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Aliança Nacional Libertadora

Postado por Darcicléia Oliveira em 07/08/2019 e atualizado pela última vez em 20/07/2020

Organização política liderada por comunistas contra governo de Getúlio Vargas


A Aliança Nacional Libertadora (ANL) foi uma organização política de frente esquerdista de resistência ao fascismo que defendia o comunismo no Brasil. Sua criação data de 1935, momento de intensa efervescência política com o governo de Getúlio Vargas.

Descontentes com o "governo provisório" de Vargas, um grupo de intelectuais, comunistas, socialistas e militares se unem para criar uma associação que possa combater o imperialismo, o fascismo e o integralismo, principais características desse comando na época.

A Aliança Nacional Libertadora tinha o apoio do Partido Comunista Brasileiro (PCB) fundado ainda em 1922. Além disso, as ideias políticas desse grupo eram inspiradas em terras estrangeiras, baseada no socialismo russo que tinha o objetivo de impedir o avanço do nazi-fascismo. O lema da ANL era “Pão, terra e liberdade”.

O esforço da Aliança Nacional Libertadora era obter resultados através do seu programa político, onde se exigiam:

• A interrupção do pagamento da dívida externa; 
• A implantação de um governo mais popular e democrático; 
• O estímulo a uma reforma agrária e anti-imperialista eficiente no país;
• A garantia de liberdade pública e política; 
• A distribuição de terras latifundiárias aos pequenos agricultores; 
• A proteção de pequenos e médios proprietários;
• Empresas estrangeiras nacionalizadas.

O apoio da ANL também vinha de partidos e entidades culturais diversas, associações profissionais e sindicatos, além de operários, estudantes e militares de baixa patente. 

Faziam parte do time de dirigentes Silo Meireles, Miguel Costa, Agildo Barata, Hercolino Cascardo como presidente e Amoreti Osório como vice-presidente, Benjamim Cabello, Francisco Mangabeira, Manuel Venâncio da Paz e Roberto Sisson que também vinham do tenentismo.

Apesar de nunca haver uma divulgação oficial de quantas pessoas se filiaram à ANL, se pressupõe que dezenas de milhares fizeram suas filiações. Os comícios e manifestações foram feitos em diversas partes do país.

Grupo contrário


Em contrapartida, havia um outro grupo organizado com ideias opostas as da ANL apoiado, inclusive, por Getúlio Vargas. Era a Ação Integralista Brasileira (AIB), fundada em 1932 pelo escritor e jornalista Plínio Salgado. A fundamentação desse movimento advinha de inspirações ultranacionalistas, ideias conservadoras e tradicionalistas, além de firmar apoio à uma frente de extrema direita.

O fascismo italiano também era uma base para o trabalho da AIB, que surgiu a partir de um grupo de estudos de intelectuais sobre os problemas da nação, a Sociedade de Estudos Paulista (SEP).

A AIB foi a principal rival da ANL em questões ideológicas, o que gerava conflitos intensos entre integralistas e aliancistas, como eram conhecidos os respectivos grupos. Seu slogan era "União de todas as raças e todos os povos", desse modo tentando se distanciar no nazismo alemão. Suas atividades foram terminadas com a implantação do Estado Novo, em 1937.

Esperanças e frustrações da Aliança Nacional Libertadora


A liderança da Aliança Nacional Libertadora era confiada em Luís Carlos Prestes que ganhou ênfase nacional depois de conduzir a Coluna Prestes, movimento tenentista que ficou famoso entre os anos de 1925 e 1927 ao desafiar o governo da República Velha. Por causa disso, Prestes ficou conhecido como o “Cavaleiro da Esperança”.

No entanto, quando foi nomeado pela ANL como presidente de honra, em 1935, Prestes estava na União Soviética, onde já estava por pelo menos três anos. Ainda assim, ele recebia todas as informações sobre os acontecimentos do Brasil, inclusive da situação favorável que permitiria o início de uma revolução no país.

Então, Luís Carlos Prestes viajou para o Brasil clandestinamente junto com sua esposa Olga Benário e um grupo de assessores da Internacional Comunista. Com as identidades falsas em nome de Antônio Villar e Maria Bergner Villar, permaneceram assim por algum tempo, momento inclusive em que a Aliança Nacional Libertadora crescia fervorosamente. 

Com esse crescimento de apoio popular, a ANL estava se tornando um importante instrumento para derrubar Vargas. A ideia era implementar um governo nacional e popular depois da queda do presidente. Porém, a clandestinidade de Prestes evidencia as verdadeiras intenções do seu retorno.

O fim da ANL


Durante um comício realizado em comemoração aos movimentos tenentistas, conhecidos como Revolta dos 18 do Forte de Copacabana em 1922, a própria Coluna Prestes, a Comuna de Manaus de 1924 e a Revolta Paulista de 1924, membros da Aliança Nacional Libertadora leem um manifesto de Prestes chamando a população para uma revolução contra o governo de Vargas, intencionando sua derrubada e pedindo também em seu depoimento “todo poder a ANL”.

Com a grande repercussão dessa declaração, Vargas se aproveitou da situação para colocar a ANL na ilegalidade com base na Lei de Segurança, ou como era chamada pela oposição, “Lei Monstro”.

Proibida de atuar, a Aliança Nacional Libertadora perde a proximidade com as massas simpatizantes das manifestações, mas tenta ganhar força internamente com o Partido Comunista e os “tenentes” para elaborar um levante armado contra a gestão.

Em novembro de 1935 é desencadeada uma revolta comunista em nome da ANL em Natal (RN), causa apoiada por populares que ajudaram a tomar o controle da cidade. O levante acontece também no Rio de Janeiro e no Recife. Essas manifestações ficaram conhecidas como Intentona Comunista.

Embora tenha conseguido ganhar força, a Aliança Nacional Libertadora vê a situação revertida pelo governo que não tem problemas para conter os levantes armado. Diante da repressão, a ANL é totalmente desconjuntada, tendo boa parte de seus membros presos e torturados.


As manifestações em nome da ANL foram facilmente controladas pelo governo Vargas. 
(Foto: Pixabay)

Luís Carlos Prestes que também estava envolvido nas rebeliões, foi preso, torturado e posteriormente exilado. Assim como sua companheira Olga Benário, que era judia e militante do Partido Comunista Alemão

Getúlio Vargas ordenou que Olga fosse deportada para a Alemanha. A deportação para seu país de origem resultaria na sua morte, por causa do ódio dos nazistas pelos judeus. Ainda assim Vargas não hesitou em decretar sua partida. Depois de dar à luz em uma prisão alemã, Olga foi assassinada na câmara de gás, no campo de concentração nazista de Ravensbrück.

Durante o governo de Getúlio Vargas, que durou 15 anos, houve diversas revoluções dentro de grandes movimentos para desapossar o presidente como, por exemplo, na Revolução Constitucionalista de 1932 ou Guerra Paulista, a própria Intentona Comunista organizada pela Aliança Nacional Libertadora e o Plano Cohen, o qual ele aproveitou para intensificar sua propaganda anticomunista à classe média de quem obteve apoio. 

Depois disso, Vargas conseguiu novamente promover um golpe na constituição brasileira, conseguindo instaurar o Estado novo (1937-1945) e iniciar um período de ditadura na história do Brasil.

Prestes só conseguiu voltar ao Brasil e à política com a queda do Estado Novo, em 1945. Ainda assim, passou boa parte da vida sendo perseguido por causa de suas ideias de construir um partido revolucionário no Brasil. 

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