0

Sua mochila está vazia!

American way of life

Postado por Ana Letícia Reis em 06/08/2019 e atualizado pela última vez em 20/07/2020

Se consolidou após as guerras mundiais


American way of life é o estilo de vida americano que foi propagado a partir do período entre guerras e se fortaleceu após a Guerra Fria. Até hoje é um parâmetro de comportamento para os Estados Unidos da América e expressa o nacionalismo criado no século XVIII, que tinha como princípios a liberdade, a busca pela felicidade e a crença dos direitos a vida.

Principais características do American way of life


Tinha como características primordiais o nacionalismo, o liberalismo, o consumismo e a valorização do poder aquisitivo. Difundiam o conceito de uma vida feliz de conquistas, no qual a liberdade define esse estilo de vida americano. Era uma felicidade obtida através dos meios materiais que serviam como fuga para esquecer as mazelas da Primeira e da Segunda Guerra Mundial.

Esse estilo de vida, american way of life, só foi possível graças a superioridade tecnológica dos EUA, do arsenal de guerra que conseguiram desenvolver e do poder do exército. Conseguiram alcançar produção em massa e consequentemente o consumo intenso com crédito acessível, os quais faziam com que o norte-americano aproveitasse para fazer as trocas de bens materiais, muitas vezes desnecessariamente.

Os Estados Unidos venderam a imagem da felicidade pelo consumismo, em que comprar, gastar e ter tempo livre nas atividades de lazer em família são o centro de tudo. Passaram a enxergar a televisão como item indispensável, onde eram divulgados padrões comportamentais, estéticos e de uma vida equilibrada. Os automóveis tornaram-se objeto de desejo com o barateamento realizado pelo empresário Henry Ford.

Difundiram também a ideia de self made man, homem que faz sozinho, ou seja, aquele homem que deixava a pobreza através do seu trabalho se tornando um empresário rico e bem sucedido.


Tio Sam representa a personificação dos Estados Unidos. (Foto: Pixabay)

Crise de 1929


A crise de 29, também conhecida como a Grande Depressão, afetou toda a economia mundial. Na Europa atingiu especialmente a Alemanha que enfrentava uma reconstrução político econômica após a derrota da Primeira Guerra Mundial.
 
Os Estados Unidos tiveram um colapso na bolsa de valores, em que milhares de acionistas perderam grandes quantias da noite para o dia. Essa quebra gerou a falência de muitas empresas comerciais e industriais, e cidadãos comuns, elevando a taxa de desemprego. A gravidade da crise obrigou o governo a intervir na economia que tanto defendiam ser o liberalismo.

Cada país tomou uma medida para superar a crise, a Alemanha, Itália e Portugal optaram pelo totalitarismo. Com isso, os partidos de extrema direita se aproveitaram para ascender ao poder, como os nazistas na Alemanha, liderados por Adolf Hitler, e o fascismo na Itália, liderados por Benito Mussolini.

Nos Estados Unidos Franklin Delano Roosevelt optou pelo lançamento de um plano de contenção da crise, o New Deal. Esse plano ansiava por uma saída acelerada da crise e então traçou as metas a seguir:

• O Estado controlaria a economia;
• Os preços seriam controlados pelo governo;
• Criação de postos de trabalho;
• Consentimento de empréstimos;
• Aumento na oferta de emprego em obras financiadas pelo governo;
• Salário mínimo com limite na jornada de trabalho.

Quadro político 


O período pós guerras ocasionou que as rivalidades anteriores à guerra continuassem conectadas, mas nesse período os Estados Unidos se tornou potência mundial viabilizando ao país a exportação de industrializados e produtos agrícolas para a Europa que gerou lucros ao país.

Os Estados Unidos conseguiram exportar também sua cultura se infiltrando em outras nações, por meio do cinema, da literatura e da música. Acima de tudo, souberam desfrutar o espaço de poder desobstruído pela crise europeia do pós-guerra.

Assim os americanos disseminaram seu estilo de vida, o american way of life, conquistando inclusive o Brasil com a política da Boa Vizinhança aceita pelo então presidente, Getúlio Vargas, que estabeleceu relações com os EUA com o intuito de exportar produtos domésticos para o país. 

Porém, essa obtenção de bens de consumo estava acessível somente a uma pequena parcela da sociedade. Assim, a única alternativa para atingir esse american way of life era através do crédito e endividamento da população.

O auge do consumismo foi através da importação de televisores, refrigerantes, chicletes e carros. Ou seja, um estilo de vida que supervalorizava o consumismo.


Propaganda de cerveja representa o american way of life. (Foto: Wikipedia)

Para apoderar-se do apoio brasileiro Franklin Roosevelt, então presidente dos Estados Unidos, deu a missão a Nelson Rockefeller, de fazer alianças com Brasil. Então impeliram as mentes do povo, pelos ouvidos, pelos olhos e pelo coração, através da música, do cinema, e das revistas.

Teve o apoio de astros já conhecidos no Brasil e nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos tinham John Ford e Douglas Fairbanks Jr. que começaram a frequentar constantemente o País. E no lado brasileiro, Carmen Miranda, até então ícone da cultura popular se apresentava em terras norte-americanas disseminando a cultura brasileira.

A cultura dos Estados Unidos da América afixou no país também através da linguagem com expressões que ficaram abrasileiradas por serem utilizadas cotidianamente, como a palavra TV, okay, ou ok. O gesto de legal, o thumbs up, sinal de afirmação feito com a mão fechada e o polegar para cima que era utilizado pelos pilotos americanos ao se comunicarem com mecânicos da base aérea de Natal.

Para os norte-americanos essa americanização da sociedade brasileira era vista com bons olhos, sendo assim mais seguro uma parceria pacífica. Essa aliança quebraria possíveis resistências com a aproximação política entre as duas nações em uma realidade que era possível a conquista dos países latino-americanos pelo nazismo

Se o plano político de Boa Vizinhança de Roosevelt era o instrumento idealizado para a execução da americanização, o Office of Inter-American Affairs, criado pelo governo dos EUA e liderado por Rockefeller, foi o instrumento exato para implementação dessa intervenção, pois alcançaram a atenção dos brasileiros que ficaram maravilhados com o american way of life que incluía tecnologias, progresso, industrialização, modernidade, liberdade, etc.

Essa troca cultural foi agradável aos dois lados, pois a industrialização norte-americana foi difundida através de programas de rádios e o governo brasileiro também divulgou matéria prima brasileira como o manganês, café, aço e quartzo para os Estados Unidos. 

Artigos Relacionados

A Crise dos Mísseis foi provocada pela descoberta de projeteis soviéticos em solo cubano. O evento aflorou o medo de uma guerra nuclear.

A crise do feudalismo tem suas causas no renascimento comercial, influenciado pelas Cruzadas e pelo crescimento da circulação de moedas.

Cortina de Ferro é uma metáfora que foi popularizada pelo britânico Winston Churchill, durante o discurso que incentivou o início da Guerra Fria.

Quer estudar
pagando menos?
Com o Educa Mais Brasil você estuda com desconto até o final do curso!
×Graduação
Curso que deseja estudar