Doença causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis
A tricomoníase é uma infecção causada pelo protozoário Trichomonas Vaginalis, que é transmitido através da relação sexual desprotegida, ou seja, trata-se de uma Doença Sexualmente Transmissível (DST).
Estima-se que, anualmente, aproximadamente 143 milhões de pessoas no mundo estão infectadas pelo parasita. Por ser considerada uma doença assintomática, cerca de 70% dos casos não apresentam nenhum tipo de sintoma, logo o individuo não percebe que foi infectado.
Em mulheres, a doença é mais recorrente e corresponde a aproximadamente 90% dos casos. Os sintomas, quando aparecem, também são diferentes entre homens e mulheres, mas, de modo geral, há odor forte, coceira intensa e ardor na região genital.

Trichomonas vaginalis. (Foto: Flickr)
As doenças sexualmente transmissíveis são um grave caso de saúde pública. A tricomoníase, por exemplo, corresponde a mais de 50% das infecções relacionadas às relações sexuais. A infecção causada pelo Trichomonas vaginalis aumenta o risco de contrair a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), Papiloma vírus humano (HPV) e sífilis, dentre outras enfermidades.
Como as mulheres são as mais afetadas pela tricomoníase, o risco de desenvolver complicações durante a gravidez é eminente, bem como a transmissão da infecção para bebê durante o parto.
O diagnóstico da doença pode ser realizado através de exames laboratoriais. O uso do preservativo durante o sexo previne a tricomoníase e outras DSTs, além de evitar gravidezes indesejadas.
Características do Trichomonas vaginalis
O protozoário Trichomonas vaginalis mede de 10 µm a 30 µm de comprimento por 5 µm a 12 µm de largura e tem forma alongada, piriforme ou ovoide. Ele foi descoberto pelo francês Alfred Donné em 1836, mas somente em 1916 foi reconhecido como o agente causador doença.
Esse parasita anaeróbico precisa de glicose para o seu crescimento e reprodução. Alimenta-se principalmente de carboidratos, mas quando necessário também de aminoácidos, principalmente arginina, treonina e lucina.
Em mulheres, o Trichomonas vaginalis se instala na mucosa vaginal e na uretra. As células epiteliais da região permitem a sua aderência, bem como sobrevivência e reprodução. Durante o fluxo menstrual, o parasita captura nutrientes que são essenciais para a sua regulação genética.
Nos homens, o parasita habita o prepúcio (camada que encobre a glande do pênis), próstata e uretra. Tanto em homens quanto mulheres, o Trichomonas vaginalis não é capaz de sobreviver fora do sistema urogenital.
Transmissão
A transmissão geralmente ocorre quando o parasita espalha do pênis para a vagina ou da vagina para o pênis. É incomum a infecção atingir outras partes do corpo como as mãos, a boca e o ânus.
Veja abaixo o ciclo de transmissão e comportamento do parasita:

Ciclo do parasita. (Foto: Wikipédia)
1 - O protozoário habita o baixo trato genital feminino e a uretra e a próstata masculina;
2 – Nos locais mencionados, o protozoário se multiplica por fissão binária e gera colônias. No ambiente externo ao corpo do indivíduo, ele não é capaz de sobreviver;
3- A transmissão acontece apenas entre humanos, que são seus hospedeiros naturais.
Em casos raros, a doença pode ser transmitida através do contato com o parasita em banheiros públicos ou compartilhamento de objetos pessoais como calcinhas, cuecas, toalhas, etc.
Sintomas
Em cerca de 50% dos casos, o período de incubação do Trichomonas vaginalis é de 4 a 28 dias. A maioria dos infectados não apresenta sintomas, mas quando aparecem são diferentes em homens e mulheres. Confira abaixo os principais sinais:
Mulheres
• Disúria (ardor ao urinar);
• Dor abdominal (raro);
• Dor durante relações sexuais;
• Irritação vulvovaginal;
• Poliúria (necessidade de urinar várias vezes ao dia);
• Secreção com odor pútrido, do tipo “cheiro de peixe” (40% dos casos);
• Secreção vaginal espumosa com coloração branco, amarelada ou marrom;
• Vaginite (inflamação na vagina).
Homens
• Disúria (ardor ao urinar);
• Irritação na parte interna do pênis;
• Poliúria (necessidade de urinar várias vezes ao dia);
• Secreção espumosa que parece pus;
• Uretrite (inflamação da uretra).
Complicações na gravidez
O índice de tricomoníase na gravidez é de 3 a 5%, o que é considerado alto. A infecção pode ser transmitida de mãe para filho durante o parto, mas além disso a criança pode desenvolver problemas como:
• Déficit de atenção;
• Nascimento prematuro;
• Baixo peso ao nascer.
Tratamento
Geralmente, o tratamento da tricomoníase é realizado com uso de antibióticos, como metronidazol, secnidazol, tinidazol ou outros indicados por um médico ginecologista ou urologista. Todos os parceiros sexuais também devem ser medicados, a fim de evitar a reinfecção.
A medicação é ministrada por via oral e em aproximadamente uma semana ela é capaz de eliminar do corpo o parasitada causador da doença. No período do tratamento, não é indicado consumir bebidas alcoólicas e manter relações sexuais.