente. Estas, podem deixar o intervalo G1 e ir para o intervalo G0, caracterizado como um estado de repouso em que célula não está se preparando para dividir, mas sim realizando suas funções normais.
Fases da mitose ou fase mitótica
Prófase - na primeira fase da mitose, os cromossomos duplicados, antes imperceptíveis, começam a ficar visíveis devido a forma que contraíram: filamentos duplos de cromátides, com diâmetros irregulares e unidos pelo centrômero.
Os centríolos, já duplicados, migram para os polos opostos da célula e entre eles há a formação de finas fibrilas citoplasmáticas proteicas, que em conjunto formam o fuso mitótico ou fuso acromático.
Ocorrem no citoplasma da célula mudanças físico-químicas. A água passa para o interior do núcleo, tornando-o mais volumoso, consequentemente causa a desorganização da membrana nuclear e o desaparecimento dos nucléolos.
Prometáfase - alguns cientistas defendem a existência da prometáfase, fase intermediária à prófase e metáfase. Esse curto período é caracterizado pela desintegração da membrana nuclear e chegada dos cromossomos à região equatorial.
Metáfase - os cromossomos, presos ao fuso acromático pelo centrômero, ocupam a região mediana da célula e alinham-se formando a placa equatorial com as cromátides-irmãs.
Na metáfase, o cromossomo passa por uma contração nuclear que diminui o número de espirais, aumenta o diâmetro e o torna regulares Nessa fase, eles estão mais visíveis e a divisão pode ser interrompida para realização estudos cromossômicos.

Metáfase. (Foto: Wikipédia)
Anáfase - a duplicação dos centrômeros-filhos dá início à anáfase, após isso eles migram para os centríolos que estão nos polos da célula. Cada centrômero-filho leva consigo um cromossomo-filho.
A igual distribuição das cromátides-irmãs e a posição que ocupavam na metáfase, possibilita a partilha idêntica de material genético para os dois polos e, consequentemente, para as duas células-filhas que irão ser formadas.
Deste modo, ao final da anáfase cada polo terá o número igual de cromossomos como na célula-mãe que iniciou a divisão, contudo com apenas um filamento cada um.
Telófase - na última etapa da mitose, ocorre praticamente o inverso do que aconteceu na prófase e início da prometáfase. A membrana nuclear e o nucléolo surgem novamente, os cromossomos se descondensam e as fibras do áster e do fuso desaparecem.
Na citocinese acontece a individualização das células-filhas. Nas células animais, esse processo acontece com o estrangulamento da célula de fora para dentro. Já nas células vegetais, não ocorre estrangulamento e a separação acontece de dentro para fora.
Relação da mitose com o câncer
Como a mitose consiste em realizar o processo de gerar células-filhas idênticas com a célula mãe, as células cancerígenas acabam se propagando com mais velocidade no corpo devido a esse processo.
Uma célula cancerosa acaba dando origem a outras células cancerosas idênticas e assim por diante. Além disso, enquanto as células saudáveis param de se reproduzir depois de um certo ponto, as células cancerígenas continuam de forma indefinida.