A Lei de Mobilidade Urbana foi sancionada em 2012
A mobilidade urbana é um problema enfrentado pelas grandes metrópoles e que se agrava a cada ano afetando diretamente a população. Trata-se de um tema que refere-se aos tipos de deslocamento no espaço urbano disponibilizados à população dentro das grandes cidades.
Emprega-se o conceito de mobilidade urbana ao estudo e referência ao trânsito de pedestres e bicicletas, veículos individuais e transportes coletivos. Atualmente, esse assunto é muito debatido no mundo. No Brasil, essa discussão cresceu quando as cidades começaram a ter um crescimento exagerado da frota de carros.

O grande número de veículos atrapalha a mobilidade urbana. (Foto: Wikipédia)
Mobilidade urbana: dados no Brasil
No Brasil, as cidades que mais sofrem com a mobilidade urbana são: São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.
São Paulo
Em São Paulo, cerca de cinco milhões de pessoas pegam ônibus todos os dias, enquanto quatro milhões viajam de metrô. A cidade possui uma frota de quase sete milhões de veículos particulares.
Uma das medidas adotadas para desafogar o trânsito na cidade foi o rodízio de veículos, estabelecido pelo número da placa do carro. De acordo com o final de placa e dia da semana, os veículos não podem trefegar nas ruas e avenidas internas ao chamado mini-anel viário das 7 às 10 horas e das 17 às 20 horas.
Entretanto, essa medida não se mostrou eficaz. Algumas pessoas começaram a comprar um segundo carro com o final da placa diferente para continuarem rodando com o carro próprio. Para conter o problema, o governo de São Paulo segue fazendo investimento na rede de metrô para diminuir o trânsito na cidade, que é caótico.
Rio de janeiro
No Rio de janeiro, quase quatro milhões de pessoas dependem do transporte público. Por causa da Copa do Mundo e das Olimpíadas, muitas obras de mobilidade urbana saíram do papel e beneficiaram os cariocas.
Uma dessas obras foi a construção do metrô de superfície, no centro da cidade, e também em regiões mais afastadas para realizar o deslocamento com mais agilidade. O principal desafio da cidade ainda é integrar os municípios que compõem a chamada "Grande Rio".
O transporte fluvial não é muito explorado devido aos interesses políticos e comerciais das prefeituras ao redor do Rio de Janeiro.
Curitiba
Em Curitiba não existe metrô, por isso dois milhões de pessoas precisam deslocar-se usando linhas de ônibus.
Nos anos 90, a cidade foi a primeira a:
• Construir corredores exclusivos para ônibus;
• Desenvolver plataformas onde os usuários dos ônibus pagam a tarifa antes de entrar;
• Usar ônibus com capacidade para fazer o transporte de mais de cem passageiros.
Entretanto, a capital do Paraná cresceu e o metrô não se tornou uma realidade. Dessa forma, a cidade começa a encarar engarrafamentos fora dos horários de pico.
Mobilidade urbana: sustentabilidade
A mobilidade urbana é um dos grandes problemas para os gestores das grandes cidades. Com a chegada dos carros no começo do século XX, que veio substituindo as carroças e bondes, o transporte da população teve uma solução ágil e eficaz por muitos anos.
No entanto, essa facilidade também trouxe problemas como o inchaço do trânsito e a poluição ocasionada pela queima de combustível.
A importância da mobilidade sustentável
Nos últimos dez anos, a frota de veículos e motos aumentou 400% no Brasil, segundo uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas – FGV, em 2016.
Existem muitas opções de mobilidade urbana sustentável. Elas são simples e algumas já fazem parte do dia a dia das populações. Porém, ainda contam com pouco investimento do poder público. Como exemplos, o uso de bicicletas, sistemas sobre trilhos e integrações de ônibus com responsabilidade.
Estudos sobre mobilidade urbana também são voltados para valorização humana. Nesse sentido, as ações são voltadas para o incentivo a caminhadas e o uso de bicicletas, que não provocam nenhum tipo de poluição ao meio ambiente e ainda levam pessoas sedentárias a fazer atividades físicas.
Exemplos sobre mobilidade urbana que deram certo:
Criação de ciclovias
A bicicleta é um dos meios de transportes mais importantes da mobilidade urbana sustentável. Ela proporciona a prática de exercícios, além de não poluir o meio ambiente. No entanto, o maior desafio das grandes cidades é viabilizar ciclovias para que o trajeto seja feito de forma rápida e segura.
Veículos elétricos
Diversas empresas privadas já estão trabalhando nos veículos elétricos para carga de produtos. Uma empresa de cosméticos, por exemplo, já implementou os veículos verdes, que recolhem produtos para levar até as revendedoras em algumas cidades do Brasil.

O carro elétrico é um exemplo de mobilidade urbana sustentável. (Foto Pixabay)
Restrição de veículos em áreas movimentadas
Em 2003, Londres, capital da Inglaterra, proibiu que veículos trafeguem em regiões mais movimentadas, o que diminuiu drasticamente o tráfego de automóveis na rua.
Lei de Mobilidade Urbana
A Lei nº 12.587/2012, - Lei de Mobilidade Urbana – tem como objetivo melhorar a acessibilidade e a mobilidade das pessoas e cargas nos municípios e integrar os diferentes meios de transporte. Foi sancionada em janeiro de 2012 e dá prioridade aos meios de transporte não motorizados e ao serviço público coletivo, além da integração entre os modos e serviços de transporte urbano.
A lei de mobilidade exige que os municípios com mais de 20 mil habitantes desenvolvam planos de mobilidade urbana. As cidades que não apresentarem esses projetos podem ter os investimentos voltados para políticas de mobilidade urbana suspensos pelo governo federal.