Doença transmitida pelo Aedes aegypt
Zika é um vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypt – mesmo causador da dengue e chikungunya –, que causa aos seus portadores sintomas como febre, dor de cabeça e manchas vermelhas no corpo. Em casos mais graves, o vírus pode causar danos neurológicos como a Síndrome de Guillain-Barrè e microcefalia em bebês.
Entre os anos de 2015 e 2016, o mundo passou por uma epidemia de Zika, foram registrados casos nos cinco continentes. No Brasil, a doença teve seu primeiro caso registrado em 2015 e até ao final de 2016 afetou de 10% a 15% da população brasileira.
Descoberta do vírus Zika
O vírus Zika foi identificado pela primeira vez em 1947 em um macaco-rhesus, capturado na floresta de Zika, em Uganda. A infecção em humanos aconteceu na Nigéria, em 1954. Sua chegada ao Brasil é baseada em três teorias:
• Introdução por meio da Copa das Confederações, em 2013.
• Introdução por meio durante a Copa do Mundo, em 2014;
• Introdução através de atleta oriundo da Ásia que estava com a viremia (presença de vírus no sangue) e participou de um evento de canoagem no Rio de Janeiro, em 2014.
Quanto as suas características, o vírus Zika pertence ao gênero flavivírus, assim como o Dengue Vírus (DENV) e Febre Amarela (YFV). É classificado também como um arbovírus – tipo de vírus transmitido aos humanos por artrópodes hematófagos, a exemplo do mosquito.

Cápside do vírus do Zika. (Foto: Wikipédia)
O ciclo de vida do Aedes aegypti
O Aedes aegypti é uma espécie de mosquito proveniente da África, mas atualmente está presente por quase todo o mundo, especialmente nas regiões tropicais e subtropicais. Ele adapta-se bem em zonas urbanas e precisa de água parada (não necessariamente limpa) para se reproduzir.
O ciclo de vida do mosquito começa quando a fêmea deposita os seus ovos na água parada ou na borda de recipientes que possam acumular o líquido, por exemplo, borda de baldes, bacias e latas de lixo, além de bromélias e pratos de plantas. Esses ovos podem permanecer por até 450 dias em um local seco à espera de água para eclodir.
A eclosão ocorre quando a água entra em contato com o recipiente dando origem às larvas, que possuem cabeça, tórax e abdômen. A fase larval possui quatro estágios, com uma média de cinco dias.
Da larva surge a pulpa, estágio no qual o futuro mosquito possui um formato de vírgula e não se alimenta. Após dois dias, a pulpa se transforma em mosquito, que se alimenta de frutos e sucos de alguns vegetais, além de desenvolver um padrão de cor característico: listras e manchas brancas em um corpo preto.
Ao alcançar a fase adulta, após alguns dias o mosquito já está apto para a cópula, que geralmente acontece durante o voo. Após fecundada, a fêmea precisa de sangue para amadurecer os seus até 3 mil ovos. É nesse momento que pode acontecer a transmissão do vírus.
Até então, sabe-se que a principal forma de transmissão do vírus da Zika é através da picada do mosquito Aedes aegypti. Não há evidências de transmissão do vírus por meio do leite materno, da urina, do toque e da saliva, apesar de serem encontrados vestígios nesses fluidos.
Há indícios de que o Zika pode ser sexualmente transmissível. Em função disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou o guia de prevenção da transmissão sexual do vírus Zika. O órgão recomenda a prática de sexo seguro e para os casais que desejam conceber um filho, que observem se apresentam algum dos sintomas da doença.
Dengue, Zika e Chikungunya: entenda a diferença
A Zika apresenta sintomas de uma doença leve e pode até ser confundida com a dengue. Após a picada do mosquito, a pessoa infectada apresenta os primeiros sintomas em até três dias.
Confira abaixo na tabela os principais sintomas da dengue, chikungunya e zika:
Sintomas | Dengue | Chikungunya | Zika |
Febre | Febre alta (>38º) | Febre alta (>38º) | Ausente ou baixa |
Dores nas articulações | Dores leves | Dores intensas | Dores moderadas |
Manchas vermelhas na pele | Não aparece de imediato | Após 48 horas | Quase sempre presente |
Coceira | Leve | Leve | Moderada ou intensa |
Vermelhidão nos olhos | Leve | As vezes presente | Presente em 50% dos casos |
Dores musculares | Quase sempre presente | Presente em 30% dos casos | Presente em 65% dos casos |
Sangramentos | Moderado | Leve | Ausente |
Diagnóstico, tratamento e prevenção
Em 80% dos casos, os sintomas da Zika não são visíveis, por esse motivo o diagnóstico mais seguro é realizado através de três tipos de exames:
• Isolamento viral: técnica complexa, geralmente restrita a laboratórios de pesquisa;
• RT-PCR: detecção do material genético do vírus, frequentemente realizada nos primeiros dias de doença;
• Sorologia: junção de vários métodos, podendo ser realizada após do RT-PCR com resultado negativo.
O tratamento da vírus Zika consiste em medicamentos também utilizados para dor e febre, além de descanso e reposição de líquidos. O uso de ácido acetilsalicílico (AAS) e outros anti-inflamatórios não são indicados, pois podem aumentar o risco de hemorragias.
Como o Aedes aegypti é o principal vetor do vírus, a melhor prevenção consiste na eliminação do mosquito. Confira algumas dicas:
• Coloque tela nas janelas;
• Limpe as calhas;
• Use de repelentes;
• Evite o acúmulo de água;
• Coloque areia nos vasos de plantas.