Bioma nomeado de Patrimônio Natural Mundial
O Pantanal é a maior planície inundável do planeta. Localizado na região Centro–Oeste, especificadamente em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, é um reservatório de água doce com altitudes que alcançam 150 metros.
Além do Brasil, no qual ocupa 250 mil quilômetros quadrados de extensão, também integra o norte do Paraguai e leste da Bolívia. Estima-se que existem mais espécies de aves nessa região do que em toda América do Norte, e mais classes de peixes do que na Europa.
Clima do Pantanal
O clima pantaneiro é o Tropical Continental, ou seja, verão quente e chuvoso, e inverno frio e seco. Esse processo ocorre por causa das variações entre os ciclos de chuva, que começam em outro e se estende até março, e os de seca (abril a setembro).
O início dos alagamentos é em novembro, quando as chuvas atingem as áreas mais altas da bacia do Alto Paraguai. Com isso, o nível dos rios aumentam e motivam as inundações na planície. Apenas em maio, ainda que lentamente, as águas voltam a baixar.
Logo nos primeiros dias as precipitações atingem um solo poroso e permeável. Mas, em seguida, essa superfície não consegue absorver a grande quantidade de água, deixando acumular nas faixas mais baixas.
Por tais motivos, as áreas do Pantanal assumem três características definidas: partes que não sofrem enchentes e servem de abrigos para animais, partes que ficam alagadas praticamente o ano todo, e partes que inundam em determinados meses.
Cobertura vegetal
O solo plano, argiloso e de baixa declividade abrigam as vegetações mais resistentes à água, a exemplo das gramíneas (plantas rasteiras). Nas regiões intermediárias, que não sofrem inundações constantes, é comum a presença de arbustos e árvores de porte médio.
Já nas áreas altas a cobertura vegetal é parecida com a da Caatinga, com árvores grandes, raízes profundas e folhas retorcidas. Além dessas categorias, encontra-se as palmeiras carandá, coqueiros-buriti, mandacarus, piúvas, orquídeas e figueiras.
Os ecossistemas da Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Chaco (bioma que pertence ao lado boliviano e paraguaio) também exercem influências na vegetação pantaneira.
A biodiversidade marcante é resultado do fluxo das águas, já que nos períodos de estiagem os nutrientes orgânicos são deixados na superfície. A formação com base em vários tipos de cobertura deu origem ao termo Complexo do Pantanal.
Hidrografia e Fauna
O Pantanal pertence à bacia hidrográfica do Alto Paraguai e, por isso, é composto pelos seus planaltos. Ao todo, 180 rios integram a bacia, que desaguam nos principais afluentes do Pantanal, como o Paraguai, Cuiabá e Aquidauana.
A extensão é de aproximadamente 624.320 quilômetros quadrados, sendo a maior parte em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, seguidos da Bolívia (20%) e Paraguai (18%).
No Brasil, atualmente, estão catalogadas cerca de 1.800 espécies de aves. Somente o Pantanal concentra 650 delas. Além disso, segundo levantamentos, reúne mais de 3 mil categorias de plantas, 300 de peixes, 95 de répteis e 150 de mamíferos.

Na Constituição de 1988, o Pantanal é tido como Patrimônio Nacional. (Foto: Wikipédia)
Mesmo com os problemas causados pela intensa atividade agropecuária, o complexo ainda é ocupado por:
• Tuiuiús
• Socós
• Jaçanãs
• Colhereiros
• Garças-brancas
• Curicacas
• Lobinhos
• Veados-campeiro
• Veados-catingueiro
• Cervos-do-pantanal
• Bugios-do-pantanal
• Cacharas
• Curimbatás
• Piraputangas,
• Jiboias-constritoras
• Cobras-d'água
Movimentação econômica
A pecuária, desde o século XVIII, é a principal atividade econômica do Pantanal. A criação dos maiores rebanhos de gado concentram-se nas cidades de Corumbá e Cárceres – regiões menos afetadas pelos sistemas de inundação.
As fazendas abastecem o mercado nacional e o europeu, movimentando mais de 40 milhões ao ano. A escolha pelo livre pastoreio possibilitou a adaptação da raça Nelore, o ideal para produção de carne.
Outro incentivo é a pesca, já que a localidade é formada por muitos rios e lagos. A variedade de peixes possibilita a pesca de subsistência, o mercado entre a população ribeirinha, e práticas esportivas.
O ecoturismo também estimula a economia pantaneira. As grutas pré-históricas, cachoeiras, lagoas e sites arqueológicos atraem milhares de curiosos durante todas as estações.
A agricultura é pouco expressiva, mas o plantio de arroz, cana-de-açúcar e soja têm modificado as características do ambiente. Os desmatamentos, assoreamento dos rios na piracema (período de reprodução dos peixes), poluição pelos resíduos químicos, entre outros fatores, estão comprometendo a fauna e flora original.
Curiosidades
• As inundações anuais atingem quase 80% do Pantanal, obrigando a migração temporária das populações ribeirinhas.
• Aproximadamente 178 milhões de litros de água entram na planície pantaneira todos os dias, contribuindo com os mais de 140 mil quilômetros quadrados de área alagada.
• A região recebe 700 mil turistas ao ano, sendo que 65% buscam as pescas esportivas.
• Os colonizadores europeus chamaram o Pantanal de “Mar dos Xaraés”, em referência aos indígenas da tribo do Xaraés.
• O relevo provoca lentidão no fluxo do rio Paraguai. Por isso, uma canoa à deriva demoraria seis meses para atravessar toda a planície pantaneira.