0

Sua mochila está vazia!

Ação Integralista Brasileira

Postado por Amanda Maria Azevedo em 01/08/2019 e atualizado pela última vez em 20/07/2020

Partido político brasileiro ultranacionalista e fascista da década de 30


A Ação Integralista Brasileira (AIB) foi um partido político ultranacionalista que ascendeu no cenário da política brasileira na década de 30 com influências do fascismo, defendendo o conservadorismo, a extrema direita, o tradicionalismo e o anticomunismo.

A AIB foi criada no dia 7 de outubro de 1932, após a publicação do “Manifesto Integralista de 1932”. O partido chegou a ter entre 500 mil e 1 milhão de adeptos e ficou marcado pelo Levante Integralista que buscou aplicar um contragolpe no governo de Getúlio Vargas.

Liderado e criado por Plínio Salgado, o partido tinha como lema a frase “Deus, pátria e família” e também era contra o liberalismo. Nomes como Miguel Reale, Gustavo Barroso, Câmara Cascudo, San Tiago Dantas, Tasso da Silveira, Neiva Moreira e Olbiano de Melo também se destacaram no movimento. 


Na foto, Miguel Reale com o uniforme oficial e com o símbolo da Ação Integralista Brasileira. (Foto: Wikipedia)

Surgimento da Ação Integralista Brasileira 


No início da década de 30, o mundo e, principalmente a Europa, experimentava mudanças políticas importantes, no contexto entre a Primeira Guerra Mundial e a Segunda Guerra Mundial. Novos teóricos começaram a surgir e propor novos modelos de sociedade ideal. No Brasil, a queda dos governos oligárquicos que comandavam o país também inspirou grupos de pessoas a discutir o cenário sócio-político brasileiro.

Entre os principais nomes, estava o de Plínio Salgado, um jornalista e escritor bastante renomado na época. Plínio entrevistou Benito Mussolini em 1930 em uma viagem que fez à Itália e ficou fascinado com os ideais políticos defendidos pelo líder fascista do país. Para ele, a Itália vivia em um cenário político muito próspero e isso acontecia devido ao fascismo de Mussolini.

Quando voltou ao Brasil, Plínio lançou o “A Razão”, um jornal criado com o intuito de publicar suas opiniões e ideias sobre a sociedade e a política, inspiradas no fascismo. Até o ano de 1932 conseguiu publicar diversos textos que defendiam principalmente o nacionalismo e o tradicionalismo religioso. Em pouco tempo conseguiu montar grupos de pessoas que passaram a defender essas questões junto com ele.

Manifesto Integralista e a AIB


Plínio conseguiu visibilidade e uma projeção considerável com as publicações no jornal “A Razão”. Com isso, lançou no mesmo ano, a Sociedade de Estudos Políticos (SEP). A SEP tinha como objetivo principal possibilitar a reunião de pessoas comuns e intelectuais que simpatizassem com o fascismo e fossem a favor do anticomunismo e conservadorismo. O grupo também alcançou grande projeção.

Em razão do êxito do grupo, Plínio e seus colegas produziram um documento que apresentou suas ideias ao país, chamado de “Manifesto Integralista”. Junto com o manifesto, veio a criação da Ação Integralista Brasileira que visava por em prática as teorias criadas na Sociedade de Estudos Políticos (SEP). O documento defendia o nacionalismo, a rejeição ao socialismo e comunismo de qualquer forma e em qualquer situação, o fechamento dos partidos políticos existentes na época e o combate aos ideais liberalistas.

O partido passou a atuar cada vez mais no cenário político e conseguiu uma enorme quantidade de simpatizantes, em pouco tempo de existência. Estima-se que o movimento  chegou a ter entre 500 mil e 1 milhão de adeptos. Plínio Salgado sempre foi o comandante e líder absoluto do partido. O lema oficial do partido era a frase “Deus, pátria e família”. Os integralistas usavam como saudação a expressão “Anauê” de origem tupi, que significa “você é meu irmão”.

A bandeira da Ação Integralista Brasileira trazia a representação da letra grega chamada “sigma” que simboliza a soma. Os integralistas usavam um uniforme verde com o símbolo “sigma” como forma de identificação. Em 1933 fizeram seu primeiro desfile público para divulgar e espalhar os ideais do partido. Na ocasião receberam o apelido pejorativo de “galinhas verdes” pelos seus opositores, fazendo menção a cor do uniforme.

O partido contava com sua própria milícia armada, diversos jornais de circulação local, duas revistas, um órgão oficial chamado “Monitor Integralista” e um grande órgão de divulgação nacional chamado “A Ofensiva”. Em 1934 fizeram seu Primeiro Congresso Nacional na cidade de Vitória (ES), reunindo milhares de simpatizantes, tornando o movimento ainda mais famoso.

Movimento Levante Integralista


No ano de 1937 a AIB lançou a candidatura de Plínio Salgado à presidência. O partido acreditava que a grande ascensão e o grande número de simpatizantes dariam um resultado positivo nas urnas. Devido ao Golpe do Estado Novo orquestrado por Getúlio Vargas, as eleições não aconteceram. Apesar disso, Plínio e o partido apoiaram a tomada do poder temendo a ameaça comunista, usada por Vargas como pretexto para a implantação do plano do Estado Novo.

Um dos dirigentes do partido AIB, o Capitão Olímpio Mourão Filho forjou um documento que dizia haver um plano comunista para a tomada do poder. O documento foi a base do golpe varguista. Após o golpe, Vargas se tornou um líder autoritário e controlador. Censurou todos que acreditava ser “adversário”. Com pouco meses de governo, ordenou o fechamento de todos os partidos políticos, tornando a Ação Integralista Brasileira um movimento ilegal.

Decepcionados com a medida, os integralistas resolveram aplicar um contragolpe com a intenção de tomar o poder, através da retirada do governo Vargas. É importante destacar que Plínio apoiou o golpe varguista acreditando que o seu partido teria mais poder no governo. Ele acreditava também que conseguiria ser Ministro da Educação, para enfim aplicar seus ideais de forma mais prática no país.

Assim, organizaram uma invasão no Palácio de Guanabara, no Rio de Janeiro (residência oficial do presidente) no dia 11 de maio de 1938. Quase 2000 integralistas armados invadiram os jardins da residência e em pouco tempo foram dominados pelos soldados do governo. Muitos foram mortos, outros feridos e mais de 1500 foram presos. Plínio não participou da ação, mas como era o líder do AIB, foi condenado ao exílio em Portugal até o ano de 1945

Os integralistas presos ficaram sobre a guarda do governo, até a queda de Vargas na Redemocratização. Muitos deles foram perseguidos e vigiados. Em razão disso, o partido perdeu força, saindo do cenário político do Brasil. Plínio Salgado voltou ao país no ano de 1946 e tentou reavivar as teses defendidas pela AIB fundando um novo partido intitulado “Partido da Representação Popular”. Junto com Plínio, o partido conseguiu algum espaço, mas nada comparado ao êxito da Ação Integralista Brasileira. 

Artigos Relacionados

A Crise dos Mísseis foi provocada pela descoberta de projeteis soviéticos em solo cubano. O evento aflorou o medo de uma guerra nuclear.

A crise do feudalismo tem suas causas no renascimento comercial, influenciado pelas Cruzadas e pelo crescimento da circulação de moedas.

Cortina de Ferro é uma metáfora que foi popularizada pelo britânico Winston Churchill, durante o discurso que incentivou o início da Guerra Fria.

Quer estudar
pagando menos?
Com o Educa Mais Brasil você estuda com desconto até o final do curso!
×Graduação
Curso que deseja estudar