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As primeiras grandes navegações

Postado por Alissa Magalhães em 26/07/2019 e atualizado pela última vez em 04/02/2021

Era do descobrimento e exploração de novas terras pelo mundo


As primeiras grandes navegações contam a história sobre o período em que o novo mundo foi descoberto por países europeus. Durante os séculos XV e XVI, Portugal era a maior potência do mundo e começou as expedições ao longo do globo terrestre, pois precisava aumentar suas rotas comerciais a fim de alavancar a economia do país e conquistar mais terras. 

Outros países da Europa como Espanha e Inglaterra também começaram a investir em transportes náuticos para investigar territórios novos, isso ocorreu logo após se firmarem politicamente e acompanharem o sucesso dos portugueses.

No começo, o objetivo principal era encontrar uma nova rota para chegar nas Índias, devido ao mercado de especiarias provenientes daquela região que era dominado pelos italianos. 

Com o tempo, o interesse foi ampliado para a conquista de territórios até então não explorados e para a unificação das nações como países sem complicações internas.

As jornadas marítimas a que os navegantes se submetiam eram perigosas e desconfortáveis, mas os incentivos da época era fortes e importantes, politicamente e economicamente.


As primeiras grandes navegações auxiliaram os europeus a explorarem as Américas. (Foto: Wikipedia)

A era que abrange as primeiras grandes navegações


Portugal é considerada a primeira potência do mundo, pelo investimento em tecnologia marítima e pelo domínio das rotas náuticas no início da Idade Moderna. As buscas por rotas, comércio e produtos novos designaram o início do processo de globalização que o mundo passa até hoje.

O período que transita entre o fim da Idade Média e início da Idade Moderna é o que marca a era das primeiras grandes navegações, quando o mercado e o consumo começavam a ditar os comportamentos econômicos e territoriais.

 Consequências relacionadas com as primeiras grandes navegações


Assim como há causas que marcaram a era das primeiras grandes navegações, consequências passadas e presentes no mundo até hoje surgiram por causa dessa época. Como por exemplo:

•   Surgimento de impérios coloniais com estruturas econômicas montadas para atender o início do capitalismo nas potências europeias;
•   Modificação do eixo econômico, a rota se transferiu do Mediterrâneo para o Atlântico;
•   Fluxo de riquezas foi transferido para a Europa, devido às explorações das colônias;
•   Difusão de costumes europeus para o resto do mundo;
•   Ampliação de mercados econômicos e comércio;
•   Desenvolvimento em conhecimentos científicos e técnicos;
•   Doenças graves mataram tripulações;
•   A burguesia conseguiu se consolidar nos países atlânticos;
•   Revolução de preços provenientes do aumento de metais preciosos no comércio da recém-descoberta América;
•   O sistema comercial europeu teve que ser somado às trocas externas e outros continentes também recebiam os produtos da Europa;
•   Decadência dos territórios mercantis da Itália, crescimento dos países ibéricos;
•    Baseada no protecionismo do Estado e no regimes dos monopólios, a política mercantilista foi adotada.

Experiências navais dos portugueses


As Cruzadas ensinaram muito sobre a realidade marítima para os portugueses, por causa da tecnologia e conhecimento empregados pelos árabes nas navegações. A construção de navios fortes e consideravelmente seguros, a criação de cartas náuticas e a inovação em tecnologia que classifica uma caravela portuguesa – tudo aprendido com os árabes - fazem parte de um orgulho histórico para Portugal.

As naus eram imensas e trabalhosas, as caravelas eram mais leves e práticas, por isso foram consideradas como uma grande invenção facilitadora na era dos descobrimentos em que as primeiras grandes navegações predominavam nos mares. Elas eram mais versáteis e flexíveis, isso permitia um melhor contorno das costas como, por exemplo, a africana. O uso da bússola e do quadrante (instrumentos de navegação) também foram disseminados e desenvolvidos nesta época.


