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Bandeirantes

Postado por Ana Letícia Reis em 20/08/2019 e atualizado pela última vez em 22/12/2020

Saíam em expedições pelo território brasileiro buscando riquezas e escravos


Bandeirantes foram descendentes de portugueses em São Paulo que exploraram várias partes do Brasil em busca de ouro e captura de escravos fugidos para quilombos e índios. 

Participaram da expansão do território brasileiro, além do limite imposto pelo Tratado de Tordesilhas, e ocuparam a Região Sul do Brasil, Região Centro-Oeste, Mato Grosso, Goiás e descobriram o ouro em Minas Gerais.

A história das bandeiras


Em 1750 um mandato real fixava a Lei das Ordenanças. Porém, nas zonas rurais foi necessária a formação das bandeiras que era semelhante a Companhia das Ordenanças. 

Seus componentes eram divididos em esquadras, reunindo quem estivesse até uma légua de distância do capitão-mor. Essas bandeiras adentraram o território brasileiro também como alternativa de proteger o governo colonial contra ataques indígenas. 

No início da colonização brasileira, Portugal tinha suas atenções voltadas para o litoral e proximidades devido a cana-de-açúcar e a extração do pau-brasil. Além disso, s portugueses se sentiam desmotivados em desbravar a colônia porque suas matas eram altas e fechadas. 

Eles tinham o ponto de partida nas cidades de São Vicente e São Paulo. Prosseguiam o percurso dos rios, entre eles o rio Tietê. As expedições eram dispostas por particulares e eram direcionadas para o Mato Grosso, o Goiás e o estado de Minas Gerais, especialmente aonde tinham aldeias indígenas para realizar a captura. 

Então, no século XVI, com o controle dos mercados africanos pelos holandeses, a mão de obra ficou escassa e sentiram a necessidade de escravizar os indígenas. Assim, os paulistas iniciaram os ataques às missões jesuítas e repetiram em 1632 aprisionando, na capitania do Espírito Santo, os índios guaranis.

Com o fim da União Ibérica os bandeirantes dão suporte à exclusão dos holandeses e em 1660 se fixam na região dos Tocantins, Goiás, Mato Grosso, Piauí, Uruguai, Bolívia e Paraguai. 

Alguns bandeirantes de destaque foram: Antônio Raposo Tavares, Bartolomeu Bueno da Veiga, Domingo Jorge Velho, Fernão Dias Pais, Jerônimo Leitão e Manuel Borba gato.

Domingos Jorge Velho destruiu o Quilombo dos Palmares no ano de 1695. E depois de alguns anos os bandeirantes se envolveram na Guerra dos Emboabas, quando foram derrotados. 

Após se estabelecerem nas capitanias de Goiás, Mato Grosso e Santa Catarina com os seus descendentes, o movimento entra em ruínas acabando suas atividades. Ainda assim a imagem do bandeirante foi reestruturada de forma positiva como alternativa da elite paulista se firmar no poder político.



A idealização dos bandeirantes


As honrarias aos bandeirantes ganhou maior força no século XIX quando a elite da província de São Paulo tinha interesse de afirmar-se no cenário político. A economia crescente da cafeicultura prosseguia, mas a elite ainda não detinha destaque político. 

Nesse cenário surge a exaltação à figura dos bandeirantes, justificando uma força paulista e afirmando um heroísmo de unidade nacional. Mas o surgimento da Republica no ano de 1889 não alterou para um poder paulista que a elite sonhava, então continuaram enaltecendo seu passado. 

Buscaram historiadores comprometidos com a política e esses levantavam características positivas dos bandeirantes. Utilizavam termos como “povo superior”, “raça de gigantes”. Escondiam fatos como as atrocidades cometidas aos povos indígenas e justificavam a escravidão. 

O ápice para o enaltecimento dos bandeirantes foi a década de 1930 surgindo a proposta de brasilidade a qual São Paulo buscava hegemonia política do país. Na Revolução de 1932 surge o termo “paulista de quatrocentos anos” afirmando que as famílias antigas cultuavam a ancestralidade acreditando pertencer a uma raça de privilégios. Apesar disso, nem metade da população descendia dos portugueses.

Ao findar a guerra em que São Paulo perdera o mito dos bandeirantes continuou, tanto que ainda se encontra nas praças e ruas inúmeros nomes com referência a eles.


Monumento dos Bandeirantes, em São Paulo, cria positivismo para os interesses da elite paulista da década de 1930. (Foto: Wikipedia)

O Quilombo dos Palmares


O Quilombo dos Palmares foi formado no período colonial. É considerado de maior representação da luta contra a escravidão dos negros, pois resistiu mais de um século as repressões. Seu líder foi Zumbi dos Palmares que tornou-se ícone na história do Brasil.

Se localizava na capitania de Pernambuco, na Serra da Barriga, local que atualmente pertence ao estado do Alagoas. Esses quilombos consistiam em uma rebelião já que trabalhavam desumanamente e sem receber nada em troca. 

Historiadores estimam que existiam mais de 20 mil habitantes nesse quilombo, em 1670. Foi registrado um crescimento populacional devido às invasões dos holandeses e então resolveram se dividir em mocambos. Entre eles:

Cerca Real do Macaco: maior centro político do quilombo;
Subupira: com atividades militares;
Zumbi: que era o líder e se tornou símbolo da luta contra a escravidão;
Dandara: liderado pela esposa de Zumbi dos Palmares.

Os quilombolas dos Palmares sobreviveram com a prática de artesanato, a caça, a pesca, a coleta de frutas e a agricultura. Inclusive comercializavam esses gêneros para os vizinhos. 

Depois da expulsão dos holandeses houve a carência de mão de obra, assim como o desejo dos portugueses pela recaptura dos antigos escravos fugitivos. Isso fez com que crescessem os ataques ao Quilombo dos Palmares.

Em contrapartida, com a prosperidade desse quilombo, o governo colonialista se sentia amedrontado e decidiu tomar o poder da região. Realizaram cerca de dezoito expedições para eliminar permanentemente o Quilombo dos Palmares e isso foi consumado com a expedição do bandeirante Domingos Jorge Velho.


Domingos Jorge Velho destruiu o Quilombo dos Palmares. (Foto: Wikipedia)

Domingos Jorge Velho


Foi um bandeirante que combateu e caçou índios nos sertões do Ceará, Paraíba e Piauí. Foi responsável por dizimar inúmeras aldeias indígenas além de quilombos. Em meados de 1675 fundou os arraiais de Piancó e Formiga, na Paraíba.

Domingos Jorge Velho era mestre de campo e junto ao capitão-mor Bernardo Vieira de Melo, liderou tropas que destruíram o Quilombo dos Palmares, na antiga capitania de Pernambuco. Essa expedição começou em janeiro do ano de 1694.

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