Problema recorrente em diversas crianças do mundo
A obesidade infantil se tornou um dos problemas mais recorrentes na vida das crianças de todo o mundo. De acordo com os últimos dados obtidos pelo IBGE, uma em cada três crianças sofrem de questões relacionadas ao peso. Em 2010, 42 milhões de crianças eram obesas no mundo.
A análise para identificar o nível de gordura nas crianças é feita através do Índice de Massa Corporal, que é realizada a partir do cálculo da altura x peso. Com o alto crescimento de crianças com sobrepeso, a obesidade infantil se tornou um dos principais problemas de saúde pública.
Causas
Diversos fatores são responsáveis pela ocorrência da obesidade infantil. Entre eles estão:
• Causas Psicológicas: crianças ansiosas tendem a comer mais;
• Causas Ambientais: a falta de atividade física é a principal representante deste grupo;
• Causas Hormonais: algumas doenças endócrinas (p.ex., Hipotireoidismo, síndrome de Cushing, Deficiência de Hormônio do Crescimento, etc) podem se manifestar com ganho de peso. Estas doenças respondem por cerca de 10% dos casos de Obesidade Infantil.
• Causas Genéticas: crianças portadoras de Síndrome de Down, Síndrome de Turner e outros distúrbios genéticos realmente têm "facilidade" para engordar.
• Causas Medicamentosas: alguns medicamentos, como os corticoides, podem provocar ganho de peso.
Os pais têm um papel fundamental nesse processo e o aleitamento materno é a primeira prática que contribui para a prevenção da obesidade infantil. A recomendação do Ministério da Saúde é de que as crianças de até seis meses de vida se alimentem exclusivamente do aleitamento materno e depois recebam alimentos complementares saudáveis, mantendo o aleitamento até dois anos ou mais.
Outra dica importante é evitar o consumo de alimentos ultraprocessados.
Alimentos ultraprocessados – São alimentos que passaram por técnicas e processamentos com alta quantidade de sal, açúcar, gorduras, realçadores de sabor e texturizantes. Estes alimentos possuem um perfil nutricional danoso à saúde. Importante lembrar que estes tipos de alimentos também são pobres em micronutrientes (vitaminas, sais minerais, água e fibras), o que impacta negativamente favorecendo o desenvolvimento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis.
Riscos da Obesidade Infantil
Estima-se que a cerca de 40-70% das crianças que chegaram à adolescência obesas acabam estendendo o problema para a vida adulta. Além de diminuir a aprendizado o seu aprendizado, a obesidade pode ocasionar problemas cardiovasculares e respiratórios, como:
A CURTO PRAZO
• Asma e apneia do sono;
• Problemas ortopédicos;
• Disfunção do fígado devido ao acúmulo de gordura;
• Inflamação e formação de pedras na vesícula;
• Acne;
• Assaduras e dermatites;
• Enxaqueca;
• Depressão;
• Aumento dos níveis de colesterol no sangue.
A LONGO PRAZO
• Diabetes mellitus;
• Hipertensão arterial;
• Tromboses;
• Derrame;
• Doença coronariana;
• Angina e infarto;
• Gota;
• Osteoartrite;
• Artroses;
• Depressão e ansiedade crônicas;
• Diminuição da expectativa de vida.
Tratamento da Obesidade Infantil
Segundo especialistas, o caminho mais indicado para o tratamento da obesidade infantil é a mudança no estilo de vida, aliada a uma alimentação de qualidade e a prática de exercícios físicos.
Como a criança está em fase de crescimento, em alguns casos, em que não há risco de desenvolver outras doenças, é recomendado a manutenção do peso do menor. Pois, o desenvolvimento da criança pode fazer com que ela entre na faixa ideal do IMC. Já nos casos em que há riscos de desenvolver doenças mais graves, o emagrecimento deve ser acompanhado por especialistas, através de uma dieta saudável e prática de exercícios.
Alimentação
Alguns ajustes na alimentação das crianças podem ser fundamentais para evitar a obesidade infantil e contribuir para uma saúde de qualidade, como:
• Alimentação regada a frutas, legumes e vegetais;
• Consumo de alimentos integrais;
• Evitar alimentos enriquecidos de açúcar, sódio e gordura, como os biscoitos;
• Reduzir o consumo de alimentações em fast-food.

A reeducação alimentar é fundamental para evitar a obesidade infantil (Foto: Pixabay)
Prática de atividade física
Para as crianças, as atividades físicas podem ser fundamentais para a queima de colorias, assim como para o fortalecimento dos ossos. Além disso, alguns hábitos como brincadeiras, jogos, aulas de dança, academia, esportes, entre outras coisas, podem contribuir para melhorar o humor e ajudar no sono.
Medicamentos
Nos casos mais graves da doença, podem ser indicados medicamentos. Porém, o uso de tratamentos farmacológicos não é muito recomendado para crianças e adolescentes. Vale ressaltar que os medicamentos não substituem a adoção de novos hábitos de vida, como dieta e prática de exercícios.
Cirurgia
Nas crianças, a cirurgia bariátrica só é recomendada em último caso, por se tratar de um procedimento com riscos de complicações. Além disso, a cirurgia não é garantia de que a criança irá manter o peso perdido. A cirurgia não substitui a necessidade em manter uma dieta balanceada, aliada as atividades físicas.