Descubra quais foram as mudanças feitas na Constituição de 1824

O Município Neutro existiu de 12 de agosto de 1834 até 1889, quando aconteceu a Proclamação da República. (Foto:Commons)
A Regência
A Regência foi um período de intermediação entre o primeiro reinado e o segundo reinado. O Período Regencial começou em 1831, logo após a volta de Dom Pedro à Portugal, e terminou em 1840, quando Dom Pedro II assumiu o trono.
De acordo com a lei vigente na época, Dom Pedro II só poderia assumir o governo aos 21 anos. Mas, em 1840, ele tinha apenas 14 anos e as disputas políticas estavam tão intensas que o Senado, pressionado pelos liberais e pela população, alterou a Constituição. A maioridade agora poderia ser alcançada aos 18 anos.
A medida não foi suficiente. A tensão continuou de forma acentuada. A declaração de maioridade de Pedro II deveria ser imediata. E foi assim que em 23 de julho de 1840, a Assembleia Geral declarou a emancipação de Dom Pedro II e um ano depois tornou-se o mais novo imperador do Brasil. Durante a transição dos reinados, o país ficou sob o comando dos regentes. Eles tinham poderes administrativos e atuavam em nome do soberano.
No Brasil, quatro regências foram atuantes:
• Regência Trina Provisória (1831)
• Regência Trina Permanente (1831-1834)
• Regência Una de Feijó (1835-1837)
• Regência Una de Araújo Lima (1837-1840)
Ato Adicional de 1834
• Criação das assembleias legislativas nas províncias;
• As províncias se tornavam mais independentes;
• Eleições para deputado a cada dois anos;
• As eleições para regente seriam secretas e seu mandato duraria quatro anos;
• As províncias tinham autonomia para contratar e demitir funcionários e também podiam criar taxações;
• A regência deixava de ser trina (três regentes) e passava a ser una (um regente);
• Extinção do Conselho de Estado;
• Suspensão do Poder Moderador – poder atribuído ao imperador;
• Criação do Município Neutro no Rio de Janeiro.
Os liberais até comemoraram essas mudanças, mas engana-se quem pensa que o poder estava completamente descentralizado. O governo central, representando o poder régio, ainda indicava os presidentes das províncias, ou seja, as assembleias estavam subordinadas ao poder do soberano, a quem deviam total obediência.
Assembleias Legislativas Provinciais
A criação das assembleias tinham como objetivo o controle de gastos e coleta de impostos. Através do Ato adicional de 1834, a instituição também contratava e demitia funcionários. Não demorou muito para que as elites locais subordinassem a população. O Poder Moderador e o Conselho do Estado não existiam mais. Os deputados e as demais forças políticas e econômicas detinham o poder.
Criação do Município Neutro
Assim como a criação das assembleias legislativas, a construção do Município Neutro foi uma das mudanças pontuais durante o período. Localizado no Rio de Janeiro, o município funcionava como um departamento administrativo. A Corte Portuguesa se transferiu para lá, tornando-o capital do país.
Diferente das demais cidades, o Rio era administrado diretamente pelos auxiliares do imperador. Esses ministros se incumbiam dos cuidados e gerenciamento de todas as outras capitanias do Brasil.
Lei de interpretação do Ato Adicional de 1834
Na Regência Una de Araújo Lima o ato adicional de 1834 passou por uma “ reforma”. Araújo Lima era um conservador e fazendeiro de Pernambuco. Boa parte das conquistas liberais vindas do ato adicional de 1834 foram modificadas em seu governo.
Em 12 de maio de 1840, foi instituída a Lei nº 105, conhecida como “ Lei de interpretação de 1834”. Na prática significou vários retrocessos, tais como:
• Submissão dos setores administrativo e jurídico da Guarda Nacional e da Polícia ao Estado;
• As províncias perderam parte de seus poderes políticos e administrativos.
A indignação foi tão grande que os liberais e os revoltosos se uniram em nome da coroação de Dom Pedro II. Em julho de 1840, terminava o Período Regencial.