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Relações Desarmônicas

Postado por Adriana Lopes em 05/01/2019 e atualizado pela última vez em 22/07/2020

São as interações entre seres vivos que causam um dano a uma das partes


Relações Desarmônicas são aquelas que ocorrem entre seres vivos e causam prejuízos a uma das partes envolvidas. Elas compõem as relações ecológicas, que consistem nas interações que acontecem entre todos os organismos, com o intuito de manter a sobrevivência e se reproduzirem. Além das relações desarmônicas, existem também as relações harmônicas que são justamente o oposto, ocorrem quando todos os envolvidos são beneficiados.

É importante destacar que, apesar de prejudiciais para determinada espécie em algum momento, as relações desarmônicas possuem uma grande importância para o meio ambiente. Isso porque proporcionam o controle das populações e equilíbrio dos ecossistemas.

Tipos de relações desarmônicas


De maneira geral, tanto as relações harmônicas como as desarmônicas podem ser classificadas em:

Intraespecíficas ou homotípicas: ocorrem com organismos vivos da mesma espécie.
Interespecíficas ou heterotípicas: entre indivíduos de espécies diferentes. 

Dentro dessa classificação, as relações desarmônicas são as seguintes: canibalismo, competição, predatismo, parasitismo e amensalismo.


Relações desarmônicas são as interações entre indivíduos em que um deles é prejudicado. (Foto: Pxhere)

Canibalismo

O canibalismo é um tipo de relação desarmônica intraespecífica que ocorre quando um ser vivo se alimenta de outro da mesma espécie. Apesar de parecer extremamente prejudicial, é considerado um mecanismo de controle populacional importante.

É o que ocorre com o tubarão-mangona. Eles praticam o canibalismo chamado uterino da seguinte forma: o embrião mais desenvolvimento alimenta-se dos outros embriões ainda no útero da mãe, o que é prejudicial levando a espécie a correr riscos de extinção. 

Os peixes guppies de aquário são outro exemplo: eles se alimentam do próprio filhote, o que ajuda a controlar o tamanho da população. Já o louva-a-deus fêmea se alimenta da cabeça do macho ainda vivo, de onde obtém os nutrientes necessários para finalizar o processo de reprodução.

Competição

Esse tipo de relação intraespecífica consiste na disputa entre indivíduos da mesma espécie, seja por território, parceiros sexuais, alimento, entre outros motivos. De maneira geral, nesses casos ocorre um controle populacional, mas pode haver também a extinção de determinada espécie no fenômeno chamado de princípio da exclusão competitiva ou princípio de Gause.

Desenvolvido pelo ecólogo russo Georgy Gause, aos 22 anos, essa teoria surgiu a partir de suas observações de duas espécies do reino protista, a Paramecium aurelia e a Paramecium caudatum. Ambas foram cultivadas separadamente, o que resultou em um crescimento das duas espécies. 

Gause decidiu então cultivá-las juntas, o causou a extinção da Paramecium caudatum por conta do crescimento acelerado da aurelia. Dessa forma ele concluiu que espécies que necessitam dos mesmos recursos para sobreviver não podem viver no mesmo local, pois causará uma competição e a menos adaptada desaparecerá.

Predatismo

O predatismo já um tipo de relação interespecífica que acontece quando um indivíduo (predador) mata outro (presa) para sua subsistência. O predador é portanto, responsável pelo controle populacional das suas presas, pois caso seja retirado da teia alimentar, pode impactar significativamente todos os demais seres envolvidos podendo causar, inclusive, uma superpopulação, como por exemplo as pragas que devoram toda a vegetação.

É Comum entre os carnívoros, mas ocorre também entre os herbívoros. Algumas espécies de formigas, lagartas e gafanhotos que devoram a vegetação de forma predatória são alguns exemplos.

Dessa maneira, os predadores podem ser divididos em quatro tipos a partir da maneira como se alimenta:

Monófagos: são os indivíduos que se alimentam de apenas um tipo de presa.
Estenófagos: são as espécies que, apesar de ter uma alimentação menos rigorosa como os monófagos, alimentam-se de um número pequeno de espécies de presas.
Oligófagos: são os seres que se alimentam de uma variedade de outras espécies.
Polígafos: são aqueles que se alimentam de qualquer presa.

Pode-se citar como exemplos de predadores as aves de rapina, cobra cascavel, aranha armadeira, leão, tigre, hiena, onça-pintada, tubarão, lince, lobo, peixes, além do homem.

Parasitismo

É o tipo de relação que ocorre entre indivíduos de espécies diferentes da seguinte maneira: uma delas, o parasita, vive no interior ou exterior de um indivíduo chamado de hospedeiro, alimentando-se dele. Com relação a esse processo, há uma tendência de ambos adaptarem-se um ao outro, vivendo uma relação equilibrada denominada coadaptação

O parasitismo ocorre tanto entre animais, com os ectoparasitas (se prendem na superfície externa do hospedeiro) e endoparasitas (se fixam dentro do corpo do hospedeiro), como nas plantas, entre as espécies que não realizam fotossíntese.

Nos seres humanos, algumas doenças tem como causa parasitas. Alguns exemplos são a ascaridíase, causada pelo Ascaris lumbricoides, conhecido também como lombriga, e que se aloja no intestino do ser humano (hospedeiro), e a teníase, provocada pela Taenia, chama de solitária, também encontrada no intestino humano.

Amensalismo

Conhecido também como antibiose, é uma relação interespecífica que ocorre quando uma espécie inibe o desenvolvimento de outra. É comum em ambientes em que recursos ambientais são escassos, portanto, no amensalismo ocorre também uma espécie de competição.

Um exemplo são as raízes de algumas espécies de plantas que dificultam a germinação de outras. As primeiras se beneficiam na obtenção de recursos necessários para a sua sobrevivência.

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