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A vinda da família real para o Brasil

Postado por Manuela Bispo em 19/08/2019 e atualizado pela última vez em 22/12/2020

O Início de Tudo


A vinda da família Real para o Brasil contribuiu para a antecipação da tão esperada Independência do Brasil. Quando instalada no país, a família portuguesa implementou avanços percebidos até hoje na economia e cultura brasileira.

Na época, Portugal dependia da Inglaterra. Essa dependência era financeira e política. Não respeitando o Bloqueio Continental, a família real foi orientada pelo Lord Strangford (embaixador inglês) a mudar seu governo português para o Brasil.

O objetivo de Napoleão era dominar o Império Português. Percebendo que isso poderia acontecer a qualquer momento, o Príncipe-Regente D. João, resolveu acatar o conselho de Lord Strangford. O príncipe queria garantir que, posteriormente, Portugal conseguisse a Independência.

Foi acordado que os guardas ingleses protegessem a Corte Portuguesa e garantiriam que chegando ao Brasil o governo português teria legitimidade. Em troca, a Ilha da Madeira seria da Inglaterra enquanto durasse a guerra com os franceses. Os ingleses também teriam direito a utilizar os portos do Brasil.

Com o objetivo de ocupar Portugal, a França aliou-se com a Espanha e, juntos, fizeram o Tratado de Fontainebleau. O tratado era para permitir o translado das tropas da França pelos limites das terras espanholas. Em contrapartida, a Espanha poderia ficar com sua “fatia” de terras portuguesas.

Em novembro de 1807, ocorreu o embarque para a vinda da família Real para o Brasil antes da invasão de Portugal pelas tropas francesas.

Com a vinda da família Real para o Brasil, Portugal tinha a oportunidade de continuar seu comércio com os países em que mantinha aliança. Essa manobra era para conservar seu reinado e seu capital.

Napoleão foi pego de surpresa e ao chegar em Lisboa, afim de tomá-la para si, como mencionado anteriormente, encontrou uma monarquia falida, sem riquezas e desestruturada.

A vinda da família Real para o Brasil ocorreu em condições insalubres de viagem e durou 54 dias. O príncipe governante chegou a Salvador no dia 22 de janeiro de 1808.

Ainda na capital baiana, Dom João disponibilizou os portos brasileiros às nações amigas, possibilitando que embarcações estrangeiras comercializassem com liberdade nos portos do Brasil. Essa medida impactou positivamente na economia do país.

De Salvador, a comitiva seguiu para o Rio de Janeiro, desembarcando em 08 de março de 1808. Nesse momento, a cidade carioca se transformou na capital do cortejo português.


Na foto, a vinda da família real para o Brasil – embarcando no cais de Belém. (Foto: Wikipédia)

A História Antes da Vinda da Família Real para o Brasil


Para contextualizar a vinda da família Real para o Brasil, é importante mencionar que no início do século XIX, a França e a Inglaterra eram países capitalistas industriais. Já Portugal, ainda era um país mercantilista.

Posto isso, Portugal era dependente da Inglaterra econômica e politicamente. Essa dependência é caracterizada pelo Tratado de Methuen (Panos e Vinhos). O tratado em questão foi assinado em 1703 e consistia no consumo de têxteis pelos portugueses e no consumo de vinho pelos britânicos.

Nesse período, a França era governada por Napoleão Bonaparte, o qual defendia os interesses da burguesia francesa. Ele almejava arruinar a Inglaterra. Os dois países entram em conflito e a Inglaterra vence. Com isso, a França reage.

Cerca de 14 anos de disputas. A França era detentora de todo território terrestre e os ingleses ficavam com a parte marítima. Isso foi evidenciado pela Batalha de Trafalgar, em 1805 (disputa naval da França - juntamente com a Espanha - contra o Reino Unido).

Fica evidente que Napoleão possuía hegemonia sobre todo o continente, com exceção da Grã-Bretanha.

A partir daí, Napoleão Bonaparte estabelece o Bloqueio Continental, em 1806, em Berlim, a fim de "matar" a economia britânica. Com isso, ele proibia o contato comercial com o Reino Unido pelos países dominados por ele.

Caso quisessem arriscar, os países que não acatassem o Bloqueio Continental, seriam submetidos a invasão pelas tropas francesas.

Benfeitorias da Estadia Portuguesa no Brasil


A vinda da família Real para o Brasil acarretou em mudanças extremas. Permanecendo por um mês na Bahia, fez melhorias na região.

Com a chegada da família, criou-se a Junta do Comércio e a Escola de Cirurgia (que depois virou a Faculdade de Medicina do Estado). Eles também inseriram o Passeio Público e as obras do Teatro São João, que após sua conclusão, tornou-se a casa de espetáculos mais respeitada e renomada do país.

Com a vinda da família Real para o Brasil, também criou-se o Museu da Biblioteca Nacional, Imprensa régia, o Banco do Brasil, a Academia Militar e da Marinha e a Academia de Belas Artes. Todas essas criações dão frutos até hoje e causaram impacto positivo na vida dos brasileiros.

Além dessas, outras medidas culturais também foram adotadas pela família portuguesa, como:

• Fundação do Observatório Astronômico;
• Concepção de cursos;
• Missão Artística Francesa (que estimulou o desenvolvimento das artes);
• Biblioteca Real;
• Concepção da Escola Real de Artes e do Teatro Real de São João.

A Independência do Brasil




Na foto, a Revolução Pernambucana de 1817- movimento precursor da Independência do Brasil. (Foto: Wikipédia)

O processo de Independência do Brasil foi o fator mais marcante com a vinda da família Real para o Brasil. Em 1815, o Brasil foi declarado reino unido ao de Portugal e Algarves, deixando, assim, de ser uma colônia.

Porém, com a vinda da família Real para o Brasil e sua estabilidade em território brasileiro, o caminho era para a unificação do País. Dom João tomou algumas medidas em território brasileiro que acentuou o interesse do comércio entre ingleses e brasileiros, inclusive ficando este fato marcado pela abertura dos portos às Nações Amigas.

Através desse processo, Portugal ficou sem seu monopólio comercial com o Brasil e os abastados da agricultura visaram Independência. Apesar dessa abertura, o Brasil não ficou em desvantagem e virou um consumidor e fornecedor interessante para a Inglaterra.

Dom João, após um determinado período, precisou voltar para Portugal em decorrência das revoltas dos Portugueses na Revolução do Porto.

A permanência dos executivos estrangeiros era contestada. A intenção era que Portugal, com seus negociadores, tivesse total poder sob o comércio brasileiro.

Por causa dessas exigências, Dom João voltou para Portugal em 26 de abril de 1821, deixando Dom Pedro I, seu filho, responsável pelo país como governante. Essa decisão alegrou ambas as partes, portugueses e brasileiros. Ele tinha aproximação com a elite agrária.

Como já é sabido, em 7 de Setembro de 1822, Dom Pedro I declarou a Independência do Brasil.

Porém, esse processo seguiu-se com uma guerra de independência. Alguns meses depois ocorreu a Aclamação do Imperador do Brasil, D. Pedro, em 12 de outubro. Em dezembro (dia 1°) sua coroação foi realizada.


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