Exemplo de caravela portuguesa (Foto:Wikipedia)

Tratado de Tordesilhas


O Tratado de Tordesilhas foi um acordo assinado em junho de 1494 por Portugal (na época um reino) e Coroa da Castela (antiga monarquia ibérica) a fim de dividir as terras descobertas por essas nações no século XV.

Este tratado consistia em uma linha de demarcação imaginária dos territórios e surgiu como forma de contestação do reino português em relação às pretensões territoriais da Espanha. A linha passava a 370 léguas de Cabo Verde, a parte oeste ficou sob posse da Espanha, e a parte leste sob comando de Portugal. Porém, com o passar do tempo os portugueses começaram a invadir os territórios espanhóis e o Brasil foi tomando as formas que tem hoje.

Linha cronológica das expansões e desbravamento do mundo


1404 - As Ilhas Canárias foram requisitadas pela Espanha.
1415 - Portugal conquistou Ceuta na época do reinado de Dom João I, dando início à sua expansão marítima. A cidade era centro de comércio importante.
1418 – Os navegadores portugueses descobriram sem intenção a ilha de Porto Santo, localizada no arquipélago da Madeira. O português Bartholomeu Perestrello, no ano de 1446, colocou Porto Santo como Capitania Hereditária. Cristóvão Colombo se casou com sua filha.
1420 - Dom Henrique, importante infante da época, foi nomeado como dirigente da Ordem de Cristo.
1421 – Os portugueses deram início à exploração da região da costa do ocidente da África sob o comando de Dom Henrique.
1434 - Gil Eanes fez a dobra no Cabo Bojador (onde hoje se localiza o Saara Ocidental), e demonstrou que a Terra não terminava naquele local, como antes era pensado.
1455 - Na Alemanha, Gutenberg iniciou as primeiras impressões da Bíblia. Uma grande mudança de desenvolvimento começou na disseminação do conhecimento. 
1456 - Primeiros relatos sobre a descoberta das ilhas de Cabo Verde foram apresentados.
1470 a 1475 - As ilhas de São Tomé, Príncipe e Fernando Pó (atual Bioko), no golfo da Guiné foram descobertas por marinheiros portugueses.
1479 - O Tratado de Alcáçovas foi assinado por Portugal e Espanha, tratado este que consistia na desistência de Portugal sobre a coroa da Castela e que assegurava conquistas portuguesas em outra região, o sul das Ilhas Canárias. Foi o primeiro acordo de divisão do mundo entre as duas potências dominantes: Espanha e Portugal.
1481 - Dom João II agora era o rei de Portugal.
1485 - Dom João II e Carlos VIII, ambos franceses, assinaram um tratado comercial e de aliança, que foi depois renovado em 1536.
1488 - Bartolomeu Dias contornou o Cabo das Tormentas, comprovando a possibilidade de chegar nas Índias via mar. Portugal se consolidava nos mares do Atlântico Sul e Oceano Índico.
1492 - Cristóvão Colombo desembarcou na região das Antilhas, patrocinado pela Espanha, mas acreditou na época que tinha chegado no Japão. De acordo com o Tratado de Alcáçovas, as terras que ele avistou pertenciam a Portugal.
1494 – O famoso Tratado de Tordesilhas, explicado anteriormente neste texto, foi assinado por Portugal e Espanha e dividiu o mundo em duas partes, entre as duas potências que lideravam a Terra na época. Em 1750, muitos anos após o tratado, alguns erros do tratado como distorções nos mapas culminaram em litígio das terras na região da Argentina, a questão foi resolvida com o Tratado de Madri. 
1495 - Dom João II morre e Dom Manuel assume o trono como rei de Portugal. Ele deu prosseguimento à expansão portuguesa pelo mundo. 
1497 – O português Vasco da Gama foi ao Cabo da Boa Esperança e chegou às Índias, um ano após. Essa rota significou enorme prosperidade para o reino de Portugal.
1499 - Américo Vespúcio participou de expedições espanholas que exploraram territórios no norte da América do Sul.
1500 – Pedro Álvares Cabral desembarca em Porto Seguro e assim o Brasil era descoberto, em 22 de abril. 


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