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Absolutismo inglês

Postado por Ana Letícia Reis em 30/07/2019 e atualizado pela última vez em 20/07/2020

Era a autonomia do rei perante a sociedade inglesa


O Absolutismo Inglês era pautado pela ideia de um monarca com plenos poderes, mercantilista e uma sociedade estamental, ou seja, com pouca ou nenhuma mudança de ascensão social. 

Etapas para o absolutismo inglês


Duas guerras foram de suma importância para dar início ao absolutismo inglês, a Guerra dos Cem Anos e a Guerra das Duas Rosas. A primeira ocorreu na Idade Média (1337-1453). Envolveu os reinos da Inglaterra e da França e foi a mais sangrenta guerra europeia desse período.

A Guerra dos Cem Anos foi ocasionada pela rivalidade entre Filipe de Valois, aclamado rei da França após a morte de Carlos IV, último na dinastia capetos, e Eduardo III da Inglaterra. Eduardo III planejava o direito à coroa francesa a partir de sua mãe. Disputas territoriais e comerciais também fizeram parte do conflito.

Os vitoriosos na Batalha do Crécy (1346) e Poitiers (1356) foram os ingleses. Durante o reinado de Carlos V, graças a Duguesxlin, a fortuna das armas favoreceu a França. Mas no reinado de Carlos VI, a batalha de Azincourt (1415) deu nova vitória para os ingleses. 

Porém, nessa guerra houve o enfraquecimento da nobreza e as revoltas camponesas na Inglaterra. Veio a derrota da guerra, o declínio do comércio, o enfraquecimento da nobreza aburguesada da burguesia. 

Anos depois se iniciou a Guerra das Duas Rosas (1455-1485), uma disputa do trono inglês entre duas famílias, os Lancasters e os Yorks. Houve uma série de lutas e ocorreram ao longo de trinta anos durante os reinados de HenriqueVI, Eduardo IV e Ricardo III. Todos apoiavam o absolutismo inglês. 


Ricardo III o último rei York na Batalha de Bosworth Field (Foto: Wikipedia)

Esse conflito resultou também de problemas sociais e financeiros provenientes da Guerra dos Cem Anos e combinados com o reinado de Henrique VI apontado como enfraquecido, já que perdeu terras francesas conquistadas pelo seu pai, Henrique V de Inglaterra, e que foi demasiadamente questionado pela nobreza. 

O fim da guerra aconteceu quando um candidato Lancaster, mais distante Henrique Tudor, dominou o último rei York, Ricardo III, e assumiu o trono casando com Isabel de York, filha de Eduardo IV e sobrinha de Ricardo III, para poder unir as duas dinastias. 

Essa guerra levou o nome de Guerra das Duas Rosas devido aos símbolos das duas famílias, a rosa branca da casa de York e a vermelha de Lancaster, e começou ser utilizado por historiadores.

Reforma Religiosa 


O rei Henrique VIII foi o motivador do controle do Clero com a reforma religiosa que rompeu com a Igreja Católica fundando a Igreja Anglicana e se tornando representante máximo, ao passo que arruinava a influência católica entre os ingleses e dominava a Igreja.

Em seguida a filha de Henrique VIII, Elizabeth I, governou a Inglaterra entre 1558 e 1603, consolidando a monarquia e a religião Anglicana. Apoiou a pirataria e continuou a perseguição aos fiéis de outras denominações, cristãs ou não. As perseguições geraram uma emigração massiva para a América do Norte.

Elizabeth I morreu sem deixar herdeiros, então seu primo Jaime I da dinastia Stuart, sucede ao trono. Jaime I (1603-1625) dá continuidade à perseguição dos não anglicanos e isso acarreta no aumento das emigrações para a América. 


Igreja Anglicana na Inglaterra (Foto: Pixabay)


A sucessão do trono no absolutismo inglês 


O filho de Jaime I, Carlos I, assume o poder no ano de 1625 seguindo o mesmo procedimento dos antecessores. Intensificou a perseguição religiosa e o absolutismo inglês. Essa conduta rígida incomoda o Parlamento e as outras classes sociais gerando um conflito liderado por Oliver Cromwell.

Depois da derrota sobre o rei Carlos I, Cromwell assume o poder e recebe o título de Lorde Protetor governando de 1649 a 1658. No ano de 1651 criou o Ato de Navegação que ilimitava a entrada e a saída de mercadorias da Inglaterra aos navios ingleses, navios de países produtores ou consumidores, e com isso prejudicou o comércio intermediário dos holandeses. 

Então a Inglaterra passou a ser potência marítima mundial, o que se propagou até o fim da Primeira Guerra Mundial, já no século XX. 

Cromwell morreu em 1658 e o governo voltou para as mãos dos Stuart e a Inglaterra teve mais dois reis: Carlos II e Jaime II.

Sua sucessão foi ameaçada porque o poder só poderia ser herdado para um filho do sexo masculino, e este só nasceu no segundo casamento com uma esposa católica. 

Devido a influência católica, o Parlamento se incomodava porque temiam a volta ao catolicismo. Reuniram e acordaram o príncipe holandês Guilherme d’Orange, casado com Maria Stuart, a filha mais velha de Jaime II, para invadir a Inglaterra e tirar o rei do poder. 

A Revolução Gloriosa


Em 1688 Guilherme d’Orange chegou à Inglaterra com seu exército, marchou em Londres e conquistou sem precisar de nenhum tiro. Jaime II fugiu para a França e Guilherme foi coroado com o nome de Guilherme III. Essa revolução sem nenhum derramamento de sangue foi chamada de Revolução Gloriosa.

No governo de Guilherme III estabeleceu a Declaração de Direitos que era um agrupamento de medidas que se caracterizava pelas determinações de que o Parlamento aprovaria ou reprovaria impostos, garantiria a propriedade privada e a liberdade individual, e ainda determinava a divisão de Poderes no governo. 

A burguesia com poder nas mãos, também passou a promover o desenvolvimento econômico da Inglaterra. Foi instaurado então a monarquia parlamentar e chegava o fim do absolutismo inglês. 

Características do absolutismo inglês


• Dependência do rei com o Parlamento;
• Reforma religiosa com o surgimento do Anglicanismo e a perseguição à Igreja Católica e outras denominações cristãs ou não;
• Devido às perseguições, foi fundada a primeira colônia inglesa na América do Norte;
• Submissão da Igreja ao Estado;
• Com a morte da rainha Elizabeth I o absolutismo inglês entrou em crise, já que a rainha não deixou herdeiros;
• A crise se acentuou com a ascensão do poder da dinastia Stuart e as revoluções ocorridas no século XVIII.

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