Esporte praticado no fundo do mar
O mergulho é a atividade de submergir dentro d’água que pode ser praticado com ou sem o auxílio de um aparelho de respiração. Ele pode ser realizado de forma autônoma, livre (controlando a respiração) ou dependente. Entre os historiadores, há relatos de que o mergulho tenha iniciado na Grécia Antiga. Nessa época, a atividade era praticada com o intuito de recuperar objetos valiosos perdidos durante os naufrágios ou para dar apoio às companhias militares. Além disso, os mergulhadores faziam a retirada de corais vermelhos, conchas e peixes de dentro mar.
As guerras também serviram de incentivo para o aperfeiçoamento do mergulho, pois a técnica era utilizada em resgates ou para atacar inimigos. Nesses casos, os mergulhadores desciam 30 metros por até 5 minutos, e amarravam um peso de 15 kg para facilitar a descida. As roupas utilizadas eram feitas de pano. Nos dias atuais, o mergulho restringe-se às profundidades mais rasas, devido aos efeitos provocados pela pressão das áreas mais profundas, ainda que as roupas dos mergulhadores sejam adequadas.
Tipos de mergulho
Ao todo, o mergulho dispõe de três modalidades principais:
Apneia ou mergulho livre: é quando o mergulhador não utiliza nenhum equipamento durante a submersão aquática. Na apneia, a respiração ficará presa pelo tempo que a pessoa suportar;
Mergulho autônomo: nessa modalidade, o mergulhador fará o exercício com o auxílio de um equipamento de respiração;
Mergulho dependente: nessa modalidade, o equipamento de respiração não é levado pelo próprio mergulhador para a água. A alimentação é feita por um suprimento localizado na superfície que transfere oxigênio com auxílio de uma mangueira e um compressor de ar. Conheça melhor os detalhes de cada tipo de mergulho:
Mergulho autônomo
Ele permite que o mergulhador permaneça por mais tempo embaixo d’água por ter o apoio de equipamentos que auxiliam na respiração. Está dividido em duas modalidades:
Recreativo: também conhecido por mergulho esportivo, nessa modalidade recomenda-se que o mergulhador atinja um limite de 40 metros de profundidade devido à alta pressão. Os manuais de várias certificadoras apontam a profundidade limite para esse tipo de mergulho;
Técnico: essa modalidade utiliza equipamentos e procedimentos especiais capazes de estender o tempo de submersão na água com segurança. Diferente do mergulho recreativo, o técnico não é limitado pelas tabelas certificadoras de mergulho. Ele é muito praticado em ambientes de teto como as cavernas submersas, por exemplo. O mergulhador tem à sua disposição cilindros preenchidos de gases ricos em oxigênio como o Nitrox, usado para acelerar a eliminação de nitrogênio acumulado, em virtude da alta pressão na profundidade. A maioria dos mergulhadores preferem usar uma mistura de gases para evitar o desconforto como, por exemplo, o Trimix. Essa prática exige do profissional um treinamento especializado para o aprimoramento de técnicas e procedimentos de emergência.
Mergulho livre
O mergulho livre reúne algumas modalidades competitivas e outras não. Entre as principais, vale destacar os:
Mergulho contemplativo: praticado apenas por mergulhadores que querem admirar o ambiente aquático como um esporte de lazer;
Lastro constante: o mergulhador imerge na água usando um cilindro de lastro como apoio;
Lastro variável: O mergulhador desce a profundidade com o auxílio de lastro controlado (sled), ligado ao cabo-guia.
Imersão livre: essa é uma modalidade para quem gosta de se aventurar. Nela, o mergulhador utiliza um cabo para descer o máximo que conseguir e em seguida retornar à superfície. Ele pode ser praticado com o apoio de um cabo-guia ou com o uso de nadadeiras. Nas competições, o mergulhador é monitorados por equipes de apoio. No Brasil, é possível destacar três referências mundiais no mergulho livre como a mergulhadora Karoline M Meyer, que foi sete vezes recordista mundial, Ricardo da Gama Bahia, recordista mundial do Guinness Book, e Carolina Schrappe, recordista sul americana.
Mergulho dependente
Essa modalidade é mais praticada de forma profissional. O suprimento respiratório utilizado é composto de uma mistura de vários gases. Além do oxigênio, tem o nitrox, o heliox e o trimix, que são recebidos por meio de um tubo umbilical. Nesse mergulho, os profissionais são monitorados por estações de controle localizadas na superfície, já que ele é muito utilizado no reparo de estações de tratamento de água, construções civis e plataformas de petróleo.

Exemplo de mergulho livre. (Foto: Pexels)
Riscos
O mergulho pode ser considerado um dos esportes radiciais ou de aventura que oferecem, além do prazer, riscos aos praticantes. Um dos maiores perigos oferecidos pela atividade de submersão na água é a quantidade excessiva de nitrogênio no corpo. Por medida de segurança, o recomendado é que entre uma imersão e outra, o profissional respeite um intervalo de aproximadamente 12 horas. Pois, a substância em grande quantidade pode causar alguns males como a narcose, por exemplo. O efeito da narcose é muito semelhante aos sintomas causado pelo álcool no corpo. Isso quer dizer que quando o nitrogênio é respirado sob pressão, ele causa efeitos desconfortáveis no profissional e pode levar horas para ser completamente eliminado pelo organismo.
Além disso, caso o profissional ultrapasse o tempo e a profundidade estabelecida em tabela, a quantidade de nitrogênio será ainda maior no sangue e nos tecidos. Então, se houver uma subida rápida para a superfície, as bolhas do nitrogênio serão eliminadas de maneira muito intensa, o que pode causar uma hemorragia ou parada cardiorrespiratória. Já se o tempo de subida for respeitado, as bolhas serão eliminadas naturalmente pela respiração.
A embolia traumática é outro efeito grave provocado pelo mergulho. Ela caracteriza um acidente que ocorre quando o ar fica contido nos pulmões do mergulhador. No caso do mergulho técnico, por exemplo, o profissional não pode prender a respiração enquanto sobe a superfície, pois com a pressão o ar se expande pelo corpo e a sua eliminação incorreta pode estourar os pulmões.