A educação física para todos
A Educação Física Inclusiva traduz-se em “educação física para todos”, cujo principal objetivo é garantir o desenvolvimento afetivo, cognitivo e psicomotor não só dos estudantes com deficiência, mas de todos os estudantes.
No contexto educacional brasileiro, a educação física era vista como disciplina voltada apenas à prática da ginástica, com a finalidade de deixar o corpo saudável. Contudo, após reformas na concepção da própria disciplina, percebeu-se que ela pode contribuir na educação moral e intelectual dos estudantes.

A integração do estudante com deficiência é a base da Educação Física Inclusiva. (Foto: Pixabay)
Entre os benefícios da Educação Física Inclusiva podemos citar:
• Desenvolvimento motor
• Contribuição para a integração social;
• Colaboração no desenvolvimento autoconfiança;
• Melhora na autoestima;
• Redução do estresse;
• Prevenção de doenças do coração e respiratórias.
Todos benefícios citados podem e ser estendidos aos estudantes que possuem qualquer tipo de deficiência, afinal esses são os efeitos esperados com a Educação Física Inclusiva.
Dentre as modalidades de educação física voltada para estudantes com deficiência duas se destacam: a Educação Física Adaptada, onde o deficiente pratica as atividades físicas separado dos colegas de classe e a Educação Física Inclusiva, onde o deficiente é integrado aos demais estudantes.
Histórico da Educação Física Inclusiva
Os esportes voltados para pessoas com deficiência se firmaram ao final da Segunda Guerra Mundial, a partir dos jogos do Stoke Mandeville Hospital, na Inglaterra, criados para soldados em reabilitação.
O evento realizado em Stoke Mandeville desencadeou os Jogos Paralímpicos - maior evento esportivo mundial envolvendo pessoas com deficiência -, realizado pela primeira vez no ano de 1960, na cidade de Roma.
O esporte adaptado chegou ao Brasil por volta da década de 50 e aos poucos foi inserido no contexto escolar. A princípio, os estudantes com deficiência eram frequentemente dispensados das aulas, afinal a disciplina era seletiva e pessoas com algum tipo de limitação não se enquadravam.
Deste modo, a Educação Física Inclusiva surge no país com a proposta de promover a equiparação de oportunidades e respeito às diferenças. Professores, funcionários e demais estudantes, antes de tudo, precisam ser sensibilizados sobre o tema para então acolher os deficientes.
Legislações
Não existem legislações nem políticas públicas exclusivas para a Educação Física Inclusiva no Brasil. Porém, duas iniciativas governamentais visam assegurar e promover condições igualitárias aos deficientes no âmbito educacional: a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN).
A LBI, em seu capítulo IV – Do direito à educação diz que:
Incumbe ao poder público assegurar, criar, desenvolver, implementar, incentivar, acompanhar e avaliar: acesso da pessoa com deficiência, em igualdade de condições, a jogos e a atividades recreativas, esportivas e de lazer, no sistema escolar. (Art. 28, parágrafo XV).
Já a PCN, voltada para disciplina educação física diz que:
O princípio da inclusão do aluno é o eixo fundamental que norteia a concepção e a ação pedagógica da Educação Física escolar, considerando todos os aspectos ou elementos, seja na sistematização de conteúdos e objetivos, seja no processo de ensino e aprendizagem, para evitar a exclusão ou alienação na relação com a cultura corporal de movimento. (PCN, 1998)
Atividades físicas inclusivas
Passa repassa (Deficientes físicos)
Como princípio da Educação Física Inclusiva podem participar dessa atividade estudantes com deficiência física ou não. Todos devem sentar espalhados em uma quadra coberta, dois estudantes ficam sentados nas pontas.
Os participantes das pontas iniciam a partida, através da troca de passes de bola, enquanto os demais que estão no centro da quadra tentam pegá-la sem tirar o quadril do chão. O estudante que conseguir pegar a bola troca de lugar com aquele que a jogou.
Minitênis (Deficientes físicos)
Essa é mais uma atividade de Educação Física Inclusiva e tem como objetivo fazer a bola cruzar a rede, assim como no vôlei tradicional, mas com regras flexíveis. O tamanho da quadra é adaptada aos estudantes, para tal, são realizadas demarcações no chão com giz.
Para confecção dos equipamentos pode-se abusar da criatividade. Um papelão grosso pode dar origem forma às raquetes, folhas de jornal amassadas podem se transformar em bola e as telas de janela (utilizadas contra insetos) podem fazer ser a rede, sustentada por tubos de PVC presos em pneus.
Caranguejobol (Deficientes auditivos)
Duas equipes devem ser formadas com o mesmo número de participantes. Cada equipe ocupará metade da quadra com objetivo defender seu gol e tentar fazer gol na equipe adversária.
Os participantes só podem se movimentar pela quadra sentados ou suspendendo o quadril, apenas com o apoio apenas das mãos e dos pés – usados para o chute. Após um gol, o jogo é reiniciado pela equipe que levou o gol. Vence a equipe que fizer a maior pontuação.
Pegue o rabo (Deficientes auditivos)
A turma deve ser dividida em duas equipes com o mesmo número de participantes. Cada participante ganhará um jornal, que deve ser preso na roupa próximo da cintura, representando o "rabo". O objetivo de cada equipe é roubar o rabo dos participantes da equipe adversária. Vence quem conseguir roubar todos os rabos do adversário primeiro.
Pegue o balão (Deficientes físicos)
Para realizar essa atividade, todos os estudantes devem ficar sentados e amarrar um balão na cintura, os cadeirantes devem amarrar os balões na cadeira. Cada jogador deve tentar estourar o balão do colega e ao mesmo proteger o seu. Vence aquele que ficar com o balão intacto enquanto os dos outros colegas estiverem estourados.
Adivinhe pelo tato (Deficientes visuais)
Todos os participam devem ser divididos em dois ou três grupos. Cada participante estará com os olhos vendados e terá a oportunidade de sentir vários objetos (lápis, frutas, livro, brinquedos, etc.). Vence o grupo que acertar o maior número de objetos.