Estudo dos elementos culturais presentes nos territórios
A geografia cultural tem origem no século XIX e apoia-se no estudo dos acontecimentos culturais do mundo, como linguagem, religião, artes, governo e economia. De forma geral, a geografia cultural é a análise de todos os fenômenos de uma organização social.
Antes dos anos de 1970, a geografia cultural fazia parte da geografia humana. Com as concepções de Carl O. Sauer, considerado o pai dessa vertente, torna-se uma ciência autônoma. Entender as consequências das ações humanas no espaço é um dos principais objetivos da geografia cultural.
Por isso, essa parte da geografia engloba vários assuntos. Entre os muitos pontos observados por este campo científico estão: a geopolítica dos países, a globalização, a hegemonia cultural, a americanização e a análise das paisagens culturais, por exemplo.
Geografia Cultural: globalização
Dentro do universo da geografia cultural, a globalização é o processo de união social, cultural, econômica e política entre os países do mundo. É determinada pela quebra ou redução das barreiras imigratórias e econômicas.
A globalização permitiu a ideia de aldeia global, no qual tudo está interligado (Foto: Pixabay)
A globalização se inicia no século XV, quando as nações europeias começam a almejar novos territórios e o acúmulo de riquezas – e se prolonga até o final do século XX, com o término da Segunda Guerra Mundial.
Além disso, após o fim da antiga União Soviética, alguns países incorporaram o capitalismo e o liberalismo como meio de domínio político e conjuntura econômica, surgindo assim o neoliberalismo, outro sistema político que conduziu a globalização.
Essa nova forma de interação global baseia-se nas seguintes características:
• União do mercado financeiro mundial;
• Avanço na produção dos bens de consumo;
• Desenvolvimento da tecnologia e dos meios de comunicação;
• Crescimento e difusão das redes de comunicação (internet);
• Nascimento dos blocos econômicos (União Europeia, Mercosul, entre outros);
• Privatização de organizações públicas.
A globalização tornou-se mais uma arma de controle dos países desenvolvidos sobre os mais pobres e/ou emergentes, pois seus padrões de produção e consumo monopolizam o estilo de vida (cultura, linguagem, alimentação, etc.).
Hegemonia Cultural
A Hegemonia Cultural é mais uma forma de domínio social, ideológico e econômico de uma nação ou classe social em relação a outra mais vulnerável.
O conceito de hegemonia cultural apoia-se na relação entre Estado, sociedade (organizações políticas e jurídicas) e seus meios de produção. Além disso, a função da indústria e da cultura de massa no processo de construção de identidades.
O papel da mídia nas instituições modernas, assim como o seu poder de construir opiniões e interpretações da realidade, também faz parte das discussões sobre esse tema.
Geografia Cultural: americanização
Por causa da sua potência econômica e armamentista, os Estados Unidos exerce grande poder sobre o mercado financeiro internacional, por isso manipula fortemente o sistema econômico dos países subdesenvolvidos. A superpotência americana possui duras políticas de proteção das fronteiras. Suas taxas alfandegárias, por exemplo, limita a entrega de muitos produtos estrangeiros.
A partir da Segunda Guerra Mundial, os EUA também tornou-se uma potência militar. Vários investimentos foram (e são) feitos nas forças armadas, começando pela fase da Guerra Fria (EUA x União Soviética), quando uma nova guerra mundial poderia acontecer a qualquer momento.
Atualmente, o poder armamentista americano consome boa parte do seu Produto Nacional Bruto (PNB). Nas Guerras do Iraque, Afeganistão, Paquistão e Síria, por exemplo, mais de 2 trilhões de dólares foram gastos.
No campo cultural, o estilo de vida americano se difundiu por quase todos os países do mundo, exceto nas regiões de governo comunista. Estima-se que de cada dez marcas comerciais de grande visibilidade e consumo, sete são americanas. As maiores redes de computadores e celulares, como a Microsoft e Apple, são estadunidenses.
Os efeitos da americanização em massa também são propagados pelos meios de comunicação. Canais de TV, séries, filmes e noticiários estão presentes na programação midiática de muitos países.
Paisagem Cultural
A paisagem cultural é reflexo das relações firmadas entre o homem e o seu meio. São estruturas sociais e culturais formadas de acordo com as ações humanas e o resultado dessas práticas na natureza.
Paisagem Cultural x Paisagem Humanizada
Geralmente associa-se a paisagem cultural com a paisagem humanizada (modificada), mesmo sendo vertentes distintas dentro da geografia cultural.
A paisagem cultural é caracterizada pelas relações específicas de uma determinada região que as torna particular. Isso está diretamente conectado à identidade cultural do seu povo.
No Brasil, por exemplo, o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, criado por Oscar Niemeyer na cidade de Belo Horizonte, é reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como uma paisagem cultural.
Já a paisagem humanizada representa as áreas que passaram por grandes mudanças em sua estrutura física, como nos locais onde são construídos indústrias, comércios e prédios.
Em linhas gerais, a paisagem cultural integra a paisagem humanizada, porém com características especiais. A paisagem cultural transmite as particularidades históricas e culturais dos seus moradores. Museus, igrejas e monumentos são exemplos desse tipo de paisagem.
Fique sabendo!
Como a geografia cultural engloba muitos temas, o profissional do seu campo, geógrafo, pode atuar em várias vertentes que exploram os conhecimentos sobre as interações entre homem e ambiente. Os conceitos da geografia cultural podem ser usados na área de relações internacionais, em planejamentos para o uso dos solos ou até mesmo em atividades voltadas para o comércio e negócios.