Maior biodiversidade entre as savanas do planeta
O Cerrado, também chamado de savana brasileira, localiza-se na região Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal), mas também engloba o sul do Maranhão, oeste de Minas Gerais e pequenas porções de São Paulo.
Segundo maior bioma da América Latina, concentra 5% da biodiversidade do planeta e serve de base para as nascentes dos rios Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata. Além disso, abriga mais de 330 mil espécies de animais e plantas.

Ipê-amarelo-cascudo, umas das árvores típicas do Cerrado. (Foto: Wikipédia)
Cobertura vegetal
A vegetação do Cerrado possui mais de 11 mil espécies de plantas, sendo que 4.400 delas existem apenas nessas áreas, e 220 são de uso medicinal. Ao todo, onze tipos de coberturas dividem-se em savanas, florestas e campos. Nelas estão as arbóreas, herbáceas, arbustivas e cipós, que são separadas em dois grupos:
• Estrato lenhoso: zonas com árvores de grande porte e arbustos;
• Estrato herbáceo: zonas com ervas e subarbustos.
A vegetação lenhosa é marcada pelas árvores com troncos tortos, cascas grossas e raízes longas – composição propícia para a captação de água em grandes profundidades.
Já as herbáceas apresentam raízes pequenas, o que provoca o ressecamento das folhas nos períodos de seca. As caraterísticas dos estratos também são definidas pelo solo, que nesta região é poroso e pobre em nutrientes.
Apesar da capacidade de drenagem, a camada superficial de algumas áreas enfrentem recorrentes processos de lixiviação – retirada de material orgânico e inorgânico pelo escoamento da água.
A textura predominante é arenosa e argilosa, o que dificulta a obtenção de água. Por isso, as plantas que integram esses locais precisam das raízes profundas. Além desses fatores, o solo da savana brasileira retém consideráveis níveis de acidez.
Com a ausência de nutrientes, as práticas agrícolas ficaram comprometidas. Essa deficiência foi equilibrada com a introdução da calagem – técnica de correção da acidez.
Fitofisionomias do Cerrado
O Cerrado é separado em fitofisionomias – paisagens que são definidas em virtude do clima, solo ou relevo de cada fronteira. A extensão territorial e aglomerado de biomas possibilitam a formação dos seguintes cenários:
Campos limpos: áreas sem estrato lenhoso, com presença de gramíneas e livre para o deslocamento de animais.
Campo sujo: marcado pela predominância do estrato herbáceo. Também é conhecido como cerrado ralo.
Cerrado stricto sensu: principal vegetação desse bioma. É composta por árvores destorcidas, espessas e com raízes capazes de alcançar os lençóis freáticos.
Mata seca: variedades que nascem afastadas dos fluxos de água. As árvores de ipê-amarelo-cascudo, por exemplo, perdem as folhas e ramos nos tempos de verão seco.
Cerradão: possui árvores de porte médio e com muitas folhas. É a transição da mata seca para a de cerrado stricto sensu.
Mata de galerias: diferentemente da mata seca, esse tipo de cobertura é encontrada perto dos fluxos de água. Caracteriza-se por árvores grandes e com troncos lisos, além de folhas que permanecem verdes em todas as estações.
Veredas: vegetação que cresce nas proximidades de rios. É formada por árvores de médio porte e campos. É a integração dos campos limpos e sujos.
Cerrado rupestre: marcante em ambientes rochosos, é a vegetação do tipo serrana. As árvores de caju, pairo, murici e mangaba integram essa fitofisionomia.

O Cerrado já perdeu 236 mil quilômetros quadrados de extensão. (Foto: Pixabay)
Clima
O clima no Cerrado é definido por invernos secos e verões chuvosos, ou seja, tropical sazonal. As altas temperaturas e umidade contribuem com precipitações que alcançam os 1500 milímetros. Esse índice oscila em decorrência da dinâmica de cada área. Nas faixas próximas à Caatinga, por exemplo, as precipitações variam de 600 a 800 milímetros.
Os ciclos de seca iniciam-se em maio, estendendo-se até setembro. Já as chuvas começam em setembro e terminam em abril, no qual é comum os veranicos – breves momentos de seca. A temperatura anual é de 22°, alternando durante as estações do ano.
A incidência solar é intensa, pois na região os ventos fortes e constantes são escassos. Existe uma redução quando o verão chuvoso propicia nebulosidades. Assim, a umidade do ar pode atingir os 15%.
Fauna do Cerrado
A fauna da savana brasileira concentra mais de 830 espécies de aves, 1.200 de peixes, 180 de répteis e 190 de mamíferos.
Estudos indicam que 220 plantas nativas servem para fins medicinais, inclusive já utilizadas pelas indústrias farmacêuticas, como o barbatimão (cicatrizante), pacari (usado em tratamento de úlceras e gastrite) e rufão (serve para anemias e inflamações).
Os principais animas desse habitat são:
• Ema
• Cateto
• Seriema
• Jararaca
• Tamanduá- bandeira
• Tamanduá-mirim
• Gato mourisco
• Onça- pintada e parda
• Teiú
Você sabia?
- O Cerrado é conhecido pelo acúmulo de insetos. Somente na região do Distrito Federal existe 90 espécies de cupins, 1000 de borboletas e 500 de abelhas e vespas.
80% do carvão vegetal consumido em todo o país vem do Cerrado.
- O desmatamento na savana brasileira é 2,5 maior que na Amazônia, o maior bioma do país.
- A pouca fertilidade e elevada acidez do solo são responsáveis pela baixa estatura e os troncos retorcidos das árvores.