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Alemanha Oriental

Postado por Esther Santana em 02/08/2019 e atualizado pela última vez em 20/07/2020

Também conhecida como República Democrática Alemã


O Alemanha Oriental surgiu em 1949, logo após a Segunda Guerra Mundial. O território alemão foi repartido entre os Estados Unidos, França, Reino Unido e União Soviética. E Foi justamente na zona dos soviéticos que nasceu esse Estado. 


Enquanto a União Soviética constituiu a República Democrática Alemã (RDA), Reino Unido, França e Estados Unidos criaram a República Federal da Alemanha (RFA), também conhecida como Alemanha Ocidental.

Na teoria, uma República Democrática deveria ser independente, autônoma, soberana e escolher seus líderes. Mas na prática, a RDA não funcionava. O Partido socialista tinha o controle do país, era uma ditadura.

Assim como o país foi dividido por Alemanha Oriental e Alemanha Ocidental, seus centros políticos de dividiram em Berlim Oriental e Berlim Ocidental. Conhecida como Muro de Berlim, essa barreira foi construída pela RDA em volta da parte Ocidental da Alemanha, separando-a em blocos: o capitalista e o socialista.


A construção da Alemanha Oriental


A República Democrática Alemã foi proclamada na parte Oriental de Berlim em 7 de outubro de 1949, com o controle da União Soviética. No início, ela estava sob o comando de Josef Stalin, um articulador conhecido pelo movimento marxista-leninista. Stalin era soviético, comunista, político e revolucionário. 

Logo após a sua morte, em junho de 1953, várias revoltas começam a acontecer na Alemanha Oriental. Uma delas foi a Revolta de 1953 formada por trabalhadores da construção civil em Berlim. Eles reclamavam do aumento do volume e horas de trabalho sem compensação. 

O governo prometeu que iria rever seu posicionamento e os ânimos dos trabalhadores foi melhorando. Só que na mesma noite, um cartaz que pedia greve geral começou a circular clandestinamente nas ruas. O motivo era a instituição da democracia.

No dia seguinte, vários postos policiais foram atacados. Mais de 60 mil pessoas entraram em confronto com as forças armadas, incendiaram prédios e sedes de jornais. 

O governo respondeu mandando os militares para as ruas. Tanques e carros atacaram, e mais de 50 pessoas foram mortas e várias outras ficaram feridas.  No dia 18 de junho começaram as execuções sumárias. Nas semanas que se seguiram, 20 pessoas foram condenadas à morte e mais de 14.000 foram presas com penas que iam até 25 anos de prisão.

Por conta dessa repressão violenta, milhões de habitantes da Alemanha Oriental fugiram para a o lado Ocidental.  A República Democrática Alemã só se tornou completamente soberana em 1954. As tropas da União soviética ainda se mantinham na sua zona de ocupação, assim como os militares norte-americanos se mantiveram na zona ocidental. 

Mesmo dividida em dois blocos, e tendo seu lado ocidental controlado pela RFA, Berlim Oriental continuou a ser a capital da Alemanha Oriental, enquanto a cidade de Bona, na Renânia do Norte, tornou-se a capital da República Federal da Alemanha. 

Fato que ocorreu por conta da construção do Muro de Berlim em 1961. O muro praticamente fazia de Berlim Ocidental uma ilha. Esse muro foi construído durante a madrugada do dia 13 de agosto. A barreira era formada por 66,5 quilômetros de grades metálicas, 127 redes metálicas eletrificadas com alarme, cerca de 250 pistas de corrida para cães de guarda e 302 torres de observação.

Os militares patrulhavam o muro 24 horas por dia e podiam atirar em qualquer pessoa que tentasse mudar de lado. Por conta dessa divisão, várias famílias acabaram se separando. Para se comunicar, elas tinham que chegar o mais perto possível do muro e tentar conversar por ele.

A queda do muro de Berlim só aconteceu 1989 e em 3 de outubro de 1990 a Alemanha foi reunificada. A divisão entra a Alemanha Oriental e Alemanha Ocidental deixou de existir. A população votou pelo retorno à antiga estrutura territorial e pela junção entre os dois lados. Para que isso acontecesse foi preciso que a sociedade civil manifestasse. Os protestos em defesa da liberdade e autonomia foram aos poucos fazendo efeito até que o governo central da Alemanha Oriental se dissolvesse.

Durante 1961 e 1989 o muro de Berlim interrompeu todos os movimentos de migração da Alemanha Oriental e Ocidental. 
( Foto: Flickr)

Características da Alemanha Oriental


Economia

A Alemanha Oriental era basicamente uma região agrícola. Não tinha muitos recursos naturais, com exceção de potassa cáustica e carvão de madeira. No contexto do pós-guerra, a União Soviética tinha planejado desenvolver a região a partir da indústria. Por conta dessa deficiência, eles tiveram que recorrer às importações dos materiais necessários para esse período industrial. 

Carvão, coque e minério de ferro começaram a ser transportados da Polônia e da Ucrânia que ficavam a mais de mil quilômetros de distância. Todo esse trabalho foi pensando para que se criassem as Eisenhüttenstadt e Calber, indústrias siderúrgicas que ficavam nas margens do rio Óder. O objetivo era tornar a o país mais independente em alguns materiais, como o aço e a gusa. 

Nos anos de 1960 e 1970 as importações continuaram. Dessa vez, petróleo e gás começaram a entrar no país vindo das regiões do Volga, norte da Rússia. A República Democrática Alemã tornava-se mais independente a cada dia. Por conta da extração de lenhite e construção de minas, os mercados começaram a se expandir. O país aumentou sua distribuição de energia elétrica e outras indústrias se desenvolveram a partir disso.

No campo da química, por exemplo, vários produtos foram produzidos e comercializados, como: borracha, adubos e corantes. As estatais produziam artigos elétricos, ferramentas, equipamentos de maquinaria. 

Cultura

Durante um longo período os artistas da Alemanha Oriental só podiam cantar músicas em alemão. Isso só mudou depois do anos de 1960. Todas as atividades artísticas (música, dança, teatro, cinema) passavam pela censura, nada que criticasse o regime socialista, era permitido. 

Mesmo assim, as influências da parte ocidental chegavam pelos meios de comunicação como a televisão e o rádio. O fluxo entre os dois lados era tão forte que era inevitável que na Alemanha Oriental a cultura não fosse impregnada artistas da área ocidental. 

A música clássica sempre foi um aspecto muito forte na Alemanha Oriental. Eles possuíam mais de 50 orquestras sinfônicas. Foi justamente nesse país que saiu um dos grandes artistas clássicos que conhecemos: Johann Sebastian Bach, forte influência do período Barroco.

No teatro e cinema, a produção também era muita ativa. Eles formavam peças para e feita por pessoas de classe trabalhadora, pessoas que tinham sido exiladas. A indústria cinematográfica era mais forte no leste (ocidental), com os filmes de velho oeste. Os filmes estrangeiros também passagem na Alemanha Oriental, mas eles passavam por censura. Se a produção representasse ideologia capitalista, o filme não podia ser reproduzido.

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