0

Sua mochila está vazia!

O mito e a filosofia

Postado por Thamires Santos em 18/11/2020 e atualizado pela última vez em 18/11/2020

Saberes que buscam o conhecimento do mundo 

Embora sejam vistos como opostos, o mito e a filosofia possuem a mesma finalidade: explicar a origem do mundo e as causas que levam as transformações ou repetições das coisas. Contudo, os caminhos que percorrem para tal que trazem as suas diferenças. 


Enquanto a filosofia baseia-se na razão e lógica para embasar os estudos e reflexões sobre a existência humana, o conhecimento, os valores morais e estéticos, e os pensamentos, o mito recorre a esclarecimentos apoiados em crenças e narrativas atreladas aos fenômenos da natureza para compreender a origem das coisas. 


Apesar dessas distinções, acredita-se que o surgimento da filosofia na Grécia Antiga, no final do século VII antes de Cristo, também foi possível – além das condições econômicas, sociais e políticas vivenciadas na época – em virtude dos questionamentos diante da mitologia e substituição por argumentos racionais. 


Para o entendimento dessas vertentes que buscam desvendar origens, é importante saber as definições sobre o mito e a filosofia. Conheça, a seguir, como cada um é formulado. 


O que é mito? 


A palavra mito vem do grego mythos, que deriva de dois verbos: mytheyo, que significa contar, narrar, e mytheo, que remete à conversar, contar, anunciar. De acordo com essa significação, é uma narrativa que tenta explicar os acontecimentos e fenômenos da natureza. Essa é a forma de pensamento que depende da autoridade e credibilidade do poeta-rapsodo – pessoa escolhida pelos deuses para ter conhecimento sobre a origem de todos os seres e coisas, e transmiti-las ao público. 


O mito então é considerado verdadeiro, incontestável e inquestionável pelo fato de ser uma revelação divina. Por isso, os relatos sobre o surgimento do mundo e de tudo que nele existe é sempre atrelado a determinadas situações, como nascimento dos deuses, rivalidades e alianças entre as divindades, ou o envio de recompensas ou castigos para a humanidade. 


A narrativa da origem das coisas através de lutas, relacionamentos e acordos entre as forças divinas que governam o destino dos homens ainda classifica os mitos em:


  • Cosmogonias: narrativas em relação ao surgimento e organização do mundo a partir do nascimento dos deuses e do poder dos seus geradores (pai e mãe). 
  • Teogonias: histórias sobre a origem dos deuses a partir dos seus antepassados e pais. 

Escultura do filósofo Platão

O mito e a filosofia possuem uma relação de complementariedade. 
Platão, por exemplo, utilizava em seus escritos alguns conceitos vindos do pensamento mitológico. (Imagem: Wikimedia Commons) 


Como surgiu a filosofia? 


A filosofia, definida por Pitágoras como o “amor pela sabedoria”, é um campo do conhecimento que surgiu para contrapor o pensamento mítico predominante na Grécia e que serviu como base para o seu desenvolvimento. Com o passar do tempo, as histórias centralizadas no nascimento e vida dos deuses deixaram de satisfazer os homens, que então começaram a buscar um conhecimento racional, sistemático e lógico para responder os questionamentos diante da existência da vida e de tudo que há no mundo. 


A transição de narrativas divinas para os discursos filosóficos aconteceu de forma progressiva e motivada pelos seguintes fatores históricos:


Início das navegações marítimas: as viagens permitiram aos gregos a ruptura na concepção de que o mundo era habitado por deuses, titãs ou heróis. Os mitos sobre os monstros e seres sobrenaturais que controlavam os mares foi dando lugar a descoberta de novas civilizações e a necessidade de um entendimento em relação às suas origens. 

Invenção do calendário e da moeda: avanços que possibilitaram o cálculo do tempo, como as horas, minutos do dia e as estações do ano, e o começo das trocas de mercadorias com base em valores previamente estipulados. 

Criação da escrita alfabética: marcou a substituição dos desenhos por sinais que representavam as letras, sílabas e vogais, permitindo os registros de todas as ideias. 

Nascimento da política: as discussões sobre as formas de organização e funcionamento da sociedade criou condições para o surgimento das leis e, posteriormente, dos sistemas de governo, a exemplo da democracia. Os pensamentos gerados pela política foram de grande importância para a construção da filosofia. 


Distinções entre o mito e a filosofia


Como vimos, o mito e a filosofia se aproximam na questão da finalidade, mas apresentam significativas diferenças. Entre elas, encontram-se:


  1. O mito explica a origem do Universo e dos seres por meio das relações ou rivalidades entre as divindades, enquanto a filosofia como o resultado de causas naturais, racionais e impessoais. 
  2. A narrativa mítica não se preocupa com as incoerências, pois a crença na história é determinada pela autoridade divina do seu porta-voz. Já a filosofia não admite contradições e exige respostas formuladas racionalmente. O pensamento é colocado em análise, passa por discussões e demonstrações, até ser comprovada a sua veracidade.

Artigos Relacionados

O utilitarismo é uma doutrina que acredita nas ações como meio de promover a felicidade do maior número de pessoas possível.

Os sofistas eram professores itinerantes, tinham habilidade com a retórica e a oratória e seu ensino atraia, principalmente, os jovens.

O uso de sofisma é um perigo para a construção do conhecimento, pois essa estrutura de argumentação visa a manipulação do interlocutor.

Quer estudar
pagando menos?
Com o Educa Mais Brasil você estuda com desconto até o final do curso!
×Graduação
Curso que deseja estudar