Doença infectocontagiosa causada pelo poliovírus
A poliomielite, popularmente conhecida como paralisia infantil, é uma doença viral causada pelo poliovírus (sorotipo I, II e III). Existem dois tipos de pólio: a paralitica e a não - paralítica, que pode causar a paralisia total ou parcial dos membros inferiores.
A doença é adquirida através do contato direto com pessoas infectadas, por meio da secreção expelida pela boca, mucos e catarros, ou fezes. Embora seja mais comum em crianças, a pólio pode atingir adultos que não tomaram a vacina.
Causas
O principal motivador da poliomielite é a infecção pelo poliovírus. Quando a pessoa contrai o vírus, ele passa pela boca, espalhando-se pela garganta e intestino, local onde fica hospedado.
Ao atingir a corrente sanguínea, o vírus pode chegar ao cérebro e, se isso acontecer, a infecção atingirá o sistema nervoso central, levando a paralisia dos membros inferiores. A poliomielite pode causar inclusive a morte, caso o vírus alcance as células nervosas que controlam os músculos de deglutição e respiração.
Tipos de poliomielite
A poliomielite é classificada em dois tipos: a não-paralitica e a paralítica.
Poliomielite não - paralítica
É o tipo mais comum da doença e que, normalmente, mais afeta as pessoas. No início, os sintomas são bem parecidos com o de uma gripe ou resfriado, por isso, muitas vezes, a doença pode passar despercebida.
Os sintomas incluem: febre, dor de garganta, dor de cabeça, fadiga. As ocorrências mais graves desse tipo de poliomielite incluem: vômitos, rigidez dos membros superiores ou inferiores, meningite, etc. Nesse casos, os sintomas duram de um a dez dias.
Poliomielite paralítica
Esse é o lado mais agravante da doença. No começo, os sintomas são parecidos com o da pólio não paralítica, incluindo febre alta, dores pelo corpo e na cabeça, mas depois evoluem para perda de reflexos, dores musculares graves, fraqueza, e flacidez dos membros inferiores até atingir a paralisia total ou parcial.
A pólio paralítica recebe outros nomes de acordo com a região do corpo afetada. Dessa forma, pode ser chamada de poliomielite espinhal, quando atinge a medula espinhal; poliomielite bulbar, quando atinge o tronco cerebral; ou poliomielite bulbospinal, quando atinge os dois.
A paralisia muscular, principal sequela da pólio-paralítica, pode ser temporária ou permanente. Além disso, algumas pessoas podem desenvolver deformidades nos pés, tornozelos e quadris.

Criança com paralisia muscular, causada pela poliomielite. (Foto: Pixabay)
Transmissão
Por ser uma doença altamente contagiosa, além do contato direto com pessoas infectadas, o vírus é transmitido através de água contaminada, alimentos mal lavados e pelo ar. Por isso, regiões que sofrem com a falta de saneamento básico têm mais propensão em adquirir a doença, já que as pessoas estão submetidas a condições inadequadas de higiene.
Depois de contrai-la a pessoa entra em fase de incubação, que é o período entre a contaminação com o vírus e a aparição dos primeiros sintomas. Esse momento varia de 5 a 35 dias, ficando mais intenso entre 7 e 14 dias. A pessoa infectada já consegue transmitir a doença após uma semana de adquirida.
Sintomas
Como já foi dito, a poliomielite pode ser assintomática ou apresentar sintomas característicos de gripe e de outras doenças causadas por vírus. O quadro mais grave da pólio é quando ela causa a paralisia dos membros inferiores ou quando ataca as células nervosas, levando à morte.
Contudo, existe a Síndrome pós-pólio, que é quando, depois de anos (em média 35 anos) que foi infectada pelo vírus, a pessoa começa a apresentar outros sintomas relacionados. Eles incluem: dor nas articulações, dor nas costas, oscilações de humor, distúrbios respiratórios, intolerância ao frio, dificuldade para engoli ou respirar, atrofia muscular, etc.
Tratamento
Por ser uma doença viral, não dispõe de um tratamento específico, já que o corpo produz anticorpos necessários para combater o vírus. Contudo, no período de incubação algumas medidas podem ser tomadas a fim de amenizar os sintomas, como: manter o corpo em repouso absoluto, manter uma alimentação saudável, fazer uso de analgésicos e antitérmicos, e, em casos de deformidades, fazer acompanhamento com fisioterapeuta.
A maneira mais eficaz de prevenir a doença é através da vacinação. Atualmente, existem dois tipos. A principal é a vacina VPO-Sabin, administrada em gotinhas, que faz parte do Calendário Nacional de Vacinação.
Essa vacina deve ser aplicada aos 2,4,6, e 15 meses de idade. Anualmente, até completar os cinco anos de idade, a criança deve receber doses de reforço. Ela protege contra os três tipos de poliovírus.
Além disso, a vacina é composta por antibióticos (conservantes) e termoestabilizadores, como cloreto de magnésio, aminoácidos ou sacarose. O segundo tipo da vacina é denominada de VIP ou Salk, administrada via intramuscular e indicada para adultos que não tomaram a vacina quando crianças ou pessoas com baixa imunidade e expostas ao vírus.
Casos de poliomielite no Brasil
No final da década de 1980, o Brasil sofreu com surtos de poliomielite, mas graças as campanhas de vacinação que foram realizadas ao longo dos anos a doença foi erradicada do país desde 1990. Entretanto, algumas pessoas que não tomaram a vacina sofrem com as dificuldades provocadas pela doença até os dias atuais.