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Baixa Idade Média

Postado por Elaine Mendes em 25/03/2019 e atualizado pela última vez em 02/02/2021

Período marcado pelo renascimento comercial e urbano


A Baixa Idade Média começou após o ano 1000. Durante esse período foi verificado na Europa um grande crescimento demográfico e o ressurgimento do comércio, à medida que novas técnicas agrícolas permitiam maior produtividade de solos e colheitas.

Foi nessa época que começaram e se estabelecer as duas estruturais sociais que controlaram a Europa até o Renascimento: o senhorialismo – grupo de camponeses em aldeias que pagam renda e prestam vassalagem a um nobre, e o Feudalismo – organização política em que os nobres de estatuto inferior prestavam serviço militar aos seus senhores e recebiam como recompensa uma gleba e o direito de cobrar impostos em determinado território.

Durante a Baixa Idade Média houve a diminuição das guerras feudais e as invasões de povos à Europa (a última grande invasão havia sido a dos Vikings no século IX), como também a criação de novas técnicas, a exemplo do surgimento dos moinhos de vento e de água, a rotação trienal dos campos, o arroteamento de terras (drenagens de pântanos e derrubada de florestas para novas áreas agrícolas) e o incremento da metalurgia (graças ao início das Cruzadas).


Cruzadas na Baixa Idade Média


A primeira grande consequência de todo período da Baixa Idade Média, nessa situação de instabilidade, foi o movimento das Cruzadas em direção ao Oriente Próximo, que propiciou a dinamização dos contatos entre os povos. Ocorrido entre os séculos XI e XIII, o Movimento Cruzadista aglutinou todas as forças europeias contra um inimigo comum, os muçulmanos, chamados de infiéis pela Igreja Católica

As Cruzadas pareciam a solução para a crise surgida do crescimento demográfico, tornando-se, na verdade, responsável por transformar ainda mais a sociedade feudal. Veja algumas das causas por trás do Movimento Cruzadista:

Aumento populacional: haviam na Europa, no início da Baixa Idade Média, muitas bocas para alimentar e uma quantidade enorme de nobres ociosos a procura de terras para governar. Era necessário direcionar toda essa população para outro lugar, o Oriente Próximo, que serviu para tais fins.
Cisma do Oriente: a divisão da Igreja Cristã (1054) enfraqueceu a instituição ocidental, levando o Papa a considerar o Movimento Cruzadista um artifício político eficiente para pressionar o Patriarca de Constantinopla a reunificar as duas sedes eclesiásticas sob a liderança de Roma.
Interesses comerciais: as Cruzadas serviam como uma forma de reaproximar ainda mais o Oriente do Ocidente, levando os comerciantes da Península Itálica, principalmente venezianos e florentinos, interessados nas rotas das especiarias do leste, a financiar o movimento.
Interesses do Imperador Bizantino: o Império Bizantino vinha perdendo territórios para o Islã e as Cruzadas poderiam inverter tal situação, já que jogaria os Ocidentais, também Cristãos, contra os muçulmanos.

Ao todo, foram oito Cruzadas oficiais - sob o consentimento da Igreja e da nobreza feudal - além de duas Cruzadas não oficiais: a dos mendigos e a das crianças.

Renascimento comercial e urbano


O termo renascimento urbano e comercial ainda costuma ser utilizado em livros de história para explicar a dinamização do comércio e o crescimento das cidades após o Movimento Cruzadista. A Baixa Idade Média não significou a ausência das atividades urbanas e comerciais, mas apenas seu enfraquecimento. As cidades da Itália continuaram negociando com o Oriente após a queda do Império Romano Ocidental, intensificando ainda mais suas atividades após as Cruzadas.

Cidades como Gênova e Veneza controlavam as rotas comerciais das especiarias do eixo leste-oeste, seus comerciantes e banqueiros faturando ainda mais com as incursões de nobres em direção à Terra Santa. Isso sem falar no enriquecimento dos comerciantes venezianos após a quarta Cruzada, quando passaram a controlar Constantinopla.

Durante a Baixa Idade Média, as reduzidas atividades comerciais eram praticadas nas feiras próximas aos castelos dos senhores feudais, uma forma das pessoas que por elas perambulavam obterem alguma segurança frente aos bandidos, batedores ou povos invasores.



Declínio do feudalismo


A crise do feudalismo ocorreu durante a chamada Baixa Idade Média, dos séculos XI a XV. Trata-se de um longo processo que levou à formação das Monarquias Nacionais Europeias e consequentemente, do Estado Moderno, além do crescimento do comércio e da burguesia. Os reis, a nobreza e a burguesia teriam que se rearticular para resolver essa crise (o nascimento do Absolutismo). 

Era uma crise vista como inerente ao próprio sistema e suas contradições internas, uma vez que o feudalismo por si só era de produção para subsistência, mas assistia a um crescimento populacional muito grande e via o embrionário capitalismo surgir, com a burguesia e o comércio internacional, seja de especiarias ou artigos regionais.

Mas o que desencadeou de fato o desequilíbrio foi a crise ecológica/agrícola da década de 1330, quando a produção mal dava para alimentar os camponeses, que, subnutridos, ainda tinham que sustentar clero e nobreza. Dessa forma, iniciou a crise de fome, seguido do surgimento de pestes e revoltas. Pode-se destacar ainda a Guerra dos Cem Anos


O aumento da circulação das moedas, principalmente nas cidades, reduziu o sistema de trocas de mercadorias, 
característica principal do feudalismo. (Foto: Wikimedia Commons)

Peste Negra na Baixa Idade Média


Esta foi a maior, a mais trágica epidemia que a história registrou até os dias de hoje. Foi chamada de Peste Negra pelas manchas escuras que apareciam na pele dos enfermos. Como em outras epidemias, teve início na Ásia Central, espalhando-se por via terrestre e marítima em todas as direções. 

Em 1334, causou cinco milhões de mortes na Mongólia e no norte da China. Houve grande mortandade na Mesopotâmia e na Síria, cujas estradas ficaram juncadas de cadáveres dos que fugiam das cidades. No Cairo os mortos eram atirados em valas comuns e em Alexandria os cadáveres ficaram insepultos. Calcula-se em 24 milhões o número de mortos nos países do Oriente.

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